Brasil renuncia á liderança internacional sobre energias renováveis

Greenpeace lamenta posição da Ministra de Minas e Energia na Conferência de Bonn.Apesar de todos os esforços dos ambientalistas latino-americanos para que Dilma Rousseff mudasse o tom do discurso que faria, na manhã da quinta-feira (03/5), na Conferência

  
  

Greenpeace lamenta posição da Ministra de Minas e Energia na Conferência de Bonn.Apesar de todos os esforços dos ambientalistas latino-americanos para que Dilma Rousseff mudasse o tom do discurso que faria, na manhã da quinta-feira (03/5), na Conferência sobre Energias Renováveis de Bonn (Alemanha), a ministra brasileira, representando todos os países da América Latina e Caribe, apresentou sua apologia às grandes barragens como solução energética para os países em desenvolvimento.

“O Brasil, que já foi uma das maiores lideranças dos países em desenvolvimento durante a Rio+10 no que diz respeito a clima e energias renováveis, renunciou à essa posição, deixando de conquistar financiamentos para a implementação de alternativas sustentáveis” disse Marcelo Furtado, coordenador de políticas para a América Latina do Greenpeace, após presenciar o discurso da ministra brasileira em Bonn.

Deixando claro que considera as renováveis como meras coadjuvantes na matriz energética brasileira, Dilma Rousseff, durante toda sua estada na Alemanha, fez gestões para o mundo retroceder à década de 70, quando as grandes hidrelétricas eram apresentadas como a melhor solução para o suprimento global de energia mesmo causando graves danos sociais e ambientais.

“Atualmente, há 21 milhões de brasileiros sem fornecimento seguro de energia em suas casas. Boa parte desses cidadãos nunca será beneficiada pelo modelo tradicional das grandes barragens. Ao defender as hidrelétricas, a ministra se esquece de centenas de milhares de brasileiros que perambulam pelo país sem terem onde ficar depois de terem sido expulsos de suas
terras, inundadas por barragens. Existem 12 mil famílias que vivem de frente para o lago da hidrelétrica de Tucuruí sem terem luz em suas moradias” salientou Sérgio Dialetachi, coordenador da campanha de energia do Greenpeace.

Os ambientalistas vinham tentando fazer a ministra entender a importância da Conferência de Bonn para a consolidação de uma indústria nacional de renováveis, que desenvolva tecnologia, produza equipamentos no Brasil, estabeleça empreendimentos no nosso território, gere empregos em áreas carentes, movimente a economia do país e promova exportações através de um comércio justo com nossos vizinhos e parceiros mundiais.

“Quando falamos de renováveis, estamos nos referindo desde a energia eólica do Ceará e a solar da Bahia até a casca de arroz do Rio Grande do Sul, a cana-de-açúcar de São Paulo e o biodiesel de mamona de Minas Gerais, de acordo com a vocação específica de cada Estado para gerar sua eletricidade”, afirma Sérgio Dialetachi.

“A ministra brasileira, com sua posição retrógrada em favor das grandes barragens, pode jogar por terra todo o esforço
mundial pró-renováveis e abrir espaço para aqueles países, como por exemplo os produtores de petróleo, que não querem ver mudanças significativas acontecer”, finalizou Marcelo Furtado, do Greenpeace.

Fonte: Greenpeace

  
  

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