Capital paulista testará 15 ônibus híbridos, com motores diesel e elétrico

Uma frota de 15 ônibus híbridos, com motores diesel e elétrico, será testada na cidade de São Paulo para averiguar a viabilidade econômica, técnica e operacional dessa alternativa de transporte público. O teste, com duração de um ano, deverá ser inici

  
  

Uma frota de 15 ônibus híbridos, com motores diesel e elétrico, será testada na cidade de São Paulo para averiguar a viabilidade econômica, técnica e operacional dessa alternativa de transporte público.

O teste, com duração de um ano, deverá ser iniciado em dezembro próximo com os ônibus operando em condições comerciais no corredor entre o Parque D. Pedro II e o Sacomã.

O secretário do Meio Ambiente do Estado, professor José Goldemberg, obteve o apoio da Fundação William e Flora Hewlett, de Stanford, na Califórnia, nos Estados Unidos, que vai colaborar para a viabilidade econômica do projeto custeando a conversão dos veículos e os testes de laboratório e de campo para avaliar o desempenho do sistema híbrido e os níveis de emissão de poluentes e de ruídos.

Segundo Goldemberg, se os testes concluírem que os ônibus híbridos constituem uma alternativa técnica e economicamente viável, o transporte coletivo sobre rodas deve seguir esse caminho.

`Como a renovação da frota de ônibus deve se dar a cada cinco anos, disse, teremos nesse prazo uma alternativa limpa e silenciosa, que certamente será valorizada pela população.`

Um grupo de trabalho, integrado por órgãos estaduais e municipais, envolvendo ainda os fabricantes dos equipamentos, está definindo um cronograma e metodologias para a realização do teste, que constitui a
primeira experiência em escala real a ser realizada no Município de São Paulo, onde os ônibus com motor diesel constituem uma fonte significativa de poluição.

Fundação Hewlett :

Para Joseph Ryan, representante da Fundação Hewlett no Brasil, o empenho do Governo do Estado e da Prefeitura de São Paulo em implementar o projeto foi decisivo para viabilizar o apoio da instituição, que administra um patrimônio de US$ 5 bilhões para investir em programas sociais.

`A fundação desenvolve um projeto global de qualidade do ar em grandes cidades, elegendo como foco principal São Paulo, Cidade do México e Beijin, na China`, explicou.

`Daqui a 30 anos, a população mundial deve sofrer um acréscimo de três bilhões de pessoas, que vão viver em áreas urbanas. É preciso que desenvolvamos sistemas de transporte, de uso de energia e de manutenção da qualidade do ar nas próximas duas décadas, para atender as demandas futuras.`

Outro fator que influiu na decisão da fundação é o fato do Brasil contar, atualmente, com a melhor tecnologia de ônibus híbridos. Um veículo com essa tecnologia custa, nos Estados Unidos, US$ 250 mil a mais que um ônibus diesel convencional, enquanto em nosso país o custo adicional para a conversão é de US$ 30 mil.

Segundo a Eletra, fabricante dos ônibus híbridos, com sede em São Bernardo do Campo, o veículo custa US$ 100 mil, sendo 5% mais barato que um tróleibus e 30% mais caro que um veículo com motor diesel.

A empresa aposta no sucesso do equipamento que, em junho último, obteve o segundo lugar na `The World Technology Summit & Awards`, que é um concurso de tecnologia, cuja importância é equiparada ao Oscar.

Um veículo da Eletra já circula em Santiago, no Chile, além de outros seis na Grande São Paulo, havendo ainda quatro ônibus para demonstração.

Segundo o fabricante, os ônibus híbridos utilizam um motor diesel de 80 HP e um motor elétrico que produz 260 HP, enquanto um veículo convencional possui um único motor diesel de 240 HP.

Além da energia gerada pelo motor auxiliar, esses veículos aproveitam também a energia cinética, desperdiçada nos veículos convencionais em declives, por exemplo, armazenando-a para aproveitamento nos momentos de maior exigência de potência.

Com essa configuração, os ônibus híbrido, segundo a Eletra, apresentam um nível de ruído comparável ao dos tróleibus, emitem 60% menos de poluentes, com um custo operacional 30% menor e vida útil de 15 anos(semelhante à dos tróleibus).

Grupo de trabalho :

O grupo de trabalho é integrado por representantes das Secretarias Estaduais do Meio Ambiente, Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo e dos Transportes Metropolitanos e das Secretarias Municipais do Verde e Meio Ambiente e de Transportes.

Com a presença de Hal Harvey, diretor do Programa de Meio Ambiente da Fundação Hewlett, e Michael Walsh, consultor internacional com experiência em transporte pública, foi realizada uma primeira reunião, coordenada pela secretária-adjunto do Meio Ambiente, Suani Coelho, para a definição das responsabilidades de cada instituição.

Foram abordadas, ainda, questões como especificações dos motores, catalisadores e filtros, combustível e cronograma de testes de emissões e de campo,envolvendo a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental Instituto de Pesquisas Tecnológicas, IEE -Instituto de Eletrotécnica e Energia, da Universidade de São Paulo, EMTU - Empresa Metropolitana de Transporte Urbano e SPTrans - São Paulo Transporte, que administra o sistema de transporte no Município de São Paulo, além da Eletra.

Fonte: CETESB

  
  

Publicado por em

Alexandre

Alexandre

03/12/2008 20:04:06
Há algo novo sobre essa matéria? foi realmente implantado?