Empresa inglesa quer parceria com Itaipu para desenvolver veículo elétrico global

A proposta foi apresentada pelo CEO da companhia inglesa, Georges Gillespie, durante a reunião do Comitê Técnico do Projeto VE

  
  
Países como a China e a Coreia do Sul já têm essas políticas industriais / Divulgação

A empresa de tecnologia Mira, com sede na Inglaterra e filiais em países da Europa, Ásia e América Latina, quer integrar a Itaipu e o Projeto Veículo Elétrico(VE) ao esforço para desenvolver um carro elétrico global, compacto, que possa ser produzido e comercializado em diferentes pontos do planeta.

A proposta foi apresentada na terça-feira (30/10), em Foz do
Iguaçu, pelo CEO da companhia inglesa, Georges Gillespie, durante a reunião do Comitê Técnico do Projeto VE.

Participaram da reunião o diretor-geral paraguaio de Itaipu, Franklin Boccia Romañach, a diretora financeira executiva, Margaret Groff, que também é a coordenadora brasileira do Comitê Gestor do Projeto VE, e representantes das empresas parcerias do projeto – entre elas, Ande, Eletrobras, Fiat, Copel, Cemig, CPFL, WEG, Chesf, Lactec, Light, Correios, Cepel, FPTI, Mascarello, Agrale, Iveco, Moura, Petrobras, Euroar, Finep, Furnas, FIAMM e Bom Sinal.

O diretor do escritório da Mira no Brasil, Armando Canales, explicou que a ideia é transformar o Brasil em um centro de referência para o desenvolvimento de veículos elétricos ou híbridos e articular estratégias para que possa entrar no mercado global.

“Países como a China e a Coreia do Sul já têm essas políticas industriais e a nossa proposta é que, trabalhando junto, o Brasil também possa entrar nesse mercado”, explicou.

Canales acrescentou que as grandes montadoras dominam o mercado de veículos convencionais, com motor a combustão, mas as novas tecnologias abriram oportunidades para os países emergentes.

“E não é só produzir veículo, há toda uma cadeia de componentes. O Brasil poderia, por exemplo, vender motor elétrico, talvez para a Coreia, os Estados Unidos. Mas, para isso, precisa desenvolver esse know-how, senão pode perder o 'trem'”, reforçou.

Ainda segundo ele, o projeto do veículo elétrico global prevê um cronograma de 44 meses para a apresentação do novo produto, prazo que passaria a contar a partir da formalização das parcerias com empresas e instituições de pesquisa e o aval dos governos.

“Por enquanto, o que estamos apresentando é o conceito”, ponderou.

Salto tecnológico

O coordenador brasileiro do Projeto VE, engenheiro Celso Novais, disse que o fato de a Mira ser uma empresa de alta tecnologia, sem fins lucrativos, criada pelo governo britânico há mais de meio século, a torna estratégica para o Projeto VE.

“A Mira poderá, por exemplo, abrir o seu centro de pesquisa, um dos mais avançados do mundo, para treinamento de profissionais do Brasil e do Paraguai”.

Novais salientou que países que não têm tradição na fabricação de
automóveis, e sem condições de competir no mercado convencional, têm agora a oportunidade de emergir como potências no desenvolvimento de veículos elétricos e híbridos.

“O Brasil, pela sua capacidade industrial, pelas suas dimensões, pela capacidade de produzir insumos, tem a oportunidade de fazer parte do grupo de países que vão fornecer tecnologia”, avaliou. Ao contrário, alertou, se o País decidir não participar desse processo, continuará a ser um mero importador.

Surpresa

O CEO da Mira, Georges Gillespie, disse que o fato de Itaipu trabalhar já há vários anos com o desenvolvimento de veículos elétricos, de forma independente, torna a empresa parceira natural do projeto.

“Como Itaipu, nós [a Mira] também somos desenvolvedores de tecnologia”, reforçou o executivo, que disse ter ficado surpreendido com a visita à maior geradora de energia limpa e sustentável do Planeta.

“Itaipu é muito mais que produção de eletricidade”, disse, citando projetos que conheceu nas áreas social e ambiental, além das pesquisas em tecnologia. “Para mim, foi uma grande surpresa”, afirmou.

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Fonte: Itaipu

  
  

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