Energia renovável quintuplica investimentos em quatro anos

Os investimentos em projetos de geração de energia via fontes renováveis e limpas irão quintuplicar nos próximos quatro anos. No ano passado, em todo o mundo, foram utilizados aproximadamente US$ 55 bilhões para a

  
  

Os investimentos em projetos de geração de energia via fontes renováveis e limpas irão quintuplicar nos próximos quatro anos. No ano passado, em todo o mundo, foram utilizados aproximadamente US$ 55 bilhões para a construção de projetos no mercado de energia limpa. No início da próxima década, esses projetos estarão consumindo, em um ano, cerca de US$ 250 bilhões, estimou o diretor da Eco Power, Ricardo Bornhausen.

"A expectativa é de que fundos americanos apliquem US$ 2,4 bilhões em empresas de energia renovável ao longo deste ano. Nesse cenário, o Brasil tem uma posição absolutamente confortável, principalmente em geração hidrelétrica e via biomassa", afirmou.

Em pelo menos duas dessas fontes de energia renováveis, apesar do imenso potencial, o Brasil ainda está engatinhando. A matriz energética brasileira ainda tem um baixo percentual de geração por meio de energia eólica ou solar. No caso desta última, o Brasil ocupa a segunda região do planeta em nível de incidência de sol, perdendo apenas para o Deserto do Saara, mas o aproveitamneto desta vantagem é baixo.

Especialistas apontam, principalmente, o alto custo dos equipamentos para a montagem desses projetos, que elevam o preço da energia gerada por essas fontes. Professor do departamento de engenharia mecânica da Universidade de Santa Catarina, Sergio Colle salienta que, diante do países como a Alemanha, Israel, Austrália, Estados Unidos, China e Grécia, o Brasil ainda é iniciante no aproveitamento da energia solar.

"Para a energia solar ser mais aproveitada, será preciso, sem dúvida, uma política governamental. Isso foi feito nos países mais adiantados nesta área e aqui não poderia ser diferente. Na China, por exemplo, houve grandes subsídios durante dez anos. Só poderá haver futuro se houver política pública", afirma o especialista, que lembra que o custo da geração solar varia de US$ 5 a US$ 7 por kilowatt/hora (kW/h), pelo menos cinco vezes mais que a geração hidrelétrica, cujo custo não passa dos US$ 1 mil por kW/h.

Colle aproveita para defender o uso de energias consideradas como vilâs por muitos. Ele destaca que o aproveitamento correto da energia nuclear e da geração via carvão pode ser positiva do ponto de vista ambiental. Em relação à energia nuclear, o professor é um entusiasmado adepto do maior uso dessa fonte.

"Devemos ter atenção com os resíduos. No restante, do ponto de vista ambiental, o uso da energia nuclear é uma das melhores opções", ressalta.

No caso do carvão, Sergio Colle afirma que a opção pelo carvão limpo, em comparação com o carvão convencional, implicaria, em pelo menos, 50% menos emissão de gases poluentes na atmosfera. O custo, por outro lado, seria o dobro. Para cada kW/h gerado pelo carvão limpo, o custo é de US$ 2 mil, o dobro do verificado com o carvão convencional.

A melhor utilização dessas fontes de energia será um dos principais tópicos dos debates da primeira edição da Eco Power Conference - Fórum Internacional de Energia Renovável, de 28 a 30 de novembro, em Florianópolis (SC). Ricardo Bornhausen destaca que a geração de energia limpa será a maior necessidade deste século, e a expectativa é que a conferência ajude a fomentar o mercado nacional, do ponto de vista tecnológico.

"Na conferência, vamos tratar de financiamentos, tão necessários para a evolução desse mercado, créditos de carbono e até do marketing, por exemplo, a importância disso. Essa é a primeira grande iniciativa sobre o tema no País, além de ter um perfil internacional", argumenta.

A meta, segundo Bornhausen, é perpetuar a discussão sobre a energia renovável, que segundo ele, vinha sendo feito isolada e esporadicamente no País. A intenção é que o Eco Power seja um fórum permanente para debates sobre o segmento.

Serão discutidos temas como energia eólica , mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global, biodiesel e etanol, neutralização de carbono, entre outros. Como palestrantes, estão confirmados o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o prêmio Nobel da Paz no ano passado, Muhammad Yunus, o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, e o ex-ministro da Educação, José Goldemberg, um dos principais especialistas no assunto, no Brasil.

Power Energéticas/Jornal do Commercio

Fonte: Carbono Brasil

  
  

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