Leilão de energia eólica: soprando na direção certa

Hoje, o país conta com 602 MW em operação e 260 MW em construção de produção eólica.

  
  

Foi realizado, esta semana (14/12), o primeiro leilão exclusivo para energia eólica no Brasil. Dos 339 empreendimentos que disputaram o leilão, 71 foram contratados, o que disponibilizará 1.807,7 MW adicionais ao setor elétrico brasileiro até 2012. Hoje, o país conta com 602 MW em operação e 260 MW em construção de produção eólica.

O WWF-Brasil acredita que o leilão contribui de forma positiva para a diversificação das fontes de geração de energia elétrica no país, minimizando eventuais impactos climáticos no setor de energia elétrica e contribuindo para um futuro livre de emissões de gases de efeito estufa. Além disso, demonstra o potencial da energia eólica para alavancar o desenvolvimento regional, já que o Nordeste acolherá 63 dos 71 empreendimentos contratados.

“É um passo muito importante na direção certa”, afirmou Carlos Rittl, coordenador do Programa de Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil. De fato, de acordo com estimativas oficiais da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o país possui um potencial de 145 GW, superior a toda a potência instalada atualmente. “Aproveitar o enorme potencial existente no país é uma ação lógica que não depende de ajuda externa, mas sim de escolhas estratégicas feitas internamente”, disse Rittl.

Para ele, o leilão demonstra claramente a vocação do país para as fontes renováveis de energia. Rittl explica que a energia eólica é complementar aquela gerada por hidrelétricas, reforçando, assim, a solidez do sistema elétrico. “Não é um embate entre hidrelétricas e outras fontes renováveis. Como aqui predomina a energia hídrica, trata-se de um embate entre fontes térmicas movidas a combustível fóssil e outras fontes renováveis, como eólica ou biomassa”.

Energia limpa e competitiva -- Com preço médio de R$ 148,39, cerca de 21% abaixo do preço máximo exigido, o leilão também mostrou, na prática, o que muitos desconfiavam, na teoria – a energia eólica é mais barata do que térmicas a diesel e, dependendo das condições de oferta, do que térmicas a gás natural.

No entanto, mesmo considerando os resultados positivos do leilão, país ainda precisa, na opinião do WWF-Brasil, desempenhar esforços consideráveis para que a energia eólica ocupe posição de destaque no país. A energia eólica atualmente representa somente 0,57% de todo o potencial instalado no país e 1,42% daquele em construção. De acordo com a Agenda Elétrica Sustentável 2020, estudo do WWF-Brasil que aponta meios para atingir um crescimento mais sustentável no setor elétrico brasileiro, a energia eólica poderia responder por até 6% de toda a energia elétrica gerada no país até 2020.

“Precisamos desenvolver ou reforçar instrumentos específicos não somente para a energia eólica, mas também para as outras fontes de energia renovável não-convencional. Como a energia eólica, a biomassa possui um potencial muito grande que ainda não contribuiu plenamente para a geração de energia elétrica no país”, concluiu Rittl.

Fonte: WWF

  
  

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