Resíduos florestais do Brasil podem gerar energia para a Europa

A CEE - Comunidade Econômica Européia está discutindo com o governo brasileiro, por intermédio do LPF - Laboratório de Produtos Florestais do Ibama, a possibilidade de utilização de parte das 200 milhões de toneladas de resíduos vegetais produzidas anual

  
  

A CEE - Comunidade Econômica Européia está discutindo com o governo brasileiro, por intermédio do LPF - Laboratório de Produtos Florestais do Ibama, a possibilidade de utilização de parte das 200 milhões de toneladas de resíduos vegetais produzidas anualmente no país para a geração de energia limpa e renovável em substituição aos combustíveis fósseis.

A França e a Espanha, grandes interlocutoras da CEE com o Brasil, buscam alternativas energéticas nos resíduos de madeira e de carvão vegetal, como o briquete (pó de serragem e de cascas vegetais compactados), do qual o LPF/Ibama é grande incentivador, para substituir a energia de fontes poluentes.

Para analisar o assunto, o representante no Brasil do CIRAD - Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento - Etienne Hainzelin e o pesquisador do CIRAD Forêt de Montpellier, na França, Alfredo Napoli, reuniram-se sexta-feira (13/3), no Ibama, com pesquisadores do LPF e produtores de energéticos compactados de origem vegetal.

Na reunião foi tratada a viabilidade do transporte de briquetes em longas distâncias e reforçado o intercâmbio científico-tecnológico Brasil/França na área de energia da madeira. O LPF/Ibama, que há muitos anos trabalha com uma planta industrial de fabricação de briquetes em sua sede, em Brasília, foi responsável pela criação de mais de 40 usinas de briquetagem em funcionando no país.

Na reunião foi analisada, também, a criação da associação dos produtores de energia de origem vegetal - a mais barata fonte alternativa e a única armazenável - e sua participação no projeto de Valorização Energética de Resíduos Industriais do LPF/Ibama.

O interlocutor oficial do governo brasileiro junto ao CIRAD, o pesquisador do LPF/Ibama, Waldir Ferreira Quirino, PhD em Valorização Energética de Resíduos, disse que é grande o interesse dos países da Comunidade Econômica Européia em estreitar a cooperação técnica e científica com o Brasil, devido às altas taxas cobradas pela emissão de poluentes provenientes da energia convencional.

Ele sustentou que as 200 milhões de toneladas de biomassa (resíduos de madeireira e agro-industriais) produzidas anualmente, e não utilizadas no Brasil, colocam o país em lugar privilegiado para a exportação de briquetes.

Só em resíduos de madeira provenientes do processamento industrial e da exploração florestal sustentável, são cerca de 50 milhões de toneladas/ano.O intercâmbio Brasil/França vigora desde 2001, com ações mútuas do LPF/CIRAD.

O centro francês, que equivale à Embrapa no Brasil, vem trocando tecnologia com os pesquisadores do LPF/Ibama. Como contrapartida, o CIRAD apóia os estudos que o LPF desenvolve sobre Valorização Energética de Resíduos Industriais, assim como a implantação dos modernos sistemas de tratamento de resíduos e de carvão vegetal, em estágios avançados em países da CEE, além de formas de agregar qualidade aos resíduos.

É tal o valor dos resíduos como fonte de energia, que trinta quilos de briquetes seriam suficientes para iluminar uma residência que consome 100 kWh/mês de eletricidade hidráulica, garante Quirino.

Ele diz ainda que apenas setenta por cento da biomassa vegetal produzidas no país abasteceriam as cerca de 40 milhões de residências brasileiras.

O volume de biomassa disponível no país para aproveitamento energético e a tecnologia para a fabricação de briquete serão apresentados por Waldir Quirino no Congresso Europeu de Compactação de Resíduos, de 03 a 05 de março, na Áustria.

Fonte: Ibama

  
  

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Denise Ransolin Soranso

Denise Ransolin Soranso

05/03/2009 22:06:21
Nossa achei muito interessante a idéia, pois eu moro em uma região onde a matéria prima para fabricação de briquetes está estocado em pátios de madeireiras sem utilidade nenhuma, e eu como estudante de Engenharia Florestal dou pleno apoio a essa iniciativa, pois além de ajudar a diminuir o uso de combústivies fósseis, ajudará na diminuição de resíduos florestais que ficam estocados.

Tiago henrique

Tiago henrique

25/09/2008 12:01:25
acho uma boa ideia se for posto em pratica