Uso múltiplo da floresta recebe certificado FSC com produtos inéditos

O WWF-Brasil, o Centro dos Trabalhadores da Amazônia – CTA e o Instituto Internacional de Educação do Brasil – IEB promovem uma reunião-almoço às 12h30 desta sexta-feira (26/12) em Brasília para apresentar a certificação da floresta manejada p

  
  

O WWF-Brasil, o Centro dos Trabalhadores da Amazônia – CTA e o Instituto Internacional de Educação do Brasil – IEB promovem uma reunião-almoço às 12h30 desta sexta-feira (26/12) em Brasília para apresentar a certificação da floresta manejada pela Associação dos Seringueiros da Reserva Extrativista São Luiz do Remanso, no Acre.

O evento acontece durante a reunião do Grupo de Trabalho do Manejo Comunitário na Amazônia. No evento será lançado o vídeo sobre o Grupo de Produtores Florestais Certificados do Acre.

Esta é a primeira área no Brasil a obter o certificado de manejo comunitário de uso múltiplo, como resultado do trabalho desenvolvido no Programa do Consórcio Amazoniar, que é integrado WWF-Brasil, CTA, FSC Brasil, Kanindé Associação Etno-Ambiental e SOS Amazonia, e tem o apoio da USAID.

Em abril deste ano, uma área de manejo comunitário em Porto Dias que já havia certificado a madeira conquistou a certificação do primeiro produto não-madeireiro, o óleo de copaíba. O que é único agora é a certificação simultânea de diversos produtos, inclusive dois inéditos, que são a jarina e as cascas de árvores.

A certificação FSC (Forest Stewardship Council ou Conselho de Manejo Florestal) garante que a floresta é explorada de forma legal e sustentável, ou seja, ecologicamente correta, socialmente justa e economicamente viável, beneficiando a sociedade como um todo.

A floresta certificada no Projeto de Assentamento Extrativista São Luís do Remanso tem uma área de 7.205 hectares e os produtos extraídos que tem o selo verde FSC são a madeira em tora, cascas de árvores, o óleo de copaíba e a semente de jarina.

A jarina, também conhecida como marfim vegetal, é uma semente de palmeira de grande beleza, usada para fazer bijuterias. A copaíba é uma espécie rara e seu óleo despertou o interesse das indústrias farmacêutica e cosmética devido a suas propriedades cicatrizante, anti-inflamatória e diurética. Já as árvores madeireiras existentes na área somam mais de uma centena de espécies.

A certificação dessa área beneficia diretamente 47 famílias: 25 estão envolvidas com o manejo da jarina, 8 com o manejo de copaíba e 14 com o manejo da madeira. Mas além dessa floresta que já recebeu o selo verde, o Projeto de Assentamento Extrativista de São Luís do Remanso, localizada no município de Capixaba, no Acre, tem um total de 39,570 hectares e inclui duas outras áreas que estão sendo manejadas e poderão ser certificadas no futuro, explica Pedro Bruzzi, coordenador do projeto pelo CTA, que assessora diretamente a comunidade.

O processo de certificação foi conduzido pelo Imaflora, representante do Brasil da certificadora credenciada Rainforest Alliance.

O uso racional dos recursos naturais é importante para manter em pé a maior floresta tropical do mundo, bem como toda a biodiversidade que ela abriga, mas também para garantir o sustento das populações tradicionais, diz Luís Meneses, coordenador do Programa Amazônia do WWF-Brasil.

E a certificação FSC é uma garantia de que, naquela área, é isso o que acontece. Ao mesmo tempo, o selo FSC abre novos nichos de mercado e agrega valor ao produto, e com isso melhora a vida da comunidade local e da sociedade como um todo.

O vídeo sobre o Grupo de Produtores Florestais Certificados no Acre - GPFC inicia com uma comparação das realidades do seringueiro que deixa a floresta para viver na periferia da cidade e daquele que permanece na floresta, para depois contar a história e as conquistas do Grupo, hoje integrado por 13 associações.

O GPFC permitiu a conscientização de 35 comunidades sobre o manejo florestal, a formação de 62 líderes comunitários e a criação de um canal para interlocução política com o Governo do Estado.

Outra realização importante foi a comercialização conjunta para compradores em São Paulo, com 230 m3 de madeira serrada na primeira remessa, e a duplicação do preço de venda da madeira de produção comunitária, que passou de R$ 400,00 para R$800,00 por m3. Metade da renda obtida com a venda é reinvestida na produção.

O GPFC já está negociando, para a safra de 2004, uma participação nos lucros de uma empresa compradora, Tropic Art. Hoje há 4 florestas comunitárias certificadas no Acre, totalizando 14.114 hectares.

O GPFC conta, desde julho de 2002, quando foi criado, com a assessoria técnica e a animação do CTA e o apoio técnico e financeiro do WWF-Brasil. O vídeo é uma realização do WWF-Brasil, com apoio do CTA, produção da Trilha Ambiental e direção de Regina Vasquez, assessora de Comunicação do WWF-Brasil.

O agente florestal comunitário Neovane Ramos de Lima, tesoureiro da Associação dos Seringueiros da Reserva Extrativista São Luis do Remanso, vem do Acre para representar o GPFC no evento.

Serviço:

Data: Sexta-feira, 26 de novembro de 2004, às 12h30

Local: sede do IEB - SHIS QI 05 - bloco F - sala 101-Centro Comercial Gilberto Salomão - Lago Sul - Brasília, DF - Tel (61) 248-7449

Fonte: WWF-Brasil

  
  

Publicado por em