Vida digna e respeito ao meio ambiente podem andar juntos, revela projeto

As pesquisas sobre sistemas agroflorestais em Rondônia , iniciadas em 1978 no Campo Experimental da Embrapa em Ouro Preto d`Oeste, a 340 quilômetros de Porto Velho , têm possibilitado a melhoria da qualidade de vida de agricultores familiares no Estado.

  
  

As pesquisas sobre sistemas agroflorestais em Rondônia , iniciadas em 1978 no Campo Experimental da Embrapa em Ouro Preto d`Oeste, a 340 quilômetros de Porto Velho , têm possibilitado a melhoria da qualidade de vida de agricultores familiares no Estado.

A potencialidade dos sistemas, capazes de modificar o uso da terra e a capacidade produtiva dos solos, apresenta como diferencial uma das alternativas para a manutenção do `desenvolvimento sustentável` na Amazônia, através do aumento de renda do produtor sem agredir o meio ambiente.

Sistemas agroflorestais são caracterizados pela associação entre espécies perenes e de ciclo curto ou médio, como espécies florestais e café plantados em uma mesma área, por exemplo.

No Campo Experimental, o manejo agroecológico do café direciona as pesquisas por meio de experimentos da cultura consorciados com 3500 seringueiras, onde técnicos realizam a sangria diária de 2500 plantas em uma área de cinco hectares em parceria com uma cooperativa do município.

Na vertente agroecológica, a Associação dos Produtores Alternativos (Apa), de Ouro Preto d`Oeste, associação sem fins lucrativos criada em 1992 com a proposta de promover atividades sustentáveis entre seus associados, oferecendo condições para a permanência do agricultor familiar no campo, vem intensificando parcerias com a
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, para buscar a capacitação dos seus produtores.

Inicialmente formada por um grupo de oito famílias ligadas ao sindicato dos trabalhadores rurais, que sobreviviam praticamente da apicultura, hoje a entidade integra 250 associados e mais 150 produtores aguardam o chamado `período de análise` para entrarem na associação.

Os critérios para fazer parte da Apa, segundo a presidente Marly Feiger, vão desde a prática da agricultura familiar focada na produção agroecológica, no diagnóstico do sistema produtivo do agricultor até o tamanho da propriedade, estabelecida em no máximo 100 hectares.

Produtores da região de Ouro Preto d`Oeste e de mais cinco municípios localizados em um raio de 100 quilômetros,Urupá, Teixeirópolis, Mirante da Serra, Nova União e Vale do Paraíso, trabalham com a ideologia do grupo, focada no conceito de desenvolvimento sustentável e produção integrada.

`A saída para nossos produtores é diversificar a produção, abandonando o modelo tradicional de uso e ocupação da terra, e atuar na recuperação de áreas degradadas, promovendo os sistemas agroflorestais`, explica Marly.

Os agricultores associados entregam os produtos `in natura` na Apa e a entidade fica responsável pela execução do segundo elo da cadeia produtiva: a industrialização. Entre os benefícios, os associados não pagam frete para o transporte dos produtos e têm assistência técnica garantida, realizada pelos `produtores técnicos`, profissionais sem formação teórica, mas com experiência na prática.

Quem se destaca na produção de determinada cultura e é associado à Apa é candidato à função. Responsabilidade social norteia trabalhos Palmito de pupunha in natura O
carro-chefe da associação é o palmito de pupunha, que já está sendo exportado para a França desde 2003, ano em que foram vendidas 45 toneladas.

Em 2004, a previsão é dobrar a quantidade. O conceito de diversificação da produção e segurança alimentar tem provocado reflexos positivos nas famílias associadas.
Segundo a presidente, a dieta alimentar das famílias recém associadas é limitada a um ou dois produtos.

`Daí a idéia de fomentar e garantir uma dieta saudável e ecologicamente correta`, explica.

O conceito de diversificação da produção e segurança alimentar tem provocado reflexos positivos nas famílias associadas. Segundo a presidente, a dieta alimentar das famílias recém associadas é limitada a um ou dois produtos.

`Daí a idéia de fomentar e garantir uma dieta saudável e ecologicamente correta`, explica.

Hoje, a Apa industrializa e comercializa mais de 17 produtos, além de orientar seus associados na introdução dos sistemas agroflorestais e realizar treinamentos para
disseminar a técnica.

Nesse ponto entra a contribuição da Embrapa, especificamente de pesquisadores e técnicos da Unidade de Rondônia. A valorização das mulheres também é estimulada, que atuam no beneficiamento de polpas de frutas regionais, na produção de doces, geléias, licores e artesanato.

`Já são mais de 100 mulheres que assumem maior participação na renda familiar`, explica Marly.

Oitenta por cento da infra-estrutura da Apa é gerada pelo fluxo orçamentário das vendas, proveniente da produção, industrialização e comercialização dos produtos. Vinte por cento vêm de projetos e recursos de doação. Em relação aos projetos, a principal fonte financiadora é o Ministério do Meio Ambiente, através do Fundo Nacional para o Meio
Ambiente (FNMA).

O resultado são produtos `diferentes` para muita gente da cidade grande, mas indispensável para quem vive na roça. É o caso da farinha do mesocarpo de babaçu, rico em fibras, amido, vitaminas e sais minerais e indicado para prisão de ventre.

O produto tem propriedades anti-inflamatórias e analgésicas e é bastante procurado por pessoas em tratamento de reumatismo, artrite, úlceras e inflamações em geral.

Já o pó da casca de ovo, que lembra um talco de tão fino,é rico em cálcio e fósforo e auxilia no crescimento e na prevenção da osteoporose, na gravidez e na amamentação. A loja natural oferece também guaraná em pó, própolis, óleo de copaíba, tintura de eucalipto, mel de abelha, doces de frutas da Amazônia e licores.

Consciência ecológica fora do papel

Os produtores associados , praticantes de um discurso que impressiona pela consciência ecológica , são provenientes de regiões brasileiras bastante exploradas, como Minas Gerais, Paraná e São Paulo. Antônio Abílio Siqueira – ou seu Abílio, como prefere ser chamado – veio de Minas e é um dos sócios fundadores da Apa Ficou famoso na comunidade depois que o presidente Lula visitou sua propriedade em agosto último, quando experimentou a garapa feita a partir do caldo da cana `Mulata Pelada`, variedade introduzida na região pela Embrapa Rondônia que se destaca em produção, produtividade e adaptação às condições ambientais.

Foi também entrevistado pelo Globo Rural, onde seu meio de transporte – a zorra, uma junta de búfalos puxando uma espécie de carroça sem rodas – serviu para levar a equipe do programa à área onde mantém seu sistema agroflorestal.

Seu Abílio cultiva café consorciado com cupuaçu e outras espécies florestais e está em processo de certificação orgânica do café conilon pelo Instituto Brasileiro
Biodinâmico (IBD).

`Se desmatar mais, nossa terra fica degradada e vou para onde? Já vim com minha família de Minas Gerais e não pretendo sair de Rondônia`, revela.

José Marinho dos Santos, também entrevistado pela equipe do Globo Rural, é outro exemplo de consciência. Em sua propriedade, dos 22.5 hectares em Ouro Preto d`Oeste, oito são ocupados por sistemas agroflorestais.

`Cultiva café conilon no meio do mato`, dizem os vizinhos. José Marinho assume uma postura bem ecológica e deixa as duas culturas – árvores e café – conviverem à maneira que a natureza manda.

De vez em quando realiza a poda e capina os pés, `mas bem de vez em quando mesmo`, brinca outro produtor. Para controlar pragas e doenças, como a broca do café, por exemplo, ele utiliza o fungo beauveria bassiana, resultado de pesquisas desenvolvidas pela Embrapa.

Pesquisadores e técnicos da Embrapa Rondônia realizam o acompanhamento, indicam a dosagem e verificam a eficácia do controle biológico.

`Trago o café do mato, lavo, seco no terreiro e já ganhei dois prêmios de qualidade`, diz, orgulhoso,dizendo que já faturou R$ 5 mil pela primeira colocação no concurso. Prova de que conhecimento e respeito ao meio ambiente
podem gerar mais qualidade de vida para as gerações futuras.

Fonte: Embrapa Rondônia

  
  

Publicado por em

Andreza ramos

Andreza ramos

07/11/2008 10:41:06
isso é incrivel tudo para mudar o meio ambiente

Raquel de Almeida

Raquel de Almeida

24/09/2008 11:19:07
texto ótimo excelente, vou fazer uma dissertação em cima dele

Dylan Herrera

Dylan Herrera

01/09/2008 19:25:10
deveriam fazer um texto dissertativo sobre isso.....e publicar na internet...!!!!

Isabel alves torres

Isabel alves torres

27/08/2008 14:55:17
acho q deveria ser mais esclarecedor,
falar sobre isso de uma forma mais fácil de se entender
esse texto é muito complexo.....