Workshop Sul-Americano de Anfíbios acontece em Belo Horizonte-MG

Começou ontem, em Belo Horizonte, o Workshop Sul-Americano de Anfíbios, organizado pela ONG ambiental Conservation International. A iniciativa, que reúne cerca de 70 pesquisadores internacionais, tem por objetivo avaliar o estado das mais de mil espécies

  
  

Começou ontem, em Belo Horizonte, o Workshop Sul-Americano de Anfíbios, organizado pela ONG ambiental Conservation International. A iniciativa, que reúne cerca de 70 pesquisadores internacionais, tem por objetivo avaliar o estado das mais de mil espécies de anfíbios da América do Sul em situação de ameaça, usando as categorias e critérios da Lista Vermelha da IUCN - The World Conservation Union.

O encontro permite que pesquisadores de várias regiões compartilhem seus estudos para compor um mapa da distribuição de cada espécie, codificando-as por habitat, e descrevendo as principais ameaças e tendências de suas populações.

Os resultados estarão disponíveis para todo o público pela Internet e deverá ser usado para definir prioridades de conservação e de novas pesquisas.

Por dependerem de dois meios distintos de ambientes para a sobrevivência -o terrestre e o aquático - os anfíbios apresentam grande sensibilidade às mudanças climáticas, como as variações de temperatura e poluição, por exemplo.

Seus sistemas cutâneo e respiratório, bastante particulares, fazem dos anfíbios o primeiro dentre todos os grupos de animais a apresentar anomalias genéticas, deformações físicas e declínio de populações frente a pressões que alteram seus habitats naturais.

O Brasil detém uma biodiversidade muito elevada de anfíbios, estimada em mais de 600 espécies, ou seja, 11% das 5.500 espécies existentes no planeta.E esse é ainda um índice mínimo, uma vez que espécies indeterminadas e registros de descrição de espécies isoladas não estão aí contabilizados.

Além disso, as pesquisas mais abundantes dizem respeito aos anuros(sapos e pererecas), enquanto informações sobre cobras cegas e salamandras são raras, pouco se conhecendo sobre sua distribuição geográfica.

Desde o início dos anos 90, o Brasil tem realizado workshops locais para levantar informações sobre anfíbios, como ocorreu na Amazônia e no Cerrado.

`Verificamos um considerável aumento de dados sobre a distribuição de anfíbios no país, com várias novas espécies descritas recentemente. Mas este conhecimento ainda é muito fragmentado e pouco disponível na literatura
especializada.

Espera-se neste encontro consolidar uma rede de pesquisadores que dêem continuidade e coesão aos dados levantados sobre o grupo de anfíbios, sobretudo no que diz respeito ao nível de endemismo, que nos ajuda a estabelecer áreas prioritárias de conservação, comenta Adriano Paglia, pesquisador da Conservation International e coordenador do Workshop.`

Esse gênero de Workshop está sendo implementado em várias partes do mundo para atingir um nível detalhado de informações sobre os anfíbios. Este é o oitavo Workshop da série, que já teve lugar em: Hobart, Austrália;Chengdu,China; Coimbatore, Índia; Bangkok,Tailândia;Watamu,Kenya;La Selva,Costa Rica; e Honolulu, EUA.

O Workshop que vai até sexta-feira, dia 4 de abril, cobrirá todo o território sul-americano, exceto porção andina, incluindo o Brasil, Paraguai, as Guianas, a Venezuela e as regiões amazônicas da Colômbia, Equador, Peru e Bolívia.

A Conservation International (CI)

Foi fundada em 1987 com o objetivo de conservar o patrimônio natural do planeta - nossa biodiversidade global -e demonstrar que as sociedades humanas são capazes de viver em harmonia com a natureza.

Como uma organização não-governamental global, a CI atua em mais de 30 países, em quatro continentes A organização utiliza uma variedade de ferramentas científicas, econômicas e de conscientização ambiental, além de estratégias que ajudam na identificação de alternativas que não prejudiquem o meio ambiente.

Fonte: Conservation International

  
  

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