10 equipes completaram o maior percursso feito no Brasil em provas de canoagem num único dia

Depois de superar o mar agitado, calor e o cansaço, os remadores do Paulistano venceram o Desafio “Volta à Ilha de Santo Amaro”, a abertura do Brasileiro de Canoas Havaianas, realizado sábado (dia 29/3), na Baixada Santista, litoral de SP. A c

  
  

Depois de superar o mar agitado, calor e o cansaço, os remadores do Paulistano venceram o Desafio “Volta à Ilha de Santo Amaro”, a abertura do Brasileiro de Canoas Havaianas, realizado sábado (dia 29/3), na Baixada Santista, litoral de SP. A competição teve 10 equipes, que remaram 80 km, a maior distância feita em disputas de canoagem no Brasil num único dia.

A vitória do Paulistano foi dupla, tanto na disputa masculina quanto na mista (três homens e três mulheres o tempo todo na canoa), confirmando os títulos nacionais das duas equipes em 2002. No masculino, o time não deu chances aos rivais e terminou a prova com uma marca incrível - 6h41m10s. O único adversário com chances de ameaçar a vitória, Vit Shop/EAS, acabou virando duas vezes e perdeu tempo importante.

Na disputa mista, o Paulistano/ Memorial teve um desempenho acima da média e também remou na frente do início ao fim, chegando a superar uma das equipes masculinas favoritas, a Brucutus/ Jaguareguava, além de ficar muito perto da Vit Shop, que é campeã nacional de velocidade. O time terminou o desafio em 7h09m40s, apenas 4minutos e 24 segundos atrás da vice-campeã masculina.

A competição consolidou a modalidade no Brasil, atraindo os melhores atletas de provas de aventura. Só para ter uma idéia, dos 12 brasileiros que disputaram a Eco Challenge nas Ilhas Fiji, nove competiram no desafio. Cinco deles estavam nas duas equipes vencedoras. Eduardo Coelho e José Roberto Pupo remaram na equipe masculina, comandada por Fábio Paiva, o maior incentivador das canoas havaianas no País.

Já as meninas da Atenah, Silvia Guimarães, a Shubby, Eleonora Audrá e Karina Bacha, reforçaram o Paulistano/Memorial, que tem como capitão, Miguel Franco, o mais velho competidor na prova, com 47 anos de idade, e o mais experiente, com nada menos que 10 voltas à Ilha de Santo Amaro. Outros três, Marina Verdini, Fabrízio Giovannini e Victor Lopes, estavam na equipe Canon Quasar/ Lontra Radical, que também foi excelente em sua estréia, garantindo o 2º lugar na mista.

ENJÔOS :

A prova foi dura. Além do sol forte, os competidores enfrentaram na 1ª metade do trajeto, o mar agitado, que exigiu mais esforço, tanto para manter a velocidade quanto para equilibrar a canoa, e também causou enjôo em boa parte das equipes de apoio e da imprensa. Assim como nas corridas de aventura, a escolha do caminho mais rápido também foi decisiva.

Os times largaram de Santos, na Ponta da Praia, fizeram toda a costa de Guarujá, fechando a metade da prova no Canal de Bertioga. Desceram todo o canal até o Porto de Santos e finalizaram o trajeto novamente na Ponta da Praia. Algumas equipes optaram por ir mais para mar aberto, enquanto outras foram mais perto da costa, mas tendo de enfrentar as ondas, que podiam virar a canoa, como aconteceu em alguns casos.

Vale destacar que a canoa havaiana, apesar de ser um transporte oceânico, é muito instável e os seis remadores precisam sempre estar atentos para que não vire.

A embarcação existe há 3 mil anos como meio de transporte nas ilhas da Polinésia e foi responsável pela colonização das ilhas do Pacífico, principalmente o Havaí. Antes eram feitas de madeira koa (de um único tronco), mas hoje, devido à proteção ao meio ambiente, são produzidas em fibra de vidro, ganhando cores variadas. Longas, elas medem 14 metros, tem apenas 50 cm de largura e um estabilizador lateral (chamado de ama), fixado por dois suportes (os yakos).

REVEZAMENTOS DECISIVOS :

Nas duas equipes vencedoras, além da força e sincronia nas remadas, prevaleceu a estratégia de trocas durante o percurso. É que cada time teve atletas alternates, que podiam fazer revezamento. Na canoa havaiana são seis remadores e todos os times levaram mais três atletas.

“A equipe está de parabéns. Entramos na prova com várias estratégias preparadas e poderíamos mudar durante o percurso, dependendo das condições que teríamos pela frente. Aparentemente o mar estava bom, mas com alguns quilômetros já vimos que não seria fácil. Mostramos um excelente entrosamento e fizemos trocas perfeitas”, destacou Fábio Paiva.

“Eu, como capitão, posso dizer que me emocionei bastante com a união e a disciplina da equipe, que acreditou naquilo que foi determinado e cumpriu a estratégia adotada”, acrescentou Paiva, que teve como companheiros, Coelho, Pupo, Maurício Borsari, Rafael Leão, Sérgio Pietro, Caio Romano, Ricardo Muller e Felipe Benassi, um time que mesclou a experiência com a juventude.

Na Paulistano/ Memorial os revezamentos foram constantes, permitindo que a equipe estivesse sempre renovada e remando com vigor. O mar agitado acabou causando um grande susto. É que o taco (peça de madeira que dá maior estabilidade a canoa) foi perdido e a sapatilha da remadora Gisele Volpi foi improvisada no lugar.

“Saímos num horário em que o mar estava virando, tanto que a canoa levantou várias vezes. Quando a equipe está com um astral bom a canoa anda, o que foi o nosso caso”, disse Miguel.

“As meninas estão de parabéns, posso dizer que chegamos na praia da mesma forma que saímos. Particularmente, participar de uma competição como essa era um sonho, e acho que ela tem tudo para se tornar uma prova internacional”, completou o capitão da Paulistano Memorial, que contou também com Bebeta Borsari, Diego do Vale, Fábio Maradei e Rafael Busato.

Na disputa, o time remou sempre na frente e nos 4 km iniciais teve a Quasar/Lontra Radical no seu encalço. “O desempenho foi melhor que o esperado. Eu o Fabrizio e o Victor não temos experiência em competições de canoa havaiana e não tivemos tempo para treinar muito. Mas por causa das provas de aventura estamos acostumados a sofrer. Aqui o movimento repetitivo cansa, exige demais da parte lombar. Mas foi muito legal.

Eu me senti bem nos quilômetros finais. Para quem faz provas que levam dias, uma competição de algumas horas passa rápido. Acho que essa modalidade tem tudo para criar uma base sólida”, disse Marina Verdini.

Outro destaque do evento foi Carmen Lúcia da Silva, outra brasileira que esteve no Eco Challenge. Ela foi a única competidora que fez a prova toda, sem revezar, remando pela equipe PBL, 3ª colocada na disputa mista.

“Estou inteira. Adorei”, comentou ao chegar. Agora, o próximo desafio das canoas havaianas deve ser a Travessia Santos-Ilhabela, com aproximadamente 120 km, no mês de junho.

O evento teve o patrocínio da Opium Fiberglass.

Organização: Canoa Brasil.

Realização: Associação Brasileira de Canoas Havaianas (Abracha).

Apoio: Prefeitura de Santos, através das secretarias de Esportes (Semes) e de Comunicação (Secom), Associação Brasileira de Esportes de Aventura (ABEA), Associação Sabesp, Guia Santos, Aeroart, Cláudio Ximenes, Ângelo Bartolotto e Dr. Clemar - Medicina Esportiva.

COLOCAÇÃO FINAL

CATEGORIA MASCULINA

1 -PAULISTANO – 6H41M10
2 - VIT SHOP/ EAS – 7h05M16S
3 -BRUCUTUS/ JAGUAREGUAVA – 7H2235S
4 - GESNER/LOBO DO MAR
5 – ESPÉRIA

CATEGORIA MISTA

1 – PAULISTANO/MEMORIAL – 7H09M40S
2 – CANON QUASAR/LONTRA RADICAL – 7H29M52S
3 – PBL – 8H01M37S
4 - BANDEIRANTES
5 - ESPÉRIA

Fonte: FMA Comunicação

  
  

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