Equipe de Waldemar Niclevicz parte para principal desafio nos Andes

Depois de enfrentar duas noites sob forte tempestade e mais de 40 centímetros de neve na escalada do pico de San Lorenzo, a equipe do projeto Mundo Andino, coordenada pelo alpinista Waldemar Niclevicz, está agora rumo ao San Valentin, o principal desafio

  
  

Depois de enfrentar duas noites sob forte tempestade e mais de 40 centímetros de neve na escalada do pico de San Lorenzo, a equipe do projeto Mundo Andino, coordenada pelo alpinista Waldemar Niclevicz, está agora rumo ao San Valentin, o principal desafio desta primeira expedição.

A equipe, de cinco alpinistas, saiu de São Paulo no dia 7 de janeiro e, até chegar à base do San Lorenzo, rodou mais de 6.075 quilômetros, percorrendo uma das regiões mais selvagens da Cordilheira dos Andes, a Carretera Austral, cenário de rara beleza onde a floresta disputa espaço com grandes glaciares.

O San Lorenzo foi primeira das mais de 100 montanhas que deverão ser escaladas durante os três anos de duração do projeto. A idéia é percorrer os 7.500 quilômetros da cordilheira a bordo do Andino, um supercaminhão 4x4 que está servindo de base para as escaladas.

O Mundo Andino é o projeto de vida de Waldemar, que tem paixão pelos Andes e pela comunidade Andina. Além da aventura, ele pretende levar atividades e projetos que ajudem no desenvolvimento sustentado da região e na melhoria das condições de vida da população.

Os alpinistas não ficaram mais tempo no San Lorenzo porque o grande objetivo desta primeira expedição é o San Valentin, a montanha mais alta da Patagônia, com 4.058 metros de altitude, e ainda mais difícil de ser escalada. Alguns alpinistas o definem como uma montanha de proporções himalaianas.

Exageros à parte, é realmente complexa, de difícil acesso, com um dos piores climas que se pode imaginar, situada no extremo nordeste do Gelo Patagônico Norte. Este campo de gelo possui aproximadamente 100 quilômetros de comprimento e uma largura de até 50 quilômetros.

Até o final de fevereiro os dias serão dedicados para enfrentar esta grande montanha. O caminhão Andino vai deixar a equipe perto do Lago Leones. Os alpinistas vão atravessar o lago de 10 quilômetros com um bote de borracha a motor para chegar até o acampamento base.

Depois serão dois mil metros de escalada vertical para chegar no Gelo Patagônico Norte, de onde terão que atravessar 25 quilômetros para chegar até a base da pirâmide do San Valentin.

A maior preocupação será com a orientação, pois o risco de se perder no meio das freqüentes tempestades é grande, como aconteceu exatamente há um ano com um grupo de alpinistas chilenos. Sete deles acabaram perdendo a vida.

Tempestade

Na escalada do San Lorenzo, os alpinistas foram surpreendidos por uma tempestade de neve e não conseguiram chegar ao topo do San Lorenzo, a segunda montanha mais alta da Patagônia, com 3.076 metros. Apesar de ser baixa em relação às escaladas de Waldemar – entre elas o Everest e o K2, ambas com mais de 8.000 metros – sua conquista conta com poucos êxitos por causa do rigoroso clima da região.

A equipe foi apenas até os 2.260 metros, um lugar chamado de Brecha, um colo que divide todo o maciço do San Lorenzo de um outro chamado de Cochrane. Após quatro horas de caminhada, os alpinistas chegaram ao mítico “Acampamento De Agostini”, situado a mil metros de altura, onde encontraram restos da velha cabana construída na década de 40, pelo famoso conquistador, o padre salesiano Alberto Maria De Agostini.

Os alpinistas enfrentaram vento, chuva e esbarraram num glaciar até chegar ao “Passo do Comedor”, a 1.960 metros. A idéia era montar o acampamento perto de Brecha e esperar o tempo melhorar para prosseguir na escalada.

Mas a neve começou a cair forte e, na manhã do dia seguinte já era quase impossível sair das barracas. A segunda noite demorou a chegar, e o barômetro despencou 12 milibares em 10 horas, indicando que o mau tempo iria continuar.

“Na segunda manhã as barracas estavam enterradas na neve por quase meio metro e a tempestade continuava nos castigando. A única alternativa era descer”, conta Waldemar. Segundo o alpinista, a descida o fez lembrar as piores tempestades enfrentadas no K2. Com a neve profunda era grande o risco de avalanches e o que garantiu retornar pelo mesmo caminho foi o GPS, já que na subida todos os pontos do percurso foram gravados. O vento parecia um furacão e os alpinistas chegaram ensopados na cabana De Agostini.

Fonte: Rose Amanthéa

  
  

Publicado por em