Velejador solitário dorme, encalha na praia e perde vitória na Regata Transat 6.50

O sono foi mais forte que a expectativa da chegada a Salvador e o francês Michel Mirabel, de 53 anos, acabou dormindo ao leme, extenuado após a travessia desde as Ilhas Canárias, vindo a encalhar com seu barco nas pedras da praia de Amaralina, bem em fren

  
  

O sono foi mais forte que a expectativa da chegada a Salvador e o francês Michel Mirabel, de 53 anos, acabou dormindo ao leme, extenuado após a travessia desde as Ilhas Canárias, vindo a encalhar com seu barco nas pedras da praia de Amaralina, bem em frente ao Largo das Baianas. Com isso, Mirabel perdeu a vitória na classe Série na regata França/Bahia Transat 6.50 para velejadores em solitário.

Por volta das 22:30 de sábado, Michel - que não sabe precisar por quanto tempo esteve cochilando - acordou com o forte tranco do seu veleiro Gwalarn ao montar, a todo o pano, as pedras, em Amaralina.

Depois do grande susto, a decepção: ele estava a apenas 12 milhas da linha de chegada, após cruzar o Oceano Atlântico, e há dois anos trabalhava na intenção de vencer a edição de 2003 da Transat 6.50 Charrente Maritime em sua classe, que é a dos barcos construídos em série.

Michel, sem qualquer ferimento, e o seu barco que surpreendentemente não sofreu maiores avarias - foram resgatados de madrugada pelos barcos de socorro da organização da regata em Salvador, a cargo do Centro Náutico da Bahia, tranqüilizando os demais participantes da competição,familiares e amigos que aguardavam sua chegada, no píer do CENAB.

Com o encalhe de Michel, a vitória na classe Série da regata Transat 6.50 ficou com o navegador Erwan Tymen (barco Pogo 2 Navy Lest), que cruzou a linha de chegada por volta da 0h30 e que ficou apreensivo ao assistir ao que aconteceu com Michael: “Nos últimos dias estávamos andando muito perto um do outro, e no momento do acidente, eu estava logo atrás, mas consegui mudar a rota, dando um bordo para fora, pois avistei o perigo a tempo”, comentou ao desembarcar,relatando: “a regata Transat 6.50 é bastante cansativa, mas a primeira etapa só foi alegria e momentos de prazer.

Já na segunda parte, depois da linha do Equador, pensei que não fosse conseguir”. Primeiro na classe Série, Erwan acabou na décima colocação geral da regata Transat 6.50 Charrente Maritime 2003. Os barcos de série são iguais e construídos de forma industrial. Já os veleiros 6.50 da classe Protótipos são mais técnicos e possuem tecnologia mais avançada, ficando mais rápidos e menos confortáveis.

Trabalho de resgate durou toda a noite

O trabalho de resgate do veleiro Gwalan foi difícil, e cuidadosamente executado pelo pessoal do Cenab para evitar que a embarcação fosse danificada ao desencalhar.

Às 6h0 da manhã, quando a maré começou a encher, três embarcações lançaram cabos, puxando o barco de seis metros e meio para fora, para o mar, após a avaliação de que não havia rasgos no casco.

Um grupo de terra, em cima do arrecife, empurrava o veleiro e um mergulhador acompanhava toda a operação até que finalmente às 9h30 o Gwan estava novamente flutuando ao largo, sendo rebocado até o píer do Cenab, onde atracou por volta das 11 da manhã.

Falando sobre a regata Transat 6.50, o jornalista francês Jean Pérez, responsável pelo noticiário da prova na Internet, comentou “ É preciso ser muito rápido, pois a única forma dos familiares e amigos terem notícias dos velejadores é através do site.

Nessa regata não é permitido nenhum contato, e assim é difícil produzir as matérias quando eles estão no mar, mas fazemos avaliações e previsões através dos sinais remetidos pelas balizas”, disse.

Nos últimos dias, uma depressão sobre a costa da Bahia fez com que o mar grosso e ventos acima de trinta nós dificultassem a chegada dos 60 participantes da competição a Salvador, obrigando o líder Samuel Manuard (da classe Protótipos e geral) a abandonar a prova com o mastro do seu barco quebrado, indo buscar abrigo em Aracaju SE)após receber auxílio de uma plataforma marítima da Petrobrás.

“A Bahia agora está bastante envolvida no cenário náutico mundial. No período de 1997 a 2004, estaremos recebendo 27 regatas internacionais, com a participação de velejadores internacionalmente conhecidos.

O sucesso destes eventos esportivos que chegam a Salvador, atraindo a atenção de toda a imprensa internacional é o fato de termos um ecossistema apropriado e um governo do Estado bastante interessado em introduzir a infra-estrutura necessária para as regatas oceânicas que chegam até nossa terra, beneficiando bastante o desenvolvimento do turismo e da economia local”, afirmou Raimundo Zacarias, diretor do Centro Náutico, que recepciona os velejadores da Transat 6.50.

Fonte: ZDL de Comunicação

  
  

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