Comercial de aniversário da Fanta trata período nazista como 'bons e velhos tempos'

O vídeo de aniversário de 75 anos do refrigerante Fanta está causando polêmica. A peça publicitária classifica o período em que a bebida foi criada como 'bons tempos'. O único problema é que os criadores do tradicional refri foram os nazistas

  
  
O comercial seria uma comemoração pelos 75 anos de criação da fórmula da Fanta

A Fanta e sua proprietária, a Coca-Cola Company se colocaram numa enrascada. A empresa símbolo do capitalismo norte-americano fez um comercial comemorando o aniversário de 75 anos da fórmula da Fanta. A história de criação do tradicional refrigerante sabor laranja não é das mais românticas e nem tem muito o que comemorar. A bebida foi criada pelo regime nazista durante a 2ª Guerra Mundial, em 1940.

Com a perda do controle de sua subsidiária na Alemanha para o regime nazista, a Coca-Cola viu suas fábricas serem usadas para servirem ao governo local e ajudarem no projeto de poder de Hitler. O país europeu era o segundo maior consumidor do refrigerante da marca no mundo, porém com o início da guerra foi cortado o envio de matéria prima a nação europeia. Sem ter como produzir Coca-Cola, a subsidiária alemã inventou um novo refrigerante de laranja, apelidado de 'Fanta'. Na época, foi utilizada mão de obra escrava na fabricação da bebida pelo governo nazista. A empresa se desculpou publicamente após o final da guerra, porém manteve a venda do refrigerante.

Nazismos x Grandes empresas
O caso da Fanta não é o único entre as grandes empresas mundiais que o regime nazista teve forte influência. Há outras multinacionais que entre diversas ações apoiaram, inclusive, financeiramente o governo de Hitler. Para crescer e se manter no poder ao longo de mais de uma década, o partido nazista contou com o apoio financeiro de gigantes da época e até usou suas tecnologias para agilizar o extermínio de judeus. Nos casos das empresas norte-americanas de refrigerante e tecnologia, mais especificamente a Coca-Cola e IBM, ambas perderam o controle de suas subsidiárias na Alemanha com o início da Guerra, que passaram a trabalhar sob ordens do regime nazista. Já a situação da tradicional gigante do ramo alimentício, a Nestlé, foi mais delicada, pois ela cooperou e financiou diretamente o governo de Hitler.

IBM
O caso da IBM é mais complicado, pois há provas documentais sobre o envolvimento do seu então CEO, Thomas J. Watson, com o regime nazista. O livro “IBM and the Holocaust” (“IBM e o Holocausto”, em português) escrito por Edwin Black afirma que a empresa apoiou o extermínio de judeus com máquinas que facilitavam a catalogação das vítimas e seu posterior extermínio. A empresa alega que perdeu o controle da subsidiária alemã após a intervenção nazista.

Nestlé
A Nestlé é outro exemplo de grande corporação que soube usar a guerra e sua proximidade com o nazismo para lucrar. A companhia alimentícia fez generosas doações ao partido e conseguiu ampliar suas fábricas nos países invadidos pelo regime. Também há relatos da empresa ter usado mão de obra forçada em sua produção. Poucos anos atrás, a Nestlé indenizou em mais de R$ 90 milhões os sobreviventes do holocausto, além de organizações judaicas. A empresa também se desculpou publicamente pelas suas atitudes do passado.

Dr. Oetker
O caso da empresa alemã de produtos alimentícios é considerado um dos mais emblemáticos. O seu ex-presidente, Rudolf-August Oetker foi membro do partido, defensor do holocausto e um dos maiores financiadores do regime nazista. A empresa também utilizou mão de obra escrava em suas fábricas durante o período. Neste caso, estas informações não foram divulgadas pela imprensa e sim pela própria Dr. Oetker. O atual presidente da companhia e filho do acusado, August Oetker, foi o responsável pela investigação interna que levantou as sérias acusações contra seu pai.

  
  

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