De chaminé ostentação à embriaguez salvadora. Conheça 10 curiosidades sobre o Titanic

Mais de um século após a tragédia, o luxuoso transatlântico ainda guarda 'segredos', como o cancelamento do treinamento de emergência horas antes do seu naufrágio e diversas manchetes de jornais sobre o desastre, que afirmavam não haver vítimas

  
  
Quando a notícia sobre o naufrágio chegou à imprensa, os jornais estavam incrédulos e muitos publicaram, em títulos garrafais, que todos os passageiros sobreviveram

Há exatos 104 anos, na madrugada de 14 para 15 de abril, o Titanic colidiu com um iceberg no Oceano Atlântico. Entre o choque e o fim do naufrágio foram pouco mais de 160 minutos e 1,5 mil vidas perdidas, em grande maioria por falta de botes e pelo total despreparo para situações de emergência. Desde então, a história nunca saiu do imaginário popular, mas algumas curiosidades sobre o épico transatlântico se mantiveram submersas a 3,8 mil metros de profundidade, juntamente com os destroços do mais luxuoso navio de sua época.

O Titanic levou consigo o que havia de mais moderno em relação às embarcações naquele fatídico ano de 1912, porém após mais de um século do naufrágio algumas histórias ainda surpreendem pelas tristes coincidências ou mesmo pela sorte na hora de escapar da morte. Entre os curiosos casos está o treinamento para uso dos botes salva-vidas, que aconteceria na noite do naufrágio e foi cancelado horas antes da colisão e o do padeiro-chefe, grande apreciador de destilados, que sobreviveu graças à bebida.

Único naufrágio envolvendo um iceberg
Quando se fala sobre o Titanic é impossível desassociá-lo do famoso iceberg, que causou seu naufrágio. O que muitos não sabem é que o responsável pelo acidente já circulava pelas águas da região há mais de 2 mil anos, idade estimada do bloco de gelo. Inclusive, o naufrágio, que é o único registrado envolvendo um iceberg, poderia ter sido evitado caso a torre de controle tivesse avistado o obstáculo cerca de 30 segundos antes. Outra 'solução' que teria impedido a tragédia seria um choque frontal, que causaria danos apenas nos compartimentos da proa do Titanic e não em sete deles, como ocorreu.

Padeiro sobrevivente
Um dos sobreviventes do naufrágio foi o padeiro-chefe do Titanic, Charles Joughin, que era um notório apreciador de bebidas destiladas. A ingestão exagerada de whisky pelo funcionário o ajudou a suportar o frio por mais de duas horas até ser resgatado do mar, no gélido Atlântico Norte. A ‘bebedeira’ ajudou a manter os órgãos internos do padeiro aquecidos, mesmo com a água estando numa temperatura média de -2ºC.

Sim, os botes salva-vidas saíram quase vazios
Uma cena famosa, que é representada em vários filmes sobre o naufrágio, são os botes quase vazios zarpando do navio. Pode parecer exagero, mas de fato os barcos, que deveriam estar lotados, foram lançados ao mar com uma quantidade bastante inferior a sua capacidade real de passageiros. Caso fosse respeitado o limite nos botes teria sido possível salvar quase o dobro de pessoas. O mais grave é que o projeto inicial do Titanic previa 64 barcos salva-vidas, número suficiente para atender todos os passageiros, mas apenas 20 foram instalados. A justificativa à quantidade inferior de botes foi para não comprometer a estética da embarcação.

Treinamentos de emergência
A coincidência mais infeliz no naufrágio do Titanic é que na noite do acidente estava marcado um treinamento para situações de emergência, mas o capitão da embarcação, Edward Smith, cancelou o exercício poucas horas antes do navio se chocar com o iceberg. O treinamento teria duração aproximada de 60 minutos e ensinaria os passageiros a usar os botes e coletes salva-vidas.

Localização das vítimas
Ao todo, o naufrágio do Titanic causou a morte de 1514 pessoas, mas destas apenas 336 foram resgatadas das gélidas águas do Atlântico. Entre os corpos encontrados, a maior parte foi enterrada na pequena cidade de Halifax, localizada na costa leste do Canadá. É nela que fica o cemitério com o maior número de vítimas do naufrágio do Titanic. Conhecido como 'Fairview', o local abriga os corpos de 121 passageiros e tripulantes que faleceram no navio.

Valor real dos bilhetes
Não é nenhuma novidade que as passagens para a viagem inaugural no Titanic eram caras, mas quanto custariam atualmente? O preço para um bilhete de 1º classe, em 1912, custava aproximadamente US$ 4.350, que atualizado equivaleria a 'apenas' US$ 69.900 (R$ 244,6 mil) por uma cabine de luxo. Já quem não tinha condições de pagar um 'apartamento' para viajar no Titanic poderia desembolsar US$ 40 (equivalente a US$ 900, em valores atuais) para dividir um quarto na classe C, com outras nove pessoas. O único problema é que só existiam duas banheiras para os 700 passageiros da terceira classe.

Bilionários e sortudos
Pode-se dizer que o chocolate salvou a vida de Milton Hershey, fundador da tradicional marca de guloseimas norte-americana. O bilionário havia comprado os bilhetes para a viagem inaugural do Titanic, mas devido a uma reunião de negócios de sua empresa não pode embarcar. Outro bilionário que também se salvou foi JP Morgan. Ele havia recebido as passagens de 'presente' do magnata do aço e amigo Henry Clay Frick, que não poderia usar os bilhetes que havia comprado. Como Morgan não pode embarcar no transatlântico, a luxuosa cabine foi cedida a J. Bruce Ismay, Presidente da White Star Line, que era a operadora do Titanic. Ao final, ele sobreviveu ao naufrágio, mas foi crucificado pela opinião pública da época.

Único nipônico a bordo
Masabumi Hosono era o único japonês a bordo na viagem inaugural do Titanic e conseguiu se salvar do naufrágio do transatlântico. O que deveria ser motivo de orgulho para a população do país nipônico se transformou num enorme problema para Hosono. Após chegar ao Japão, ele foi acusado de covardia por não ter morrido junto com as outras milhares de vítimas da tragédia. Seus conterrâneos nunca o perdoaram por escapar com vida.

Ostentando a chaminé
Entre os luxos do Titanic estão suas famosas chaminés que coroavam a imponente embarcação, mas muitos não sabem que apenas três das quatro, que foram instaladas, funcionavam de fato. A quarta servia apenas para ostentação. Na época, quanto mais chaminés um navio tinha, maior era sua potência. Conhecido como o transatlântico mais luxuoso do início do século XX, o Titanic justificava seus adjetivos.

Acidente sem vítimas?
Quando a notícia sobre o naufrágio do Titanic chegou à imprensa, na manhã do dia 15 de abril, os jornais ainda incrédulos não acreditavam que o navio havia afundado e menos ainda que pudesse haver vítimas. A certeza sobre o fato era tão grande que alguns tabloides da época afirmavam em títulos garrafais que todos os passageiros sobreviveram, entre eles o semanal britânico "News of the World". Apenas horas mais tarde que a magnitude da tragédia veio à tona e a imprensa se rendeu aos fatos verdadeiros. No auge da cobertura sobre o naufrágio, o "New York Times" chegou a publicar 75 páginas referentes ao acidente apenas numa edição.

  
  

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