Em 1500, Floresta Amazônica tinha cidade com mais de 8 milhões de habitantes

Localizadas numa área de 150mil km², as cidades eram interligadas por estradas e criavam um enorme centro urbano com milhões de habitantes.Com a chegada dos europeus, os índios foram dizimados e a natureza apagou os vestígios das antigas civilizações

  
  
Estas descobertas reforçam os relatos do passado que afirmavam existir longas áreas densamente povoadas por milhões de índios antes da chegada dos europeus

Quem olha a Amazônia nos dias atuais dificilmente consegue imaginar que a região mais selvagem do Brasil já foi ocupada por uma das primeiras grandes concentrações urbanas das Américas, numa rede de cidades que eram interligadas por estradas abertas na mata. Com uma população estimada em no mínimo oito milhões de habitantes e no máximo 50 milhões, a região comportou diversas tribos que começaram a 'desaparecer' após a chegada dos europeus ao continente americano. Para efeito comparativo, neste período a Europa possuía cerca de 60 milhões de habitantes. Estes dados são de um recente estudo realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Com a chegada dos europeus, em especial dos espanhóis e portugueses, uma grande parcela dos índios foi dizimada por doenças ou assassinados brutalmente pelos exploradores. Após isso, cidades inteiras foram abandonadas e a floresta 'engoliu' as construções feitas com madeira e folhagem. Após 500 anos, nada mais restou dos antigos centros urbanos, mas o solo negro com resíduos, conhecido como terra preta, indica a existência de uma grande população, além de vastas plantações.

Estas descobertas reforçam os relatos do passado que afirmavam existir longas áreas densamente povoadas por milhões de índios antes da chegada dos europeus. Segundo o estudo, a área ocupada pelas cidades era de aproximadamente 150 mil km², aproximadamente 100 vezes maior que o tamanho do município de São Paulo. As recentes descobertas só foram possíveis, infelizmente, devido ao desmatamento na área.

O conceito de grandes aglomerações urbanas não é tão 'moderno' quanto se pensa. As cidades que existiam na Amazônia até o século XVI não eram muito diferentes das atuais. Um relato do missionário espanhol Gaspal de Carvajal, datado de junho de 1542, afirma que existia na região "uma cidade que se esticava por 24 quilômetros sem qualquer espaço entre uma casa e outra”. Dias depois, ele volta a relatar a existência de uma grande população ao ser recebido amistosamente por "mais de duas centenas de canoas com até 40 índios em cada uma delas" quando atravessava um rio da região.

Se no século XX, o governo brasileiro não conseguiu construir e manter em boas condições a Transamazônica, cerca de 500 anos antes, os nativos fizeram bem o dever de casa. Os relatos de Carvajal afirmam que "estradas largas, em ótima conservação, cortavam a floresta por quilômetros e interligavam cidades densamente povoadas e fortificadas".

  
  

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