JK foi o primeiro presidente brasileiro a ser intimado a depor

Acusado de corrupção e apoio ao comunismo, Juscelino foi submetido a severos interrogatórios em diversos Inquéritos Policiais, em 1965. Em pouco mais de 30 dias, o ex-presidente foi intimado a depor sobre os assuntos mais de uma dezena de vezes

  
  
Os militares convocaram Juscelino diversas vezes para responder a exaustivos IPMs abertos contra ele, sempre focados em acusações de corrupção, que nunca foram comprovadas, além de envolvimento com o comunismo

A condução coercitiva do ex-presidente Lula para depor na Polícia Federal parou o Brasil na última sexta-feira (4), mas o caso dele não foi o primeiro na história política do país. O também ex-presidente Juscelino Kubitschek foi intimado a depor diversas vezes durante o Regime Militar, acusado de desvio de dinheiro público ao longo do seu mandato. A grande diferença entre os casos é que em 1965, o Brasil estava mergulhado numa sombria ditadura militar e atualmente, o país vive o mais duradouro período democrático de sua história.

Um dos mais populares presidentes brasileiros do século XX, JK, como era conhecido, governou o Brasil entre os anos de 1956 e 1961 e entrou para a história por construir a nova capital do país, Brasília. Após deixar o poder, ele se candidatou ao Senado por Goiás e ocupou o cargo até 1964, quando teve o mandato cassado pelos Militares, após ser acusado de corrupção. A real intenção do regime era impedir que JK se candidatasse de novo a presidência da República, pois sua vitória era garantida nos meios políticos. Depois de passar alguns meses no exílio, ele retornou ao país em 4 de outubro de 1965, e passou a ser perseguido pelo governo. Já no mesmo dia que pisou em solo brasileiro, JK foi intimado a prestar um depoimento num Inquérito Policial Militar (IPM), que investigava o seu envolvimento com o comunismo.

Preocupados em 'oficializar' as acusações contra JK, os militares o convocaram diversas vezes para responder exaustivos IPMs abertos contra ele, sempre focados em acusações de corrupção, que nunca foram comprovadas, além de envolvimento com o comunismo. Os Interrogatórios, considerados por ele como agressivos, foram conduzidos por oficiais das Forças Armadas e visavam principalmente expor negativamente a imagem do ex-presidente, que ainda tinha interesse em voltar a ocupar o antigo cargo de líder da nação.

Ao longo de pouco mais de 30 dias que ficou no Brasil, JK foi intimado mais de uma dezena de vezes a prestar depoimentos nos IPMs que respondia. As longas horas de interrogatórios num curto espaço de tempo debilitaram a saúde do ex-presidente, que decidiu retornar ao exílio em 9 de novembro de 1965. Após permanecer 976 dias no exterior, ele volta ao Brasil em 1967, onde permanece até sua morte, em 22 de agosto de 1976.

Acidente ou assassinado?
Até os dias atuais não existe uma conclusão do que ocorreu naquela fatídica noite na Via Dutra, na região de Resende (RJ). Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade concluiu que o acidente que vitimou o ex-presidente não foi causado intencionalmente, porém a Comissão da Verdade de São Paulo atribuiu a morte de JK à ditadura militar. A única certeza sobre o assunto é que o veículo Chevrolet Opala, placa NW-9326 RJ, onde estava Juscelino e seu motorista Geraldo Ribeiro, cruzou a pista após ser atingido por um ônibus e colidiu de frente com uma carreta. A morte de JK causou uma enorme comoção no país e levou mais de 300 mil pessoas as ruas do Rio de Janeiro e Brasília, que acompanharam o cortejo do seu corpo.

  
  

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