Quando aconteceu o primeiro ataque terrorista?

Tão antigos quanto a própria humanidade, os primeiros ataques terroristas foram registrados há mais de dois milênios e sempre em nome de alguma 'causa'. O estopim para o seu surgimento foi uma invasão do Império Romano ao Oriente Médio

  
  
Se os ataques terroristas voltaram a ganhar grande destaque na mídia mundial após o 11 de setembro, eles já são registrados na história há milênios

É impossível precisar uma data exata para o surgimento do terrorismo, pois ao longo dos séculos o responsável pelo terror passou por diversas 'mudanças', alternando entre o Estado até aos atuais grupos terroristas. A única certeza é que ele é praticado há milênios pelo homem, em nome das mais diversas 'causas' ou pelo simples fato de espalhar o pânico entre as pessoas. Oficialmente, o primeiro caso registrado de um ato terrorista ocorreu entre os séculos I e II a.C., no Oriente Médio, onde fica o atual estado de Israel. A localidade, que ainda hoje é um constante foco de grupos terroristas, registrou pela primeira vez um ataque do gênero.

O fato ocorreu durante uma ocupação romana na região, que visava integrar a área ao vasto império dos Césares. Os judeus contrários a invasão começaram a realizar ataques terroristas contra alvos específicos, em especial membros do alto escalão do governo invasor, além de cidadãos hebreus que se posicionavam a favor do domínio romano. Os assassinatos realizados pelos radicais eram praticados com um punhal e focavam apenas seus 'inimigos', nunca atingindo pessoas 'inocentes' na visão deles. Oficialmente registrado, o primeiro ataque terrorista ocorreu contra um hebreu que se dizia a favor da intervenção romana na área. Devido as dificuldades de registro que existiam na época, pouco se sabe sobre a vítima e quem o atacou.

Passados mais de 10 séculos desde os primeiros atentados, o mundo voltou a registrar outros violentos ataques terroristas. A disputa, que envolvia política e religião, transformou a Palestina Síria e o Egito, em inimigos. Liderados por Hassan ibn Sabbah, mais conhecido como o 'Velho da Montanha', os sírios utilizavam o terrorismo como principal arma na luta contra os cristãos e sunitas. O grupo ficou tão conhecido pelos requintes de crueldade e centenas de mortes, que sua denominação deu origem ao termo 'assassino'. Os membros do clã eram conhecidos como 'hashashin' ("consumidor de haxixe", em árabe) ou 'assassínio', que originou o termo que é descrito nos dicionários como o "indivíduo que retira a vida de outro ser humano".

Inquisição
Conceitualmente, pode-se afirmar que terrorismo é tudo aquilo que visa causar o terror nas pessoas. Baseado neste conceito, muitos historiadores afirmam que a Inquisição, da Igreja Católica, foi um dos mais longos e cruéis atos terroristas da humanidade. Ocorrido durante a Idade Média até meados do século XIX, o terror espalhado em nome de Deus (e principalmente pelo poder da Igreja) condenou a morte milhões de 'infiéis' acusados dos mais variados crimes, desde a heresia até políticos.

Estado terrorista
Se nos dias atuais, o conceito de terrorismo está ligado diretamente numa luta de organizações criminosas contra o Estado, no passado acontecia o contrário. Na época do nascimento do termo durante a Revolução Francesa, os terroristas eram os governos que espalhavam o pavor contra seu próprio povo e não grupos como o Estado Islâmico, Al Qaeda e Boko Haram.

Muito mais novo do que o ato que ele denomina, o termo 'terrorismo' foi cunhado pela primeira vez numa época que ficou conhecida como "Reino do Terror", entre os anos de 1793 e 1794. Liderada pelo jacobino Maximilien de Robespierre, a Revolução Francesa condenou mais de 17 mil pessoas à morte pela guilhotina e espalhou o pânico pelo país. Curiosamente, o líder do terror, como Robespierre era conhecido, acabou provando do próprio veneno e foi guilhotinado em 1794.

  
  

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