Sabia que a bandeira do Brasil já foi uma cópia da norte-americana?

Comemorado em 19 de novembro, o Dia da Bandeira marca a data que o atual pavilhão brasileiro foi utilizado pela primeira vez. O que poucos sabem é que nos quatro primeiros dias da República, o lábaro oficial era uma 'cópia' da bandeira americana

  
  
Quando se compara a primeira bandeira republicana brasileira com a norte-americana são facilmente notadas que as únicas diferenças são as cores, que foram alteradas do vermelho e branco para o verde e amarelo, além do número de estrelas que passaram de 45 para 21

Nem sempre a criatividade das pessoas está em alta, ainda mais após uma Revolução que transformaria para a sempre a história do seu país. Depois da derrubada do Império, em 15 de novembro de 1889, o então governo brasileiro necessitava imediatamente de um novo pavilhão que substituísse o antigo que era usado pela monarquia.

Sem tempo hábil para criar algo que representasse a grandeza da nova república que surgia, alguns republicanos liderados por Lopes Trovão decidiram utilizar, mesmo sem a aprovação imediata do presidente do país, Marechal Deodoro da Fonseca, uma nova bandeira nacional. O pavilhão era composto por 13 listras nas cores verde e amarelo, além de um retângulo azul no canto superior esquerdo com 21 estrelas. Rapidamente, as semelhanças da bandeira brasileira com o símbolo máximo dos Estados Unidos da América foram notadas e obrigaram a confecção de um novo lábaro para o país.

Oficialmente, a cópia da bandeira americana tremulou em território nacional por apenas quatro dias, entre 15 e 19 de novembro de 1889, justamente devido as semelhanças com o pavilhão dos Estados Unidos. Quando se compara ambas as bandeiras são facilmente notadas que as únicas diferenças são as cores, que foram alteradas do vermelho e branco para o verde e amarelo, além do número de estrelas que passaram de 45 para 21. Nos dois casos, as estrelas significavam o número de federações de suas respectivas repúblicas.

Então bandeira dos Estados Unidos da América, em 1889, com 13 faixas em vermelho e branco, além das 45 estrelas

A decisão final de vetar o uso do novo pavilhão brasileiro coube ao presidente Deodoro que argumentou, o óbvio, que o lábaro nacional "era um arremedo grosseiro da bandeira dos Estados Unidos". Ainda antes do veto final, houve outros dois modelos idênticos que receberam pequenas alterações dos criadores. A primeira modificação foi a troca da cor preta dentro do retângulo, que homenageava a população negra do Brasil, pela cor azul e a segunda, foi a inserção de mais uma estrela que representava o recém-criado Distrito Federal. O curioso esquecimento da sede oficial da república se deve ao fato da cidade do Rio de Janeiro só ter ganhado o status de Unidade Federativa após a criação do novo regime.

Se a maioria dos brasileiros não conhece a bandeira nacional 'a la Estados Unidos', na Europa esta foi a primeira a representar a república tupiniquim, na época chamada de Estados Unidos do Brasil. Quando a Família Real partiu, no vapor Sergipe, do Rio de Janeiro rumo ao exílio, no Velho Mundo, o estandarte que acompanhava a embarcação era justamente o listrado de verde e amarelo. Ao chegarem à Europa, a nova bandeira brasileira já havia sido oficializada (19 de novembro de 1889), mas devido às dificuldades de comunicação da época ninguém sabia. Curiosamente, o novo lábaro que o então presidente Deodoro decretou como oficial era uma "cópia" da antiga bandeira do Império que apenas teve substituído seu brasão pelo círculo azul, com estrelas, cortado por uma faixa em branco com os dizeres 'Ordem e Progresso'.

O projeto inicial da bandeira 'a la Estados Unidos' previa 20 estrelas e o fundo do retângulo em preto, que homenageava a população negra do país
  
  

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