Vibrador surgiu como um 'remédio' contra a histeria feminina no século XIX

Criado em 1869, o primeiro vibrador funcionava a vapor e era receitado por médicos, que inclusive faziam a sua aplicação nas pacientes solteiras, sempre sem nenhum teor sexual

  
  
O 'The manipulator' era uma mesa acolchoada com um buraco em seu centro, onde a mulher sentava e recebia a milagrosa massagem por meio de uma esfera, que era movida a vapor

Um dos símbolos da liberdade sexual da mulher moderna, o vibrador foi criado para resolver a histeria, uma suposta doença exclusivamente feminina. Hoje se sabe que o distúrbio não é exclusivo das mulheres e pode atingir qualquer pessoa, mas no final do século XIX ainda não havia esta informação. O tratamento utilizado na época focava em acalmar a mulher e a maneira mais tradicional era 'animar', sempre respeitosamente, a relação entre ela e o marido. O 'remédio', que o homem deveria ministrar, era acariciar a vagina de sua esposa com a mão. Já as solteiras deveriam ser tratadas exclusivamente pelos médicos. Segundo relatos da época o procedimento era totalmente medicinal, sem nenhuma conotação sexual.

A grande dificuldade é que o santo remédio, que de fato resolvia os problemas descritos, muitas vezes necessitava ser 'aplicado' por horas até solucionar os principais sintomas da histeria. Nem os maridos, nem os médicos conseguiam ficar tanto tempo realizando o tratamento e para isso desenvolveu-se um manipulador 'automático'. O primeiro vibrador foi criado em 1869, pelo médico norte-americano George Taylor. Ele patenteou o aparelho, que era movido a vapor, e o batizou de 'The manipulator'. Rapidamente, a tecnologia chegou ao mundo dos vibradores e em 1880, surgiu um dispositivo mais moderno e movido a manivela, que não causava os problemas dos equipamentos a vapor, como fumaça, calor e sujeira. O pai do vibrador manual foi o inglês Joseph Mortimer Granville.

Publicidade do vibrador elétrico 'White Cross' e suas diversas funcionalidades, no jornal New York Tribune (1913)

Apenas em 1902, uma empresa norte-americana especializada em equipamentos domésticos, chamada Hamilton Beach, criou e patenteou o primeiro vibrador elétrico. Naquela época, o aparelho ainda era oficialmente usado apenas para fins terapêuticos e não focava no prazer feminino. Inclusive, era comum os anúncios de vibradores nos principais jornais, que costumavam ser vendidos como produtos 'milagrosos' por resolverem os mais diversos problemas de saúde. Entre as enfermidades que o aparelho prometia curar estavam desde dores musculares e de cabeça até desequilíbrios intestinais, além da histeria feminina.

Somente a partir dos anos 1920, que o vibrador ganhou a função conhecida nos dias atuais. O produto começou a ser usados em filmes pornográficos e rapidamente se transformou em algo proibido pela sociedade conservadora da época. No mesmo período sumiram as publicidades de vibradores dos jornais e o tratamento se transformou em tabu. Apenas décadas mais tarde que o santo remédio para a histeria perderia a conotação negativa e se transformaria num símbolo da liberdade sexual feminina.

  
  

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