Idealizado há 88 anos, Túnel Santos-Guarujá ainda não saiu do papel

Elaborado em 1927 por Enéas Marini, o primeiro projeto previa um túnel submerso com faixas para automóveis, ônibus e até uma linha férrea, que ligaria as duas cidades da Baixada Santista através de um bonde

  
  
Idealizado há 88 anos pelo engenheiro Enéas Marini, o primeiro projeto de um túnel submerso entre Santos e Guarujá já se mostrava a frente de seu tempo

O Brasil ainda era governado pela política "Café com Leite" e nomes como Luiz Carlos Prestes e Lampião estampavam as páginas dos principais diários brasileiros. O ano em questão era 1927, e pela primeira vez se falava numa ligação seca entre as cidades de Santos e Guarujá, após o engenheiro Enéas Marini apresentar com grande destaque, na mídia local, o projeto pioneiro de um túnel unindo as duas cidades do litoral paulista.

Desde o longínquo ano até os dias atuais já se passaram quase 90 primaveras e o túnel ainda não saiu do papel. Lançado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), em 2013, o novo projeto prevê um investimento de R$ 3,2 bilhões, sendo R$ 900 milhões do Estado e R$ 2,3 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Até o momento, a Dersa que é a responsável pela empreitada, já obteve a liberação de R$ 938 milhões do BNDES, porém o edital da obra foi suspenso após ser questionado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), em janeiro deste ano.

Idealizado há 88 anos, o primeiro projeto de um túnel submerso entre Santos e Guarujá já se mostrava a frente de seu tempo. As plantas apresentavam um plano que visava integrar o transporte público ao particular. O túnel teria faixas que suportariam o tráfego de carros, ônibus e até carroças. Outro diferencial é que o plano inicial já previa uma área que seria usada futuramente para construir uma linha férrea, onde passaria o bonde que faria o percurso entre as cidades. Os cálculos indicavam que a construção submarina teria 900 metros de extensão com uma profundidade de até 20 metros.

O projeto de Marini não foi o único nos primórdios do século XX, que pretendia criar uma ligação seca entre as cidades. O ex-prefeito de São Paulo e autor do Plano Regional de Santos, o engenheiro Prestes Maia, também alertava à importância de se construir uma ponte ou um túnel unindo Santos ao Guarujá.

Lançado pelo governador Geraldo Alckmin, em 2013, o novo projeto prevê um investimento de R$ 3,2 bilhões, sendo R$ 900 milhões do Estado e R$ 2,3 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social

Curiosamente, o projeto santista - de 1927 - era baseado num plano similar que previa a construção de um túnel submarino entre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói. No caso da megaobra fluminense, os engenheiros e políticos na época da construção optaram por uma ponte ligando ambos os municípios.

Quando se comparam os projetos elaborados em 1927 e 2013, é possível ver algumas semelhanças entre ambos. Os dois preveem a construção de faixas exclusivas para automóveis e pedestres, além de segregarem uma área por onde passaria uma linha férrea. No caso do projeto atual, a área prevê a passagem do Veículo Leve sobre Trilho, o VLT da Baixada Santista, e no plano de Marini, a intenção era que uma linha de bonde ligasse as duas cidades através do túnel. Outra semelhança é a profundidade da construção que seria de aproximadamente 20 metros em ambos.

  
  

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