Ilha de Socotorá, um oásis no meio da Guerra do Iêmen

Considerada pelos romanos como o último território do mundo devido a sua localização, Socotorá é um paraíso, com praias de água azul turquesa e espécies endêmicas, incrustado no meio de uma das guerras mais sanguinárias da atualidade

  
  
Situada a 350 quilômetros da caótica e violenta área continental do Iêmen, Socotorá é banhada pelas turbulentas e cristalinas águas do mar da Arábia

Considerado a nova Síria, o Iêmen vive uma guerra civil sem precedentes e tem seu território dividido entre governistas e golpistas, além de parte dele já ser controlado por grupos terroristas como o Estado Islâmico e a Al Qaeda. Por trás da guerra que dizima a população do país e conflita interesses políticos de superpotências como os EUA e a Rússia, está uma nação com uma riquíssima história cultural e locais únicos, como a Ilha de Socotorá.

Situada a 350 quilômetros da caótica e violenta área continental do Iêmen, Socotorá é banhada pelas turbulentas e cristalinas águas do mar da Arábia e seus sortudos moradores sobrevivem basicamente do turismo local. Com uma população de pouco mais de 45 mil habitantes numa área de 3,7 mil km², a ilha está na seleta lista de locais com fauna e flora endêmicos, devido à grande distância do continente.

Considerado Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 2008, o arquipélago é composto por quatro ilhas que já foram consideradas o 'fim do mundo'. A localidade era o último território conhecido pelo homem durante o Império Romano e com isso, as antigas lendas afirmavam que era na região que ‘acabava o mundo'. Para complementar o enredo de filme de terror, o local é conhecido pelas abruptas mudanças de clima, mar revolto e nevoeiros traiçoeiros.

Se no imaginário popular a ilha era um local mágico, para os cientistas ela também pode ser considerada surpreendente. O lugar abriga cerca de 800 espécies, sendo que aproximadamente 260 delas só existem em Socotorá. Entre as nativas da ilha, a mais famosa é a Dracaena cinnabari, que é chamada de “árvore do sangue de dragão”. Conhecida desde a antiguidade pelas suas peculiaridades, a região já era explorada pelos romanos em busca de especiarias e ervas medicinais.

Se as raras belezas naturais chamam atenção do mundo, as alterações climáticas podem colocar fim ao local. Com uma fauna e flora suscetíveis as mudanças do tempo, a vegetação da ilha pode desaparecer em até um século. Se o clima pode ser um problema, a ação humana será mais devastadora ainda. Com um aumento de 2.857% do número de visitantes a Socotorá na última década, o local vive a preocupação da especulação imobiliária, além do receio da guerra chegar a pacata ilha.

Mapa


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O lugar abriga cerca de 800 espécies, sendo que aproximadamente 260 delas só existem em Socotorá
Considerado Patrimônio Mundial pela UNESCO desde 2008, o arquipélago é composto por quatro ilhas que já foram consideradas o 'fim do mundo'
Entre as nativas da ilha, a mais famosa é a Dracaena cinnabari, que é chamada de “árvore do sangue de dragão”
Por trás da guerra que dizima a população do país, está uma nação com uma riquíssima história cultural e locais únicos, como a Ilha de Socotorá
  
  

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