Praia de vidro ou 'escadas para o nada', união entre o homem e a natureza gera locais únicos

Considerados únicos, estes locais encantam por suas singularidades e arrastam turistas a regiões de difícil acesso, apenas para visitarem um balanço pendurado sobre um abismo ou uma floresta que cresceu num navio de guerra centenário

  
  
Como a plataforma de observação foi feita de vidro tanto nas laterais quanto no piso, a visão dos Alpes se torna algo único

Qual é o resultado da união entre a perfeição da natureza e a criatividade do homem? A resposta são lugares únicos que se tornaram atração mundial por sua beleza ímpar e capacidade de arrastar turistas até as regiões mais ermas do mundo.

Localizados nos quatro cantos do planeta, estes locais ganharam um toque 'especial' do homem, que em alguns casos quase atrapalhou o processo, mas a vida selvagem deu a volta por cima. Já outros lugares foram criados com perfeição pela natureza e o homem apenas colocou a 'cereja do bolo', sempre com muito estilo. Seja num penhasco com banheiro pendurado sobre um abismo ou até um navio, centenário, abandonado que se transformou numa densa floresta, a união entre a natureza e o homem gera resultados únicos.

Banheiro "mais perigoso do mundo"

O local foi construído em 1939 para ser usado por membros da estação meteorológica de Kara-Tyurek

Na hora do aperto qualquer banheiro é o local perfeito para se aliviar, mas na Rússia não é bem assim. Construído sobre um penhasco na região de Altai, o local é a única opção para os funcionários de uma estação meteorológica, na Sibéria. Pendurado sobre um penhasco de 1,5 mil metros, a cabine ganhou o apelido de "banheiro mais perigoso do mundo".

O local foi construído em 1939 para ser usado por membros da estação meteorológica de Kara-Tyurek, pois na época não havia sistema de esgoto e a melhor forma de 'sumir' com os dejetos era jogando-os do alto da montanha. Contudo, a única situação encontrada para que as fezes e a urina fossem 'automaticamente' enviadas para baixo seria construir o banheiro pendurado sobre o abismo. Mais de 75 anos depois, a engenharia mostrou-se muito boa, pois o local ainda funciona em perfeitas condições.

Balanço do "fim do mundo"

A vista de cima do penhasco é paradisíaca

Na cidade de Baños, localizada no Equador, há uma casa na árvore com o “balanço mais perigoso do mundo”. Projetado com apenas um banco de madeira preso por duas cordas ligadas numa haste e um simples cinto de segurança, o balanço ‘único’ desperta a curiosidade dos amantes de adrenalina. Para quem não possui acrofobia (medo de lugares altos), o desafio é se balançar sobre o precipício a mais de 2.600 metros de altura.

A vista do penhasco é paradisíaca e dá para admirar as belas paisagens das montanhas e vales da região. O balanço também possui uma visão privilegiada do vulcão de Tungurahua, conhecido como o “Gigante Negro”. Para utilizá-lo paga-se o valor simbólico de US$ 0,25 (R$ 1) por uma aventura única. Para quem tem medo de altura e não quiser se arriscar, a alternativa é admirar a vista da casinha da árvore, já que a beleza da região e o ar refrescante das montanhas compensam a viagem.

Praia de vidro

O reflexo do sol nas 'pedrinhas' cria uma explosão de cores e vida

Com diversos tipos de praias espalhadas pelo mundo, uma delas se destaca por ser única e surpreendentemente linda. Localizada em Fort Bragg, na Califórnia, a Glass Beach (Praia de Vidro, em português) faz jus ao nome e é composta por milhões de pequenos pedaços coloridos de vidro que se misturam à areia. Se as várias cores dos vidros já chamam atenção de quem chega a praia, durante o entardecer a visão fica ainda mais paradisíaca. O reflexo do sol nas 'pedrinhas' cria uma explosão de cores e vida.

Se a beleza do local é indiscutível, a forma que se chegou a ela é bem contestável. No início do século XX, a população descartava o lixo jogando-o do alto de um penhasco ao lado da praia. Entre os objetos arremessados estavam toneladas de garrafas de vidro. Com o passar do tempo, o atrito das ondas e a própria areia foram lapidando os afiados pedaços e os transformaram em inofensivas pedras coloridas. Na década de 1960, o governo local removeu milhares de toneladas de lixo, mas os pequenos pedaços de vidro não puderam ser retirados devido ao tamanho e permaneceram na região. Com o tempo, a areia foi 'tingida' por milhões de pedrinhas coloridas que originaram o nome da praia.

Escadas para o nada

Ao todo, são 14 degraus da famosa “escada para o nada” que separam o trecho da passarela que é presa ao morro, do 'corredor' que leva os turistas até a plataforma de observação

Quem tem medo de altura jamais poderá conhecer as “escadas para o nada” (Stairway of Nothingness, em inglês) que estão localizadas na Áustria. O "complexo" é formado por três partes que são interligadas entre si. O ponto alto da visita é a plataforma de observação, porém antes de chegar é necessário passar por uma ponte suspensa e pela escada que liga a ponte até a plataforma. Situada na montanha Hoher Dachstein, as escadas foram inauguradas em 2013 e causam calafrios até nos mais corajosos.

Construída pelo Resort Dachstein Glacier com o objetivo de atrair um público não tão radical, o local se transformou em sinônimo de liberdade para quem visita. Como a plataforma de observação foi produzida com lâminas de vidro tanto nas laterais quanto no piso, a visão dos Alpes se torna algo único. A sensação de voar aumenta ainda mais por ela estar localizada 400 metros acima das montanhas. Ao todo, são 14 degraus da famosa escada que separam a passarela que é presa a montanha, do 'corredor' que leva os turistas até a área de observação.

Floresta flutuante

Com o tempo, o navio de 1,14 mil toneladas foi sendo tomado pela vegetação

Abandonado desde o final da 2ª Guerra Mundial, um navio militar norte-americano se transformou numa floresta flutuante. Apelidado de "Floating Forest", o SS Ayrfield foi construído em 1911 e utilizado por mais de 30 anos para o transporte de mantimentos das tropas americanas.

Após o término da Guerra, em 1945, a embarcação foi desmontada e o que sobrou ficou abandonado na baía de Homebush, em Sydney (Austrália). Com o tempo, o navio de 1,14 mil toneladas foi sendo tomado pela vegetação até se transformar numa verdadeira floresta.

Errata (11h06): Ao contrário do informado inicialmente, que o valor pago para se aventurar no balanço sobre um abismo ser de R$ 2, o valor correto é R$ 1,00.

  
  

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