Reinaugurada após mais de 2 anos em obras, Ponte Pênsil foi construída para transportar esgoto

Ligando as cidades de São Vicente e Praia Grande, a estrutura sustentada por cabos de aço foi inaugurada há 101 anos e fazia parte de um pioneiro plano de saneamento básico para a região, idealizado por Saturnino de Brito

  
  
A Ponte Pênsil foi inaugurada em 24 de maio de 1914 e demorou dois anos para ser concluída, menos tempo que as atuais obras de restauro demoraram

No final dos anos 1800 e início do século XX, as pontes suspensas ganharam o gosto dos engenheiros ao redor do mundo. Sua 'magia' em suspender uma gigantesca estrutura de ferro apenas por cabos encantou a sociedade da época e inaugurou no mundo uma nova Era na engenharia. No Brasil não foi diferente e São Vicente, primeira vila brasileira, também foi a pioneira desta tecnologia no país. A Ponte Pênsil da cidade foi inaugurada em 24 de maio de 1914 e demorou dois anos para ser concluída, menos tempo que as atuais obras de restauro demoraram.

Iniciadas em julho de 2013, as obras tinham previsão de serem concluídas em 12 meses, mas demoraram 15 meses a mais que o projetado. O investimento final do Governo do Estado de São Paulo foi de R$ 33 milhões para uma reforma estrutural completa do equipamento, incluindo a substituição de todos os 16 cabos de aço que a sustentam. A reinauguração da Ponte, que foi adiada seis vezes, trará um alívio à população que a utiliza para ir de São Vicente à Praia Grande e vice-versa.

O que muitas pessoas não sabem é o motivo real para a construção da Ponte. Ao contrário do 'lógico', que ela foi erguida para facilitar o acesso dos habitantes da região, a Ponte Pênsil tinha como principal finalidade transportar, por encanamentos, o esgoto das cidades de Santos e São Vicente rumo a Ponta de Itaipu, em Praia Grande. A ideia inicial previa a instalação de estacas, que cruzariam o mar, apenas para suspender o encanamento, mas o projeto final determinou que a melhor opção seria a construção de uma ponte suspensa. O percurso do esgoto era de 180 metros, elevado em uma altura de 23 metros sobre o oceano.

"Esta obra faz parte do projeto de Saturnino de Brito, patrono da engenharia sanitária brasileira, e foi essencial para garantir a ocupação da Cidade de Santos, que sofria com problemas por falta de saneamento. No final de 1800, metade da população chegou a morrer por conta das doenças de veiculação hídrica", explica o jornalista Rafael Oliva. Ele destaca, ainda, que os canais de Santos também são integrantes do projeto de Saturnino e que hoje garantem a drenagem urbana da Cidade.

Embora não fosse sua função prioritária, desde a inauguração também foi utilizada para a travessia de veículos, sendo que o primeiro carro a cruzá-la levava o então prefeito de São Paulo e futuro Presidente da República, Washington Luís. Atualmente, a estrutura suporta a passagem de veículos de pequeno e médio porte, além de pedestres. O tráfego de caminhões é proibido por questões de segurança.

Tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arquitetônico e Artístico Nacional (Condephaat), a estrutura não transporta mais esgoto e é utilizada 'apenas' para a locomoção urbana entre as cidades. Curiosamente, os tradicionais congestionamentos de veículos que ocorrem na ponte durante os horários de pico não são novidade. O primeiro engarrafamento registrado na história, no local, foi no dia da inauguração quando cerca de 20 veículos, vindos de São Paulo, tentaram atravessá-la e fizeram o trânsito da região parar.

A ponte caiu?
Na época da inauguração, a inovadora tecnologia ainda era desconhecida do grande público e surpreendeu pela 'falta' de vigas de sustentação no centro da ponte. Após a fita inaugural ser cortada, uma multidão a atravessou, o que ocasionou um pequeno balanço, natural para este tipo de equipamento, mas foi o suficiente para que o pânico gerado fizesse alguns populares se jogarem na água, com medo da estrutura ceder.

Mapa


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O percurso do esgoto era de 180 metros, elevado em uma altura de 23 metros sobre o oceano
  
  

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