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A travessia entre os picos de Marins e Itaguaré, na Mantiqueira

O perrengue de dois aventureiros em sua primeira travessia na Mantiqueira. Entre as cristas dos picos Marins e Itaguaré, os aventureiros vivenciaram dias intensos motivados pelo visual de serras e vales na divisa entre São Paulo e Minas Gerais

11 de Abril de 2011.
Publicado por Revista Aventura & Ação  

A&A Ed.159 - Capa Nacional

A&A Ed.159 - Capa Nacional
Foto: A&A

Texto: Daniel Cotellessa e Gustavo Rocco
Fotos: Daniel Cotellessa

Esta matéria faz parte da Edição 159 da Revista Aventura & Ação

Explorar uma das mais bonitas travessias do Brasil na crista da Serra da Mantiqueira, rodeada de vales e cadeias montanhosas por onde quer que a vista alcance, montar acampamento selvagem, cozinhar a própria comida e aprender a racionar a água a mais de 2.000 metros de altitude são apenas algumas das peculiaridades que a travessia entre os Picos do Marins (2.420 m) e do Itaguaré (2.308 m) tem a oferecer aos trekkers que encaram suas trilhas.

Ao todo, são aproximadamente 21 km de caminhada na divisa entre os estados de São Paulo e Minas Gerais. Para nos arriscarmos em tal missão, toda logística da viagem começou a ser providenciada muito antes. Durante quase um mês inteiro, acompanhamos as previsões meteorológicas, um tanto quanto desanimadoras neste que tem sido um dos anos mais chuvosos dos últimos quinze na terra da garoa. A semana ia bem até a metade, mas os finais de semana não fugiam à regra: chuva e frio. Apenas depois de muitos gráficos e análises é que concordamos em encarar a expedição. Para contornar o estigma de finais de semana chuvosos, decidimos caminhar entre domingo e terça-feira, o que significava que as possibilidades de encontrar alguém durante o percurso seriam quase nulas, logo, estaríamos sozinhos na serra.

Daniel Cotellessa

Daniel Cotellessa

Com toda a comida comprada e devidamente separada por refeições, roupas para enfrentar o calor do dia e o frio latejante da noite, equipamentos fotográficos e de camping, mais algumas parafernálias extras, começava nosso segundo desafio: colocar tudo nas cargueiras de modo que as mochilas não nos desequilibrassem e tivéssemos fácil acesso às coisas de uso rápido como um anoraque e água, por exemplo.

Saímos de Sampa no sábado à noite com destino à cidade mineira de Itajubá, distante cerca de 260 km da capital. No município de Lorena, deve-se pegar a saída 51 para a BR-459 sentido Delfim Moreira e Itajubá. Previamente combinado, iríamos nos encontrar com o Marcelo, ou Téo, como é conhecido o responsável pela Operadora Primata.

“Boas vindas”

Do Morro do Careca já é possível observar as belas formações rochosas da Mantiqueira

Do Morro do Careca já é possível observar as belas formações rochosas da Mantiqueira
Foto: Daniel Cotellesa

Já no primeiro dia, assim que nos desentocamos dos sacos de dormir, sentimos uma amostra do frio que pegaríamos na montanha. Era hora de acertar os últimos detalhes e tomar um café quente. Bem cedo, o Marcelo, da Agência Primata, que opera a travessia, nos levou até Delfim Moreira para encontrar o Alessandro, que nos guiaria pelos próximos três dias. Carro carregado, era a hora de pegarmos a estrada em direção ao acampamento-base do Marins. Para chegar lá, é preciso seguir pela BR-459 até a divisa dos estados, passar direto pela barreira fiscal e continuar até o trevo de Wenceslau Brás. De lá, são mais 1,5 km de asfalto e 17 de terra até a base, onde mora o Sr. Milton. Para quem não pretende fazer a travessia, mas gostaria de subir o Marins e pernoitar no cume, é possível deixar o carro e se abastecer de água na casa, podendo inclusive tomar um banho na volta, tudo isso por apenas R$ 10,00.

Estando ali, a ansiedade crescia a cada minuto, mas apesar do adiantado horário, o Marins ainda não havia se mostrado para nós. Carregamos os cantis com quatro litros de água pura e fresca, trocamos algumas ideias sobre as questões que envolvem o processo de criação de um Parque Nacional que cercaria essa região da serra e “zarpamos”, finalmente!

Como escaladores, já havíamos carregado mochilas pesadas até a base de alguma rocha, mas nada que se comparasse ao desgaste físico proporcionado pelo excesso de carga com que partimos do Milton. Não tínhamos nada de futilidades, fomos extremamente econômicos nas roupas e nos ingredientes para preparar um cardápio apetitoso na montanha.

O primeiro trecho de caminhada é feito dentro da mata fresca, protegida do sol, tendo como objetivo o Morro do Careca. Após uns vinte minutos do início chega-se a uma bifurcação, onde deve-se seguir reto em direção a uma estrada de terra. Motivado pelos visuais que se descortinavam, eu seguia passo a passo estranhamente feliz, apesar de desconfortável com a mochila que ainda era um ser estranho nas minhas costas.

No Morro do Careca, avista-se o Vale do Paraíba próximo ao Marins. Distante cerca de cinco horas de pernada sob um sol razoavelmente quente, começava a entender porque a água pode se tornar um problema em travessias como esta. A verdade é que não há muitos pontos de água confiável e qualquer excesso pode ser sentido mais adiante. Enquanto andávamos concentrados na trilha e na vegetação, que já dava sinais da altitude, não percebíamos a sequência de escalaminhadas, que, como ondas no mar, vinham uma atrás da outra.

As diversidades da flora da região, que exibe orquídeas e bromélias que embelezam ainda mais a travessia

As diversidades da flora da região, que exibe orquídeas e bromélias que embelezam ainda mais a travessia
Foto: Daniel Cotellessa

As diversidades da flora da região, que exibe orquídeas e bromélias que embelezam ainda mais a travessia

As diversidades da flora da região, que exibe orquídeas e bromélias que embelezam ainda mais a travessia
Foto: Daniel Cotellessa

Em certo ponto, porém, o desafio ficava mais óbvio, como quando nos deparamos com um trecho de subida com um elevado grau de inclinação de cerca de 50°, que instantaneamente me fez lembrar com saudade das escadas rolantes de shopping centers. Com um sorriso no canto da boca, encaramos, resignados, a tarefa. As cores do fim de tarde do outono já tingiam o céu quando chegamos à base do Pico dos Marins, a 2.200 metros de altitude.

Às 18 horas, iniciamos o ataque ao cume, mas paramos na metade do paredão de 150 metros para apreciar e fotografar os últimos raios de sol que se exibiam no horizonte. Já no topo, avistamos as primeiras estrelas a despontar no firmamento, saudamos a montanha e iniciamos a descida em seguida, pois, além do frio que já começava a castigar, ainda tínhamos um rango “mateiro” para cozinhar.

As diversidades da flora da região, que exibe orquídeas e bromélias que embelezam ainda mais a travessia

As diversidades da flora da região, que exibe orquídeas e bromélias que embelezam ainda mais a travessia
Foto: Daniel Cotellessa

As diversidades da flora da região, que exibe orquídeas e bromélias que embelezam ainda mais a travessia

As diversidades da flora da região, que exibe orquídeas e bromélias que embelezam ainda mais a travessia
Foto: Daniel Cotellessa

Durante os finais de semana da temporada de montanhismo, é comum ver várias barracas no cume ou na base. Chegar lá e não ver mais ninguém conferiu ao lugar uma aparência mais erma e isolada do que realmente é. Dentro da barraca, além de certa tensão com barulhos de passos insistentes do lado, percebi nos ossos a temperatura esfriar à medida que a hora passava, anunciando que aquela seria uma das noites em que o dia custaria a nascer. Quando a manhã raiou, saímos das barracas à procura de rastros, que jamais encontramos. Dentre mil possibilidades, algo me dizia que Jack London havia saído para dar uma volta com seu velho cão e resolvera nos visitar.

Provação

Preparamos os lanches e, enquanto tomávamos um chá quente, íamos planejando a rota do dia, o qual seria o mais longo em termos de dificuldade e duração. Próximo à base, há um ponto de coleta de água com cor enferrujada, mas sem odor, que usaríamos para cozinhar. É importante não deixar de coletar água quando se tem a chance, por isso, procure pontos de água corrente e trate com cloro. De preferência, ferva, pois problemas como diarréia podem facilmente levar muita gente pra casa mais cedo em expedições como essa. Depois de deixar o sol secar nossas tralhas por alguns minutos, começamos a nos preparar para o início da travessia real, porque ali desviaría¬mos o caminho no sentido Itaguaré.

Primeiro acampamento, próximo à base dos Marins. Comida e bebidas quentes são fundamentais para arrebentar o frio noturno da montanha

Primeiro acampamento, próximo à base dos Marins. Comida e bebidas quentes são fundamentais para arrebentar o frio noturno da montanha
Foto: Daniel Cotellessa

Estranhamente, a mochila já não atrapalhava como antes, embora ainda estivesse bem pesada. Parecia que a cada passo nos tornáva¬mos parte do ambiente e nos sentíamos felizes por carregar peso encosta acima. Essa felicida¬de se mostrou essencial, pois o segundo dia já começava forte. Logo na saída, atravessamos um trecho curto do desorientador capim-elefante, que, em alguns locais, pode ser mais alto que um homem de tamanho médio. Não há como demarcar a trilha, embora seja pos¬sível identificar algumas pinturas com setas nas rochas, que nem sempre estão corretas. O melhor é ter em mãos um mapa e ficar de olho nos totens de pedras, equilibradas umas sobre as outras, além de contar com um guia competente para acompanhá-lo.
Além do “vara mato”, o segundo dia é marcado pela descida do Marinzinho. A “deses¬calada” é feita através de uma corda fixa, em um trecho vertical o suficiente para fazer o sangue correr mais depressa. É sempre bom desconfiar dessas cordas; geralmente não se sabe por quan¬to tempo estão lá e quais intempéries já prova¬ram. Quem escala, não tem dificuldade para transpor este trecho, utilizando a corda apenas para descer as mochilas. Para nossa tranquilidade, constatamos que, recentemente, haviam co¬locado uma corda nova para auxiliar a outra.

Todos nós, enquanto descíamos, olháva¬mos para trás para apreciar a instigante vista. De lá, já é possível contemplar a Pedra Redonda, ponto que marca a metade do percurso. Não por menos, a transposição desse trecho nos deixou ligeiramente eufóricos. Sensação, porém, que passou logo que entramos num grande trecho do malfadado capim-elefante. Calças e camisas de manga longa, além de muita atenção para não cair em buracos, são indispensáveis nessa missão. Três horas de caminhada nessas condições levaram-nos à Pedra Redonda, onde aproveitamos para cozinhar nosso almoço antes de seguir viagem. Nossa proposta era encurtar o tempo da travessia e atacar o cume do Itaguaré no fim do dia, o que se revelou uma péssima ideia. É possível fazer a travessia em dois dias ou até mesmo em um único, onde se caminha no estilo fast and light, rápido e com pouco peso. A dica, porém, é fazer a travessia curtindo os dias na montanha, caso contrário, a expedição se torna uma corrida de aventura!

Parada obrigatória para apreciar o pôr do sol na subida para o Pico dos Marins

Parada obrigatória para apreciar o pôr do sol na subida para o Pico dos Marins
Foto: Daniel Cotellessa

Descemos da Pedra Redonda e entramos numa sucessão de trechos onde se caminha na mata enroscado no bambu, que a todo momento cruza a trilha. Parecia que o bam¬buzinho disputava com um arbusto chamado unha-de-gato, quem faria o maior número de cortes nos nossos braços. Partida acirrada.

Saindo da mata, a temperatura diminuía um pouco. Logo era a hora de alisar a palma da mão para encarar as subidas e descidas pelas rochas, antes de começar tudo de novo, mas era gratificante poder andar com o Itaguaré sempre à vista.

Já eram quase 16h30 quando chegamos ao Castelinho, um campinho desmatado na crista da Serra, de frente para o gigan¬te, com espaço para três barracas, com conforto. Ali, decidimos que aquele seria nosso segundo acampamento, a janela com a melhor vista que já tivemos na vida. Já havíamos andado por longas oito horas, estávamos famintos, sujos e ralados. A previsão meteorológica era de uma piora do tempo na terça-feira, que parecia se confirmar num céu tingido de um leve tom de cinza. Por poucos instantes, algumas nuvens abriram-se e uma luz avermelhada iluminou aquele gigante que pareceu forçar seu nascimento milhões de anos atrás, rasgando a serra como os dentes de uma criança rasgam sua gengiva frágil.

Era hora de armar novamente as barracas e concluir nosso segundo dia. Como o homem que encarou todos os climas, o primeiro viajante, aquele que queria descobrir o mundo, nos sentamos em volta do nosso fogo e preparamos nossa comida enquanto a noite recaía sobre nós.

Terceiro dia: A metamorfose

Ao abrir o zíper da barraca e não ver mais do que cinco ou seis metros adiante, pensei ter acampado de costas para a montanha, até que me dei conta de quão ruim estava o tempo. A umidade era tanta que a espessa neblina borrifava água por cada centímetro. Não poderíamos navegar sem visibilidade, então esperamos por quase duas horas dentro das barracas. Mas, tudo o que acontecia parecia não nos preocupar tanto como antes. Lavar as panelas com capim seco e guardá-las na mochila, levantar a cargueira com peso e sair andando enquanto ainda a ajeitava nas costas, cozinhar e achar sempre tudo delicioso, secar os pés e tratá-los com determinada atenção, não se incomodar com o frio, com o calor, com o chuvisco ou com o vento. A sensação é que tudo isso tinha sido minha rotina a vida inteira. Estávamos nos tornando montanhistas e aquele era nosso batismo. Isto era visível no rosto de cada um de nós quando saímos para nosso último dia na montanha.

Os aventureiros acamparam na frente do desafio final: o imponente Pico do Itaguaré

Os aventureiros acamparam na frente do desafio final: o imponente Pico do Itaguaré
Foto: Daniel Cotellessa

Enfrentamos mais uma hora de trilha até a base do Itaguaré. Para chegar lá, é preciso transpor mais mato e alguns trechos onde não se passa com a mochila nas costas. Há alguns túneis formados por pedras amontoadas logo na base. Nos desequipamos e abrigamos as mochilas num ponto mais protegido da neblina, antes de começar a subida.

Embora mais baixo que o Pico dos Marins, o Itaguaré tem uma ascensão mais íngreme, porém de fácil acesso. Na verdade, a subida não é feita pela face que vemos durante todo o caminho, subimos pela face oposta. Da base, víamos um monte arredondado, sem as ranhu¬ras peculiares. Com vinte minutos, estávamos sentados no cume estreito e gelado, castigados pelos fortes ventos. A exposição à altura deve ser considerada. Caso não se sinta confortável num ambiente desses, é melhor não se arriscar
a desbravar o topo. Há alguns trechos onde é preciso vencer fendas e confiar em suas pró¬prias habilidades físicas e psicológicas.

Tínhamos que continuar nossa jornada. Abandonamos a montanha, seguimos um tra¬jeto curto de descida pelas pedras, onde, logo depois, a mata nos aplicou seu último teste de resistência. A todo instante, a mochila se prendia em algum bambu, não deixando os braços descansarem da tarefa de desenroscar. As mãos, às vezes sem paciência, “acariciavam” um ramo de espinhos numa sessão de acupuntura dolorida. Eram nossas provas fi¬nais, tínhamos que nos dedicar.

A parte final da travessia é um verdadeiro teste de resistência. Duas horas de descidas. Engatamos ponto morto e não paramos. Na verdade, não conseguíamos. Por vezes, os joelhos fraquejavam e a cabeça assumia o papel de músculo incentivador. À medida que descíamos, a floresta ganhava mais vida, pássaros assustados com nossos pés saíam às pressas e, aos poucos, o ar fresco da montanha era deixa¬do para trás e logo substituído pelo ar abafado. Um crescente ruído de água ia nos acompanhando até que uma miragem típica dos de¬sertos brotou na nossa frente. Era o primeiro riacho que cruzávamos, com água que corria ligeira para finalizar o batismo. Lavamos os rostos e as mãos, nos despedimos da travessia, não com um adeus, mas com um até logo.
Depois disso, andamos poucos minutos, cruzamos o riacho mais duas vezes e che-gamos ao local combinado para o resgate. Havíamos terminado nossa primeira travessia, estávamos agradecidos pela chance que a montanha nos dera. Era hora de relaxar e contar os “causos”.


CRIAÇÃO DE UM PARQUE NACIONAL

Gustavo observando as belas cadeias rochosas e o Pico do Marins, à direita

Gustavo observando as belas cadeias rochosas e o Pico do Marins, à direita
Foto: Daniel Cotellessa

A proposta de criação do Parque Nacional Alto da Mantiqueira, entre os Estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, desenvolvida pelo Ministério do Meio Ambiente através do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), já está na etapa da consulta pública.

A ideia da criação do Parque Nacional Alto da Mantiqueira é proteger as últimas grandes áreas contínuas de florestas e campos de altitude da Serra da Mantiqueira, onde, além da importância paisagística, estão as nascentes de cente¬nas de rios que abastecem cidades do Vale do Paraíba e até do Rio de Janeiro.A área do ParNa irá abrigar 14 municípios em três Estados: Itamonte, Itanhandu, Passa Quatro, Marmelópolis e Delfim Moreira, em Minas Gerais, Queluz, Lavrinhas, Cruzeiro, Piquete, Guaratinguetá, Pindamonhangaba, Campos do Jordão e Santo Antônio do Pinhal, em São Paulo, e o município de Resende, no Rio de Janeiro.

Trata-se de um grande projeto, muito importante para a preservação de ecossis-temas serranos, alguns deles considerados como “paisagens de excessão” que são relíquias de climas mais secos e frios do passado, como os campos de altitude. Muitos destes ecossistemas encontram-se fragmentados e bastante ameaça¬dos por algumas culturas, como o reflorestamento utilizando pinheiro e eucalipto.Por se tratar de um projeto intervencionista, muitos moradores e fazendeiros locais temem as medidas que serão levadas a cabo pelo Instituto Chico Mendes de Biodi-versidade. Por conta destas polêmicas, o ICMBio publicou em sua página na internet (www.icmbio.gov.br) diversas perguntas e respostas que esclarecem as propostas.No projeto, bairros rurais não serão desapropriados. OICMBio tomou cuidado em delimitar a área do futuro parque, deixando de fora as comunidades rurais. Serão desapropriadas somente áreas de florestas e campos. A inten¬ção é unir os fragmentos de florestas para que no futuro a área seja contínua.O Parque prevê o fim do plantio de pinheiro e eucalipto, mas estas áreas não serão removidas de imediato. Os proprietários realizarão o manejo necessário, sem expandi-las, para que depois estas áreas possam ser recuperadas. Os empregados das fazendas de Pinus não ficarão desempregados, pois o ICMBio precisará de mão de obra para trabalhar na recuperação de áreas degradadas. Oinstituto irá pagar a desapropriação das terras pelo valor de mercado, contando todas as benfeitorias.As estradas que cruzam a área do Parque não serão impedidas, especialmente aquelas que ligam o Estado de São Paulo ao de Minas Gerais. Algumas estradas rurais poderão, sim, ser fechadas, desde que as áreas façam parte das desapropriações.

De acordo com o projeto do ICMBio, da área total do futuro parque, 64% é atualmente composta por florestas em estágio avançado de sucessão, e só 7,36% é ocupada com silvicultura, agricultura e pastagem. Quase 10% da área do Alto da Mantiqueira é de campos de altitude.

Fonte: ICMBio

DESAPARECIMENTO NA DÉCADA DE 80
No dia 8 de junho de 1985, o escoteiro paulistano Marco Aurélio Bezerra Bosaja Simon desapareceu misteriosamente no Pico dos Marins. Tinha 15 anos de idade e participava, pela primeira vez, de uma excursão ao local, organizada pelo Grupo Escoteiro Olivetano, de São Paulo, e chefiada por Juan Bernabeu Céspedes.
Durante a ascensão ao cume do Pico dos Marins, o escoteiro Osvaldo Lobeiro machucou o joelho numa pedra, o que obrigou o grupo a desistir da subida e retornar ao acampamento-base, estabelecido num sítio a 1.600 metros de altitude.

Marco Aurélio havia sido nomeado monitor da equipe na noite anterior e, segundo os escoteiros, foi incumbido pelo chefe Juan Bernabeu Céspedes de descer na frente, em busca de socorro. Orientado a escrever o número 240 (número do Grupo Escoteiro Olivetano) com giz nas rochas, como sinalização durante a descida, o rapaz partiu para cumprir a determinação e nunca mais foi visto: desapareceu misteriosamente, sem deixar vestígios.

O desaparecimento de Marco Aurélio comoveu o País, que acompanhou pela imprensa escrita e televisiva a operação de busca, realizada incessantemente durante os trinta dias seguintes ao fato, contando com mais de 300 pessoas, entre soldados e oficiais da Polícia Militar, Batalhão de Infantaria do Exército sediado em Lorena, bombeiros, alpinistas, mateiros, guias, voluntários e equipes especializadas em salvamento e busca na selva; parapsicólogos, sensitivos e videntes chegaram a participar dos esforços. A região foi completamente vasculhada e sobrevoada por helicópteros e aviões, sem sucesso.

Por outro lado, a União dos Escoteiros do Brasil não participou direta ou indiretamente dos esforços de busca, preocupando-se em tentar abafar o caso. A já combalida imagem da entidade sofreu sério abalo, que resultou, na época, numa grande evasão nacional do escotismo.

O chefe Juan foi tachado de irresponsável por ter determinado que o rapaz voltasse desacompanhado, descendo sozinho uma montanha onde nunca havia estado antes. Para a polícia, Juan era o único suspeito pelo desaparecimento - a principal desconfiança era a de um crime relacionado com pedofilia - e o chefe escoteiro chegou a ser torturado e hipnotizado por um psicólogo (na época, o Brasil ainda era uma ditadura militar), mas em todos os momentos ele negou a prática de qualquer crime.
As teorias sobre o desaparecimento de Marco Aurélio são as mais variadas possíveis: homicídio, morte acidental, sequestro, fuga voluntária, amnésia, trapaça, abdução, etc.

Como chegar

- De São Paulo:
Siga com destino a Itajubá, com acesso tanto pela Rodovia Fernão Dias quanto pela Ayrton Senna/Carvalho Pinto. No município de Lorena, deve-se pegar a saída 51 para a BR 459, sentido Delfim Moreira e Itajubá.


Esta matéria faz parte da Edição 159 da Revista Aventura & Ação.

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Comentários

walnyr lino

 postado: 11/4/2011 14:17:46editar

Fantástica a aventura de vcs (10!!!), imagino os visuais, as contemplações dessa natureza exuberante.
Estou indo pela 4 vaz à Chapada Diamantina, na proxima semana, especificamente p/ o Vale do Capão onde iremos dar inicio a um dos trekking considerado como um dos mais bonitos do Brasil: do Vale do Capão para o Vale do Paty.

Valeu brothers.

Abraço.

Que bom que gostou!

Um ótimo trekking pra você e sua equipe! Com certeza é um dos mais bonitos do país, sem dúvida!

Um grande abraço!

Fredy Antonio

 postado: 14/4/2011 17:57:18editar

Lindo. Brasil é um país maravilhoso de belezas ímpares!

 

Maria Calixta

 postado: 21/5/2011 14:24:18editar

Moramos no país mais bonitos do mundo e porque não dizer: Brasil é o melhor lugar de se viver no mundo.

Deveriamos aprender Geologia e saber como foi o Brasil há muitos mil anos, sobre as atividades vulcânicas em Curitiba e sobre as sete cidades do Piauí.
Parabéns pelas fotos, nos estimulam o desejo de viajar por estas lindas paisagens!

Olá Maria!
Que bom que você gostou e se sentiu motivada a prática do turismo de aventura.
Esta é nossa proposta!

Abraço!


 

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