Laje de Santos - A Pedra Mágica

Um dos principais pontos de mergulho do estado de São Paulo, Laje de Santos se destaca pela exuberância da fauna, transparência da água e facilidade de acesso

  
  
Revista Aventura & Ação Ed. 151 - O que há de melhor na Chapada dos Veadeiros

Esta matéria faz parte da Edição 151 da Revista Aventura & Ação.

Texto e fotos: Sandro Cesar do Nascimento

É assim que alguns mergulhadores mais apaixonados se referem à Laje de Santos, uma “pedra” com 33 metros de altitude, 550 metros de comprimento e 185 de largura, a aproximadamente 45 quilômetros da cidade de Santos ou Ilha de São Vicente (isso mesmo, para os desavisados, Santos é uma ilha!).

Trata-se da melhor e mais próxima opção de mergulho para quem mora na capital paulista, ou está na cidade por turismo ou a trabalho. A beleza do passeio já se inicia no trajeto rodoviário com o privilegiado visual da Serra do Mar, que se impõe como uma verdadeira muralha, separando o planalto do litoral.

Das marinas próximas à histórica Ponte Pênsil, que liga a Ilha ao lado continental da cidade, saem diversas lanchas rápidas que fazem o trajeto até a Laje de Santos em aproximadamente uma hora e meia. Mas neste percurso, emoldurado pelas diversas praias do outro lado, ninguém tem muita pressa e a sensação é de se estar, literalmente, embarcando numa bela aventura. Nela, o mar é cheio de surpresas, umas boas e outras nem tanto.

A grande pedra do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos propicia um dos melhores mergulhos do Estado de São Paulo, se não, o melhor

A ruim é que ao se sair da região abrigada, passando o farol da Ilha da Moela, o mar pode ficar mais “alto” – ou seja, com certa ondulação que atrapalha a navegação e torna a viagem desconfortável (o passeio pode até ser cancelado). Num dia de sorte, entretanto, além de um solzinho na proa, não é incomum avistar grupos de golfinhos pintados (Stenella frotalis) e do golfinho comum (Delphinus delphis), além da baleia-de-bryde, comuns no verão. Só a partir da metade do caminho, em dias claros, é possível contemplar a Pedra Branca com formato parecido com o de uma baleia, surgindo no horizonte.

Parque Estadual Marinho da Laje de Santos

A Laje é só um dos belos componentes do Parque Estadual Marinho da Laje de Santos (PEMLS), que conta com uma área de cinco mil hectares, formando um grande retângulo abrangendo outros rochedos e parcéis como o Parcel do Brilhante, Parcel Novo, Parcel do Sul, Laje do Bandolim e os Rochedos dos Calhaus.

Criado em 1993, é o primeiro e único parque do Estado de São Paulo voltado para a proteção do ambiente marinho costeiro. Como toda unidade, o da Laje tem suas regras. Não é permitido qualquer tipo de pesca, incluindo pesca submarina. Os mergulhadores têm de ouvir e seguir à risca a orientação dos monitores sobre o que é permitido ou não na área protegida (ainda bem que é permitido fotografar!).

A mergulhadora Claudia Ruotti é visitante assídua da Laje e considera o local excelente para a fotografia submarina

Entre as proibições, não é permitido ancorar. Ao chegar, cada barco tem sua “poita” que nada mais é do que uma pedra para prender uma corrente com um cabo que fica flutuando presa a uma bóia a poucos metros da superfície. Próximo do ponto de amarração, um marinheiro ou instrutor de mergulho pula na água para prender o cabo e aproveita para trazer a bordo informações de visibilidade, direção de corrente e temperatura, que ajudam muito no planejamento do mergulho.

Com os motores desligados e menos balanço da navegação, é possível admirar melhor ainda a paisagem. A água cristalina torna difícil acreditar que há pouco deixamos a costa e as praias de Santos, com suas águas escuras e córregos suspeitos. A Laje é um local repleto de aves como os atobás, gaivotas e trinta-réis que dão o seu show no céu, muitas vezes límpido e ensolarado, nos fazendo pensar sobre o nosso papel na preservação de paraísos como esses.

Mergulho

O trajeto de 25 milhas náuticas (45 km) de Santos até a laje leva aproximadamente 1h30 de navegação

Diagnóstico dado, grupos formados, a ordem é cair na água! Logo na entrada, já somos recebidos por cardumes de salemas ou cororocas, visitantes cativos da região. A visibilidade chega a mais de 20 metros e nos piores dias a 8 metros, uma média muito boa se considerados os outros pontos de mergulho do Estado, como Ilhabela e Ubatuba, que apresentam águas de menos qualidade. A temperatura costuma variar bastante de acordo com as correntes que podem ser frias ou quentes. A média é de 18 a 23º C.

Pode haver também a presença das temidas termoclinas, que são correntes frias a partir de determinada profundidade, no caso, mais ou menos de 12 a 15 metros. A partir daí é, literalmente, uma gelada, nem os peixes ficam abaixo disso.

Mas na Laje não há necessidade de ir muito fundo. O relevo tem uma inclinação de mais ou menos 60 graus que permite se mergulhar a 7 metros, a 15, ou mais, chegando na areia, na maioria dos pontos, a cerca de 20 metros. O ponto mais fundo é o Parcel das Âncoras, que chega aos 42 metros.

Vida marinha

Em dias bons, a visibilidade chega a mais de 20m de distância

Neste santuário marinho, as espécies variam dos cardumes de sardinhas, peixes-cirurgiões e casais de fradesa aos xaréus e garopas, só para citar. Com um olhar mais atento às rochas, é possível encontrar moréias entocadas, polvos, crustáceos, além de corais de diversas cores e tamanhos, como o coral-cérebro. Já entre a farta vida macro, estão os nudibrânquios multicoloridos, blênios e marias-da-toca.

Também não deixe de olhar para cima de vez em quando, pois pode estar nadando sob uma tartaruga-verde ou de pente, alguma espécie de raia e peixes de passagem como barracudas, bonitos e, com sorte, até pequenos cações.

Tanta exuberância da fauna local não é por acaso. Um dos pontos preferidos dos mergulhadores é o naufrágio do Moréia, barco afundado propositalmente a uma profundidade de 21 a 25 metros com o propósito de se constituir num recife artificial, para a alegria dos mergulhadores.

Jamantas

Com uma vida marinha abundante, a laje proporciona encontros fascinantes

A Laje de Santos recebe a visita sazonal de um gigante dos mares, a raia-jamanta (Manta birostris), espécie que chega a uma envergadura de mais de seis metros. Fique tranquilo, ela é totalmente inofensiva e se alimenta de plâncton. Trata-se de um verdadeiro prêmio poder admirar este animal, por isso, se estiver observando alguns peixinhos entre as pedras e a luz do sol sumir de repente ... não se assuste.

Elas são mais facilmente encontradas no inverno (de junho a setembro), possivelmente porque correntes com nutrientes vindas do sul proporcionam o alimento das grandes raias filtradoras. Algumas chegam a pesar mais de uma tonelada. Estas mesmas correntes às vezes trazem muitos pinguins e até um lobo-marinho já foi avistado em uma delas.

Fique atento!

Com uma vida marinha abundante, a laje proporciona encontros fascinantes

Para desfrutar sem riscos tantos atrativos, é preciso um pouco de cuidado. A Laje não oferece muito abrigo e as condições podem mudar rapidamente em mar aberto. Por isso, o rádio VHF está sempre ligado e os boletins meteorológicos são ouvidos com atenção. Ao menor sinal de ventos fortes a caminho, o mergulho é abortado e a navegação de volta é iniciada. A segurança deve estar em primeiro lugar, sempre.

Outra preocupação é a presença de correntes que variam de moderadas a fortes podendo causar problemas para os mergulhadores voltarem aos seus barcos. Por isso, as operadoras de mergulho tomaram medidas extras de segurança. Todos têm que mergulhar com uma bóia sinalizadora inflável. Assim, se o mergulhador distraído sair longe e não conseguir voltar para o barco, será facilmente achado com o dispositivo inflado. Além disso, o uso de sinalizadores sonoros são extremamente recomendados.

Instituto Laje Viva

“É dever de todos os que visitam a área evitar comportamentos que possam interferir no ambiente, tais como subir no rochedo, jogar detritos no mar, molestar, pescar ou capturar qualquer espécie, viva ou morta.” As regras para boa convivência entre homem e natureza no parque são claras, mas apesar da proibição, não faltam pescadores ou caçadores para desrespeitar os limites e regras do parque.

Isso causou uma profunda indignação em alguns mergulhadores, em especial, Guilherme Kodja. Dessa indignação, surgiu a ONG Laje Viva, criada por Guilherme e outros amigos interessados em apoiar a proteção do PEMLS. Com esse intuito, desde 2003, a organização denuncia pessoas que fazem mau uso do parque e age em prol da preservação e proteção da unidade. Também desenvolve trabalhos científicos, ambientais e educacionais. Atualmente o grupo está trabalhando em uma publicação sobre a Laje, que deve revelar um pouco sobre da peculiar beleza do local.

Na internet

Olhando as rochas mais de perto pode-se encontrar moréias entocadas, polvos, crustáceos, além de corais de diversas cores e tamanhos

Visite o site: www.lajeviva.org.br

Operadoras de mergulho
Entre em contato para obter mapas, endereço da marina, preços e outras informações úteis

Anekim
(11)9261-7635
www.anekim.com.br

Atm Diver (Byroska)
(11)9978-7347

Atmosfera I
(13) 8125-1676
www.lajedesantos.com

Cachalote
(13) 3022.0124
www.cachalote.com.br

Kayak
(13) 3567-2166

Nautilus Dive Center
(11) 4485-2075
www.nautilusdive.com.br

Orion diver
(13) 3467-4735
www.oriondiver.com.br

Pacific
(11) 4991-1640

Pontos de Mergulho na Laje e arredores

Portinho
Certamente um dos pontos mais visitados, possui baixa dificuldade e é indicado para menos experientes. O mergulho pode ser bem raso ou até de snorquel, o que não diminui a grande chance de se avistar tartarugas e raias. Fique atento ao azul, é o ponto provável de se encontrar os cardumes.

Naufrágio Moréia
Começa num banco de areia a 21 metros e está numa fase de desmantelamento e, por isso, o mergulho não é aconselhável, mas o lugar possui um belo visual, principalmente à noite.

Boca da baleia
Este lindo ponto é repleto de cardumes, mas cuidado, quando a corrente estiver forte, preste muita atenção ao refluxo no local.

Piscinas
Pode ser considerado o ponto mais bonito da Laje e fica bem na virada da pedra para o paredão do lado sul, seguindo-se a direção oeste do Portinho.

Parcel das Âncoras
Logicamente há várias âncoras abandonadas no local, é um ponto para quem quer ir mais fundo e este ponto chega aos 42 metros. Evite se houver termoclina.

Paredão
Fica do outro lado da Laje. Este paredão vertical não tem muitas fendas e, por isso, é muito bom para ver peixes de passagem.

Calhaus
Este rochedo é fantástico e permite a observação de muitos cardumes, tartarugas e peixes de passagem. Fica próximo à “grande pedra”, mas é difícil haver condição ideal para visitar este ponto. Como tem muita corrente e nenhum abrigo, é bom para um drift (mergulho de correnteza)

Como chegar
Saindo da cidade de São Paulo siga pela via Imigrantes direto até Santos.


Esta matéria faz parte da Edição 151 da Revista Aventura & Ação.

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