Pérola das Montanhas

Situada na Mantiqueira, Gonçalves é uma boa opção de aventura nas montanhas, em meio a muitas cachoeiras e a saborosa culinária mineira

  
  

Esta matéria faz parte da Edição 147 da Revista Aventura & Ação.

Texto e fotos: Daniel Cotellessa

Localizada no sul do estado de Minas Gerais, a 180 km de São Paulo e a 1.350 m de altitude, entre Campos do Jordão e Monte Verde, a pequena Gonçalves, no topo da Serra da Mantiqueira, é privilegiada por muitas belezas e paisagens naturais. Florestas de araucárias, remanescentes de Mata Atlântica, cachoeiras de águas cristalinas, montanhas rochosas que chegam a 2.100 m de altitude e inúmeros cursos d’água fazem da região o lugar ideal para a prática de atividades de aventura, turismo rural e passeios em veículos 4x4.

Muito procurada no friozinho do inverno, devido ao clima subtropical de altitude que chega a sete graus negativos, a paisagem costuma ficar coberta por uma fina camada de gelo, dando um ar bucólico e romântico à cidade. No verão a temperatura chega facilmente a 30 graus, possibilitando deliciosos banhos de cachoeiras, em contato com a mata bem preservada da região.

As fazendas conservam o jeito das casas típicas da roça, com estruturas em toras de madeira e paredes em pau-a-pique. O bairro dos Venâncios resguarda algumas delas e vale a pena conhecer o lugar.

Cachoeira do Cruzeiro, em MG

A culinária regional conta com receitas tradicionais mineiras como tutu de feijão, broa de milho e queijo fresco, e pode ser apreciada em vários restaurantes e pousadas, preparada em antigos fogões a lenha, como manda a tradição.

Outros destaques são as expressões culturais, tais como artesãos que trabalham esculpindo santos, carrancas e móveis artesanais. A cidade foi adotada como lar por artistas plásticos e artesãos que vieram para este canto mineiro com o objetivo de buscar inspiração.

- “Larguei minha profissão em São Paulo para morar na montanha e ter uma nova vida” comenta o proprietário do “restobar” Porto do Céu, Sergei Kotolevzev, que junto de sua mulher Sonia Sarto, senta-se em sua mesa para bater papo, enquanto a banda de Rock/Blues e MPB toca ao vivo.

A cidade faz limite ao norte com Paraisópolis (MG), ao sul com Sapucaí Mirim (MG), a leste com São Bento do Sapucaí (SP) e a Oeste com Camanducaia (MG). E o município de Gonçalves é reconhecido pela EMBRATUR pelo seu alto potencial turístico desde julho de 1995. Pertence a APA (Área de Proteção Ambiental) Fernão Dias, criada em junho de 1997.

Se o que você procura em um destino está relacionado a essa diversidade de opções, não deixe de visitar essa pérola da Mantiqueira.

Circuito das Cachoeiras

Por conta do seu relevo acidentado, Gonçalves abriga muitos rios e cachoeiras, algumas delas acessíveis por trilhas e outras não, portanto, é fundamental contratar um guia!

Pedra Chanfrada

Nosso guia, Alecsandro Borges, da base de esportes Tribo da Montanha, iniciou o dia com o circuito de aproximadamente quatro quilômetros para conhecermos as cachoeiras da região. A trilha começa dentro da pousada Trem das Cores e, caminhando com tranqüilidade, em 20 minutos chega-se à cachoeira Sete Quedas, de visual incrível. Após admirá-la, uma subida íngreme e, ao final dela, a cachoeira do Retiro com um poço para repor as energias num refrescante banho. De lá, admiramos o vale que leva o mesmo nome da cachoeira.

Seguimos então por uma trilha até a cachoeira do Cruzeiro. O acesso se dá por trechos de mata e pastagens e, de lá, temos vista para o Mirante do Cruzeiro, local de onde se avista grande parte da região. Da cachoeira avistamos o vale do Sertão do Cantagalo.

Para chegarmos à cachoeira do Simão, percorremos uma outra trilha que nos levou ao primeiro ponto, de onde seguimos de carro por cinco minutos (existe a opção de fazer esta trilha a pé). Ao chegar, encontramos uma queda de sete metros de altura, dividida em dois segmentos. Um deles, desaguando em uma larga piscina que à direita recebe as águas de outro córrego; em seguida, as águas esculpem um estreito "canyon" de paredes verticais, que passa por uma ponte e segue sob um sombreado túnel formado por grandes árvores de mata ciliar.

A última das cachoeiras do circuito, a cachoeira das Andorinhas, fica um pouco mais afastada, a dois quilômetros do centro, e a melhor opção é ir de carro. São dois saltos principais, o primeiro com cerca de 7 m de altura e o segundo com 10 m de altura, que formam piscinas naturais, para um último e delicioso banho.

Trekking pelas Montanhas

Gonçalves tem nos mirantes naturais algumas de suas principais atrações. Um dos mais procurados chama-se Pedra Chanfrada, de onde se avista a Pedra do Baú. Também popular, a Pedra do Forno oferece vista panorâmica de toda a região e há ainda a Pedra de São Domingos e a Pedra Bonita, o lugar mais alto da cidade com 2.120 m de altitude.

Bóia Cross

Nosso roteiro incluía subir duas pedras, a do Forno e a Chanfrada. A primeira que subimos foi a do Forno, uma grande formação rochosa de 1970 m de altitude. Seu acesso se dá por uma trilha a partir do bairro da Terra Fria. A trilha passa pelo meio da mata e o percurso leva no mínimo uma hora de caminhada. A trilha é íngreme e, ao chegar ao sopé da pedra, existe uma escada de ferro presa à rocha para auxiliar na última parte. De lá, se avista a Pedra do Baú (São Bento do Sapucaí), Campos do Jordão, Monte Verde e a Pedra de São Domingos.

No topo da pedra do Forno existe a capela Nossa Senhora Aparecida, onde todos os anos, na sexta-feira santa, uma peregrinação sai do bairro São Sebastião das Três Orelhas e vai até o topo, onde acontece uma missa.

A próxima pedra, a Chanfrada, está localizada no mesmo bairro da pedra do Forno, mas fica a 1.771 m de altitude. Ela recebe este nome por ter um corte oblíquo, de 130 metros, em um dos lados. A vista que se tem do topo da pedra é espetacular! É possível enxergar grande parte da região de Campos do Jordão, Paraisópolis e Itajubá. O acesso até o topo é feito por trilhas em 40 minutos de caminhada, sendo metade do percurso por pastagem e a outra metade por mata nativa, com muitas araucárias.

Bóia-Cross e Cascading

Antes de descermos em bóia o rio Capivari, o guia nos dá instruções de descida e segurança para a prática de bóia-cross, além de detalhar as características das corredeiras. Após descer algumas vezes as corredeiras estamos preparados para iniciar o percurso de três quilômetros de extensão.

Trilha Pedra do Forno

Sentados no bote, enfrentamos cerca de 10 corredeiras, cada uma com características peculiares. A adrenalina sobe com o barulho das quedas que vêm pela frente, temperada com a expectativa de mais ação. Cada corredeira vencida motiva ainda mais a seguinte. A brincadeira é divertida, mas se você não levar uma muda de roupas e toalha, terá que voltar molhado para a cidade.

A segunda etapa do dia não envolve bóias, mas sim cadeirinhas, mosquetões, capacete, freios oito e cordas para descermos a Cachoeira dos Henriques, onde há um grande volume de água, ideal para a prática de cascading.

Depois de montada a base fixa, é hora de descer cachoeira abaixo. São duas descidas em quedas diferentes de mais ou menos 15 m de altura. Na última queda, chega-se a um lago com “hidromassagem” natural, de águas cristalinas, com vista para um vale profundo com entorno de vegetação de mata atlântica de altitude, toda preservada em sua extensão, onde se vê muitas bromélias e orquídeas. Um lugar de extrema beleza e um roteiro que não pode faltar quando você estiver na região.

Outros Atrativos

Cascading

Pedra de São Domingos - Pico de 2.050 m de altitude, com visão de 360º, sem obstáculos. Acesso por trilha pelo bairro do Cantagalo ou de carro até o topo pelo bairro Campo dos Raposos. Está a 15 km de Gonçalves.

Pedra Bonita - Pico de 2.120 m de altitude com vista panorâmica que inclui o Vale do Paraíba. É o ponto mais alto da região. Saindo de um vale a 1.650 m de altitude, atravessam-se campos, riachos, bosques e florestas em diversos estágios de desenvolvimento. No topo, grandes blocos de rochas formam platôs, lâminas e escarpas, com vista para a parte do sul de Minas, Vale do Paraíba e Serra do Mar.

Pedra do Cruzeiro - Maciço rochoso que emerge isolado no Vale do Lambari. Assume formas variadas conforme o ângulo de visão. O topo está a 1.152 m de altitude onde há uma pequena capela e uma cruz. Em uma das faces há uma fenda que leva a uma gruta, de difícil acesso.

Mirante do Cruzeiro - No topo de um morro de contorno suave, coberto de pastagens e fileiras de araucárias, a 1.488 metros de altitude, é o local ideal para se avistar a cidade toda.

Serra da Balança - É uma sucessão de picos formando estreitos platôs, como um muro ascendente em forma de ferradura que culmina com o Alto do Campestre. As altitudes vão de 1.300 a 1.750 m e alguns têm paredões verticais de mais de 100 m voltados para o Vale do Sapucaí.

Pedra do Barnabé - Na arborizada estrada para o bairro do Campestre há um trecho à esquerda, em que a paisagem se abre para um conjunto de montanhas rochosas, erguidas do profundo vale do Ribeirão Campestre. Conhecidas como "Pedra do Barnabé" ou "Pedra do Campestre", a 1.780 m de altitude, assemelham-se a duas pirâmides com paredões fortemente inclinados e uma densa floresta de araucárias escalando seus flancos.

Cachoeira Fazendinha – Localizada na estrada que liga a cidade ao bairro Sertão do Cantagalo, 1 km antes da vila, seguindo à esquerda no entroncamento por 800 metros, contornando a mata até chegar às quedas. Com cerca de 100 m de extensão, a cachoeira desce por uma longa encosta inclinada, formando pequenas piscinas em campo aberto até terminar numa queda maior, dentro de um bosque cercado de samambaias gigantes, a 1.650 m de altitude.

Localização e acesso

Pegue a Rodovia Fernão Dias, entre em Cambuí, siga até Córrego Bom Jesus, e depois por 25 km de estrada de terra. Você irá passar pelo bairro dos Costas e depois são mais 9 km até Gonçalves.

Agência receptiva
Base de Esportes
Tribo da Montanha
(35) 3654-1172
www.tribodamontanha.com

Preços das atividades
Cascading - R$ 70 (incluindo treinamento e duas descidas em rapel)
Bóia-Cross - R$ 70 (incluindo transporte, treinamento e fotos)
Canyoning - R$ 80 (incluindo treinamento e 4 descidas)
Trekking Pedra Bonita - R$ 40
Trekking Pedra do Forno – R$ 30
Trekking Pedra Chanfrada - R$30
Circuito Cachoeiras - R$ 25
Trilha da Cachoeira do Tonho Nego - R$ 25 (caminhada por dentro do rio durante o verão e trilha na mata durante o inverno)
Trilha da Cachoeira de São Sebastião - R$ 25 (caminhada por mata fechada e bosque, tempo de duração 3h)
Cavalgada para Serra da Balança - R$ 20 a hora do cavalo (cavalgada por pastagens, mata nativas, bosque de araucárias e por pontos de até 1.800 m de altitude, com vista de 360° para os municípios de São Bento do Sapucaí, SP, e Gonçalves, MG, tempo de duração 3h)

Alimentação
Porto do Céu Restobar
(35) 3654-1233
www.portodoceu.art.br

Sauá Restaurante
(35) 3654-1350

Restaurante Vale das Hortências
(35) 3654-1119

Le Gourmet Bistrot

(35) 3654-1240

www.legourmetbistrot.com.br

Hospedagem
Pousada Serra Vista
(35) 3654-1314
www.pousadaserravista.com.br

Pousada Bicho do Mato
(35) 3654-1350
www.pousadabichodomato.com.br


Esta matéria faz parte da Edição 147 da Revista Aventura & Ação.

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