Artesã carioca inova apostando em elementos da flora brasileira

Natureza é matéria-prima da artista Mônica Carvalho, que utiliza diversos materiais para criar suas obras

  
  

Troncos, galhos, frutos, pedras, cabaças e conchas. Nada que vem da terra escapa ao olhar atento da artesã carioca Mônica Carvalho. Dona de um estilo ousado, ela mistura diferentes materiais para criar de objetos de decoração a acessórios. Pela originalidade e qualidade, o ateliê da artista ficou entre as cem melhores unidades produtivas do Brasil.

"Estou muito orgulhosa”, diz Mônica, que pela primeira vez concorre ao Top 100 e espera que este prêmio, concedido pelo Sebrae Nacional, abra ainda mais o caminho para a valorização do artesanato.

Para a artista, a diversidade de matérias-primas brasileiras é um enorme diferencial, pela riqueza de cores e texturas. Há onze anos, Mônica pesquisa e se encanta cada vez mais com a riqueza da nossa flora como a fibra de palmeira de tururi, o fruto moeda, que tem textura e aparência semelhante ao couro, ou o cálice, uma flor aveludada. Essas plantas são usadas em diversos artigos de decoração como luminárias, esculturas, quadros, cortinas e toalhas.

As fibras também estão presentes nos acessórios. Bolsas, colares, brincos e pulseiras são valorizados ainda com outros materiais como sementes, contas étnicas, couro e prata. A versatilidade rendeu a Mônica um contrato com o costureiro inglês Eskandar, e há cinco anos as peças dela também são encontradas em Dubai, Emirados Árabes, e na capital francesa, Paris.

“Ao mesmo tempo que meu trabalho é internacional, ele também chama atenção pela personalidade e brasilidade. Não estou interessada em fazer uma bolsinha como todo mundo faz, porque me interesso por peças elitizadas, refinadas e, sobretudo, muito bem acabadas. A qualidade é um fator muito importante”, avalia.

Idéias na cabeça

Para transferir o conhecimento, Mônica desenvolve trabalhos com diversas comunidades e cooperativas que têm o artesanato como fonte de renda. “Quero e preciso ter cada vez mais acesso junto a essas pessoas, que são maravilhosas e detêm o poder do trabalho. Procuro ajudar na qualificação, a partir do que elas vêem, mas dando uma leitura contemporânea ao produto para que seja mais facilmente aceita pelo mercado”, afirma.

O ponto de partida da carreira desta ex-professora de inglês, veio a partir de um contato com artesãos de Lavras Novas, quilombo ao lado de Ouro Preto (MG). Observando a destreza e a habilidade do trançado de cestos, ela se interessou pela técnica e voltou ao Rio cheia de materiais e idéias na cabeça. Os alunos foram os primeiros clientes e com a repercussão positiva, ela mudou de profissão. O talento também foi apurado ao estudar teoria da arte no Museu de Arte Moderna (MAM) no Rio de Janeiro, no Metropolitan, em Nova Iorque, e no Louvre, em Paris.

“Sempre fui muito jeitosa, mas é difícil liberar a criatividade por medo das críticas. Hoje, sinto muito orgulho daquela época porque fui muito bem acolhida por pessoas paupérrimas, mas cheias de dignidade. Estava em uma fase triste da minha vida e com elas encontrei este caminho que se transformou no meu trabalho”, avalia.

Serviço:
Agência Sebrae de Notícias - (61) 3348-7138 e 2107-9362 www.agenciasebrae.com.br
Sebrae/RJ - (21) 2212-7971
Ateliê Mônica Carvalho - (21) 2547-9989

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

  
  

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