Artesanato alagoano é reconhecimento nacionalmente

Cinco unidades produtivas de artesanato no Estado de Alagoas foram escolhidas entre as 100 melhores do Brasil pelo Prêmio Sebrae Top 100

  
  

O artesanato alagoano mais uma vez ganha reconhecimento nacional. Entre as 100 unidades produtivas artesanais escolhidas para receber o Prêmio Sebrae Top 100 de Artesanato, cinco são de Alagoas: Caleidoscópio, Associação das Artesãs de Pontal de Coruripe, Cooperativa das Artesãs da Ilha do Ferro, Associação de Inclusão Social Bordadeiras de Penedo e a Associação das Artesãs de Feliz Deserto.

Para Marcos Vieira, superintendente do Sebrae em Alagoas, o artesanato é uma das maiores representações culturais do povo brasileiro e possui grande importância para o desenvolvimento econômico do Brasil. Segundo ele, o artesanato possibilita a inclusão social e é instrumento de desenvolvimento e fortalecimento da identidade cultural.

O Prêmio Sebrae Top 100 de Artesanato tem como objetivo reconhecer e valorizar o trabalho realizado por artesãos de todo o País, selecionando as 100 unidades produtivas mais competitivas do Brasil. “Estética, arte e cultura são importantes para a confecção de peças artesanais, porém, o que diferencia o Top 100 de Artesanato da maioria dos prêmios é o fato da avaliação ir além destes requisitos e levar em conta processos produtivos com foco no mercado”, afirma Vieira.

No processo de avaliação, as concorrentes tiveram que atender 11 critérios de avaliação do Top 100, entre eles, o grau de inovação dos produtos, adequações econômica, logística, correção ambiental, significação cultural e situação ergonômica dos postos de trabalho, a eficiência produtiva e práticas comerciais e responsabilidade social.

“Os critérios foram rigorosamente cumpridos e os jurados tiveram dificuldades na escolha devido à grande competitividade dos candidatos. Entre os jurados estavam o consultor de empresas na área de Marketing, Comunicação Corporativa e Vendas, Eloi Zanetti; o designer industrial e gerente da Unidade de Negócios de Informação e Gestão Tecnológica da Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica Industrial (Abipti), Alceu Castelo Branco; a especialista em Varejo e diretora da Profashional Editora, Sandra Tescher; e a jornalista e curadora especializada em Design, Adélia Borges.

Segundo a gerente da Unidade de Turismo, Artesanato e Cultura do Sebrae/AL, Vanessa Rocha, o reconhecimento nacional é muito significativo para as classificadas. Mas ela adverte que com a premiação, as unidades produtivas têm maiores responsabilidades em oferecer produtos de excelente qualidade e com alto valor cultural agregado. “Os consumidores nos mercados nacional e internacional são cada vez mais exigentes e sempre compram dos grupos e empresas artesanais que têm capacidade em atendê-los”, afirma Vanessa.

Artesãos de Pontal de Coruripe

Para Edilene Souza, artesã da Associação dos Artesãos do Pontal de Coruripe, estar na lista do Top 100 dará mais visibilidade à produção artesanal local. “O prêmio é uma forma de reconhecer e valorizar o trabalho dos artesãos que ainda sofrem com o preconceito daqueles que vêem seus trabalhos como peças rudimentares”, disse Edilene.

Essa é a segunda vez que a Associação recebe o prêmio. De acordo com Edilene, a premiação rendeu aumento de 80% nas vendas das peças inscritas no Top 100 2006 (mandala, bolsa e porta-bolo). Este ano, as artesãs criaram, além desses itens, uma bolsa bordada.

Todas as peças confeccionadas pela Associação têm como matéria-prima a palha de ouricuri. A produção é comercializada em vários estados brasileiros e no ano passado a Holanda encomendou suplas, porta-bolos, bolsas piquenique e caixas, o que resultou em mais de R$ 2 mil para a Associação.

A Associação foi formada há 10 anos, quando artesãs de Coruripe receberam uma encomenda de mil viseiras feitas de palha de ouricuri. Dezenove mulheres se juntaram para atender ao pedido e logo procuraram a prefeitura e o apoio de instituições como o Sebrae/AL, que ajudaram a consolidar o que antes era apenas um sonho: a Associação dos Artesãos do Pontal de Coruripe.

Atualmente, são 40 artesãs que produzem por mês mais de 800 peças. Segundo Edilene, cada artesã ganha de um a dois salários mínimos.

Bordadeiras de Penedo

Em 2005, um grupo de 10 artesãs se uniu para fortalecer a produção artesanal de Penedo. Foi então que Francisca Lessa fundou a Associação de Inclusão Social Bordadeiras de Penedo. Atualmente são 40 artesãs que produzem miniaturas de patrimônios históricos e bordados com paisagens, como o Rio São Francisco.

Esta é a primeira vez que as artesãs participam do prêmio. A associação enviou miniaturas de igrejas e do Teatro Municipal 7 de Setembro, além de porta-jóias e colchas com bordados. Segundo Francisca, as artesãs ainda enfrentam algumas dificuldades na comercialização do produto e para ela, um dos motivos é que apesar de Penedo ser uma cidade histórica, a procura de turistas pelo lugar é pequena.

“Para valorizar o nosso trabalho e divulgar a a cidade, começamos a criar peças que caracterizam a região. É a primeira vez que participamos do Top 100 e acreditamos que este é um passo importantíssimo para mostrar nossa arte para todo o Brasil.”, diz a artesã.

O artesanato também é fonte de emprego e renda para os penedenses. Quando a associação começou, o faturamento mensal era de R$ 800,00. Atualmente, só o bordado gera um faturamento de R$ 2.500,00 por mês.

De acordo com Francisca, a formalização da Associação foi fundamental para o crescimento nas vendas. Segundo ela, a regularização só foi possível graças ao incentivo do Instituto de Promoção Cultural Antônia Diniz Dumont (ICAD), que colocou entre as exigências para a realização de uma oficina de bordados a formalização da entidade.

“Uma escritora mineira veio lançar o livro ABC do São Francisco aqui em Penedo, gostou do nosso trabalho, mas sabia que precisávamos de um direcionamento. Ela nos indicou para o ICAD, que só daria o curso se estivéssemos formalizadas. Nos formalizamos, aprendemos a trabalhar as paisagens e coordenar as cores das linhas. Hoje recebemos mais apoio de instituições como o Sebrae, que nos permite trabalhar melhor o artesanato, por meio de capacitações e nos apóia no acesso a novos mercados”, explica Francisca.

Em 2007, Francisca Lessa foi vencedora do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, nas etapas estadual e regional, pela categoria 'Associações ou Cooperativas de Pequenos Negócios'. O prêmio dava direito a um curso para a vencedora. Francisca trocou este curso por uma capacitação em design que beneficiasse todas as artesãs da Associação de Inclusão Social Bordadeiras de Penedo.

“Todas ficaram animadas e participaram. Aprendemos a deixar nossos produtos bem acabados, atendendo as exigências dos consumidores atuais que não querem só uma peça bonita, querem a união da simplicidade e do requinte numa mesma peça”, finaliza a vencedora.

Os principais clientes da associação são os turistas, a Caleidoscópio e os mercados de São Paulo e Bahia (Costa do Sauípe). As réplicas de prédios históricos de Penedo já foram vendidas até para Milão.

ArtIlha

Em meio à diversidade que o artesanato de Alagoas oferece - sendo conhecido no mercado nacional com a tradição do filé e do labirinto - está o 'boa noite', um tipo de bordado que reproduz uma flor de caatinga e que só pode ser encontrada na Ilha do Ferro, povoado no município de Pão de Açúcar, Região do Cânion do São Francisco.

Na região, o ofício é exercido por mulheres e o artesanato é a maior fonte de renda dos moradores da Ilha, que fica a 227 quilômetros de Maceió. De acordo com Cintia Souza do Nascimento, artesã da Cooperativa das Artesãs da Ilha do Ferro (ArtIlha), o bordado cada vez ganha mais visibilidade. “Já estamos vendendo o bordado para outros Estados, como Pernambuco e São Paulo. Por ser genuinamente alagoano, o nosso produto é bem valorizado e com o apoio do Sebrae estamos ampliando o mercado”, afirmou a artesã.

Transformação

Há alguns anos, o artesanato vem passando por uma fase de transformação. A produção se torna cada vez mais elaborada, deixando para trás peças rudimentares e colocando a mostra um artesanato que se preocupa em agregar valor aos seus produtos. Além de preço, os clientes querem inovação e qualidade. Por isso, os artesãos procuram utilizar diversos recursos para aumentar suas vendas, como unir matérias-primas diferentes em uma mesma peça, mesclando, por exemplo, madeira, tecido e pedrarias. Assim, as peças saem do aspecto rudimentar e se tornam itens requintados.

Para o superintendente do Sebrae/AL, Marcos Vieira, o fator central desta mudança chama-se 'mercado'. “Com o crescimento da oferta desses produtos, o mercado ficou mais exigente e busca uma estrutura mais organizada, capaz de garantir preço, beleza e qualidade. Além disso, a questão cultural também é um fator bastante relevante, pois quem compra artesanato sabe que está adquirindo um produto diferenciado, que traz consigo uma história”, explica Vieira.

Segundo ele, o Sebrae/AL, por meio do seu núcleo de Design, tem trabalhado junto aos artesãos para que eles possam tornar a produção local mais competitiva e assim tenham acesso a novos mercados.

Em 2008, uma parceria entre a rede Florense de móveis e decoração e Sebrae/AL gerou o lançamento da Coleção Alagoas, na qual 240 artesãs de oito comunidades do interior do Estado receberam consultorias que trouxeram melhorias de acabamento e padronização no produto final. As peças da coleção deram origem a um catálogo e ficaram expostas durante um mês na Florense de Maceió, onde foram realizadas várias rodadas de negociação. Além disso, a coleção será exposta este mês em uma feira em São Paulo. Das cinco associações classificadas no Top 100, três delas fizeram parte da Coleção Alagoas.

Para entender a necessidade dos consumidores, o Sebrae desenvolve pesquisas que estudam as tendências mercadológicas. Os consultores avaliam essas tendências e propõem melhorias sem interferir nas características dos produtos artesanais.

Para Marta Melo, consultora do Programa de Design do Sebrae/AL, o design é uma ferramenta que auxilia no fortalecimento do artesanato alagoano. “O papel do designer, além de orientar nas questões técnicas como acabamento, funcionamento do produto, auxilia também em ações estratégicas de mercado. Ou seja, o designer busca o mercado certo, o público certo, para aquele determinado produto artesanal”, explica Marta.

Premiação nacional

A cerimônia de entrega do Prêmio Sebrae Top 100 de Artesanato será realizada no Rio de Janeiro no período de 13 a 15 de maio, culminando com uma rodada de negócios.

Além de participar desse evento, as 100 unidades vencedoras irão receber um selo 'Prêmio Sebrae Top 100 de Artesanato - 2ª edição' para ser usado até março de 2010; participarão de duas rodadas de negócios organizadas pela Instituição em 2009 e terão três de seus produtos divulgados no site do Sebrae, em um CD e em catálogo promocional.

Serviço:
Sebrae em Alagoas - (82) 4009-1653

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

  
  

Publicado por em

Antonia Gonçalves

Antonia Gonçalves

15/06/2011 15:24:42
Fiquei muito feliz em ver a minha pequena Penedo que já foi palco de tantas manifestações artisticas, berço da cultura alagoana, tão esquecida pelos governantes estar agora mostrando ao mundo o trabalho do seu povo.Me orgulho dessa terra,apesar de estar longe não esqueço o meu povo. Parabéns a todos que contribuíram por esta nobre causa.