Artesanato com couro de peixe é exemplo de redução da pegada

A Associação de Mulheres Amor-Peixe composta por um grupo de 10 artesãs de Corumbá é um exemplo de redução da Pegada Ecológica.

  
  

A Associação de Mulheres Amor-Peixe composta por um grupo de 10 artesãs de Corumbá é um exemplo de redução da Pegada Ecológica. Elas descobriram que podiam aproveitar um material que antes ia para o lixo – o couro de peixe –e transformá-lo em belos produtos artesanais. Aprenderam técnicas de curtimento do couro, costura, bordado e design.

Com criatividade e determinação, usam o material para a produção de bolsas, cintos, carteiras, roupas, agendas, pulseiras, bijuterias e tudo que a imaginação permite criar.

Além da produção de artesanato, a associação desenvolve atividades socioeducativas. Com o apoio do WWF-Brasil, desde 2003, a associação melhorou o seu processo de organização coletiva. A ONG, que atua na região por meio do Programa Pantanal para Sempre, apoiou as artesãs organizando oficinas de educação ambiental, organização coletiva, gestão e design.

O conhecimento adquirido ajudou as artesãs a se organizarem melhor e a produzir produtos mais atrativos para o mercado, valorizando a icnografia e a tradição do Pantanal.

Na Amor-Peixe, nada é jogado fora. “As escamas se transformam em colares, brincos, e qualquer retalho do couro serve para produzir algum tipo de artesanato”, diz a presidente da associação, Joana Ferreira.

O próximo passo agora é encontrar uma técnica com corantes naturais. Atualmente, os que estão disponíveis servem para tecidos e não se adaptam ao couro de peixe.

Por isso, é preciso testar outros produtos naturais que se adaptem ao couro de peixe. “Queremos chegar a ter um produto 100% natural”, destaca a associada Rita Conceição Alves, cuja história de superação foi construída por meio do trabalho com o grupo.

A convivência com as associadas ajudou Rita a reciclar a própria vida e a se manter longe das drogas. Também resgatou a confiança dela em si mesma e no seu potencial transformador. Ela voltou a estudar, concluindo o ensino médio e se prepara para entrar na universidade.

Defensora da natureza, ela conta que pegava tudo que encontrava sobre meio ambiente e levava para os colegas na escola. “Gosto de repassar essas informações porque acredito que assim estou contribuindo para conservar o nosso futuro”, diz Rita.

A associação também está trabalhando para ampliar o trabalho envolvendo também a colônia de pesca. Isso porque, boa parte do couro de peixe utilizado na produção vem da tilápia, que é produzida em cativeiro.

O couro de peixes nativos do Pantanal, como o pacu e a piranha, ainda é restrito ao que é tirado do peixe que as famílias das artesãs consomem. Para ampliar a produção, as artesãs querem atuar junto aos pescadores e adquirir esse material que até o momento não é usado.

Outra etapa é treinar filhas de pescadores para se juntarem à associação. “Estamos muito felizes e confiantes no futuro”, diz Joana. Pantaneira e de família de pescadores como a maior parte das mulheres que compõem a associação, ela aprendeu que em se tratando de couro, o resíduo não é o final, mas o começo.

Essas mulheres pantaneiras aprendem cada dia mais o que significa a expressão “resíduo do resíduo”, onde nada se perde, tudo se transforma, mostrando, na prática, como contribuem para a redução da pegada ecológica.

Desfile de moda
O trabalho das artesãs foi mostrado ao público com um desfile de moda na casa do Artesão, após a palestra sobre Pegada Ecológica. As modelos eram as filhas, netas e sobrinhas das artesãs. As meninas fizeram bonito no palco – na verdade uma calçada no pátio interno da Casa do Artesão. O evento foi mais uma demonstração de integração e de valorização da cultura local.

Fonte: WWF

  
  

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Carminha oliveira

Carminha oliveira

16/05/2010 22:38:15
Fiquei muito interessada, e gostaria de saber mais, pois moro no litoral do Rio Grande do Sul e já faço alguns bordados com escama de peixe.

Equipe EcoViagem

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