Artesanato com palha de ouricuri já dura mais de 100 anos

Em Pontal de Coruripe (AL), a tradição é passada desde cedo, e crianças aprendem a arte observando mães e avós

  
  
O artesanato centenário

Por entre as ruas estreitas de Pontal de Coruripe, lugarejo a 80 km da capital alagoana, a palha de ouricuri reina em forma de artesanato. É comum observar nas calçadas peças como bolsas, mandalas, suplás e cestarias, que trazem em si a marca de um artesanato de tradição, que já completou mais de 100 anos. É a partir da palha extraída da palmeira de ouricuri que mais de 40 mulheres da Associação do Pontal de Coruripe transformam matéria-prima em arte.

Para Dona Maria da Luz, artesã da Associação, no Dia do Artesão, comemorado na próxima quinta-feira (19), os artesãos de Pontal de Coruripe têm que festejar a força dessa arte, que passa de geração para geração. Ela, com 62 anos, conta que desde criança observava a mãe fazendo artesanato com a palha da palmeira. Aprendeu a confeccionar as peças e hoje não consegue parar.

“Não posso ficar sem fazer ouricuri. Já mudei de emprego, mas não tinha jeito, voltava para o artesanato. Acordo e já pego a palha. Pra você ter uma idéia, tenho uma cirurgia na visão para fazer, já paguei, mas ainda não tive coragem porque terei que passar um tempo sem trabalhar. Sou apaixonada por esta arte”, disse a artesã.

A mãe de Dona da Luz aprendeu a trabalhar com a palha com uma senhora da Lagoa do Pau e ficou conhecida pela criatividade em confeccionar peças inéditas. De acordo com a artesã, na época, só eram produzidos chapéus e bolsas de linho, utilizando pontos fechados, até que uma moça que visitava a cidade usava uma bolsa de palha de ouricuri vazado. Foi então que a mãe de Dona da Luz começou a criar as peças.

Na cidade, a tradição é passada desde cedo e por isso, as mulheres não sentem dificuldade em produzir porque aprenderam ainda criança a trabalhar com a palha. Thamires Matildes tem 12 anos e é filha de uma das artesãs da associação. Pela manhã, vai para escola e, à tarde, ao invés de brincar, prefere ir à associação fazer costureiros, peça que mais gosta de confeccionar. “Aprendi a fazer de tanto ver minha mãe trabalhando. Quero ser advogada, quando crescer, mas vou ensinar aos meus filhos a fazerem artesanato com ouricuri. Não quero que essa cultura se acabe”, afirma Thamires. A irmã de Thamires tem oito anos e também já ajuda na produção.

Apesar de ser uma criança, Thamires já se preocupa com a possibilidade de um dia a produção artesanal se acabar. “Se o homem continuar desmatando, pode ser que a palha de ouricuri se acabe um dia e aí muita gente não vai ter como sobreviver, porque aqui o povo vive ou do artesanato ou da pesca”, alertou a pequena artesã.

Na comunidade, 90% das pessoas fazem artesanato, mas é na associação que podemos encontrar peças mais criativas e bem acabadas. Isso é resultado das ações de orientação, capacitação e consultoria realizadas pelo do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Alagoas (Sebrae/AL), junto à essas artesãs.

De acordo com Edilene Souza, presidente da Associação dos Artesãos de Pontal de Coruripe, o Sebrae oferece apoio nos diversos elos da cadeia produtiva, desde da orientação até o acesso a novos mercados.

“Participamos de oficinas e capacitações que o Sebrae oferece, e isso tem contribuído para que a produção se torne cada vez mais elaborada. Além de preço, os clientes querem inovação e qualidade. Além disso, o Sebrae têm nos incentivado a entrar em novos mercados. Participamos do prêmio TOP 100 de Artesanato, criado pela instituição, e ganhamos pela segunda vez. Com ele, teremos visibilidade em todo o Brasil”, explicou Edilene.

Para Marcos Vieira, superintendente do Sebrae em Alagoas, a criatividade dos trabalhadores, aliada à qualidade no acabamento e design, bem como a orientação e capacitação empresarial que a instituição oferece, contribuem para o sucesso do artesanato alagoano em outros estados e países. “Estamos trabalhando fortemente para que os nossos artesãos e artesãs tenham mais e melhores condições de competitividade dentro e fora do Brasil. Essa é a missão do Sebrae”, conclui Vieira.

Emprego e Renda

Para alguns, o artesanato é um “hobby”, para outros, uma oportunidade de emprego e renda. Desde os 10 anos, Dona da Luz, observava que o artesanato poderia ser uma fonte de renda. Ela conta que apesar do retorno, aparentemente, ser pequeno, sua mãe construir uma casa com o dinheiro das vendas do artesanato.

“Minha mãe trabalhava muito, mas conseguiu montar a nossa casa com o dinheiro vindo da palha de ouricuri. Foi, então, que vi que poderia viver disso”, relatou a artesã.

Para Renata Fonseca, diretora técnica do Sebrae em Alagoas, o artesanato vai além da representação cultural do povo: possui grande importância para o desenvolvimento econômico do Brasil. “Mais orientação, mais capacitação e mais consultoria para os artesãos, resultará em melhores condições de atendimento à grande demanda interna e externa por produtos artesanais. Vendendo mais, as comunidades acabam distribuindo melhor a riqueza e melhorando a qualidade de vida de todos os seus integrantes”, afirma Renata.

Jorge Santana é o único artesão da Associação dos Artesãos de Pontal de Coruripe e complementa sua renda com a produção artesanal. “Sou professor, mas muitas vezes, o artesanato dá mais lucro do que a própria formação. É por isso que me divido entre a sala de aula e as peças de ouricuri”, disse Jorge.

Este ano, as artesãs receberam pela segunda vez o prêmio TOP 100 de Artesanato, criado pelo Sebrae. De acordo com Edilene, em 2007 houve um aumento de 80% nas vendas das peças inscritas na primeira edição do prêmio, em 2006.

A produção é comercializada em vários estados brasileiros. Só este mês, a associação recebeu uma encomenda da loja Tok & Stock de mais de R$ 10 mil. As peças também já foram exportadas para Holanda, Japão, Estados Unidos e França.

Segundo Edilene Souza, da associação doas Artesãos de Pontal de Coruripe, os preços das peças produzidas na associação variam de R$ 5 a R$ 250,00. Com o movimento em alta, cada artesão chega a receber de um a dois salários mínimos. Mais informações pelo (82) 4009-1653.

Serviço:
Sebrae/AL - (82) 4009-1600

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

  
  

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FRANCISCA APARECIDA LEITE VASCONCELOS

FRANCISCA APARECIDA LEITE VASCONCELOS

30/11/2009 13:18:04
PARABENS A VCS MULHERES DE TALENTOS ...QUE FAZ BRILHAR ESSE TRABALHO MARAVILHOSO!!!

Lala Andreotti

Lala Andreotti

16/10/2009 11:36:13
Fantástico o trabalho de vocês que demonstra a força do grupo bem orientado e que sabe preservar suas tradições.
Parabéns!
Gostaria de entrar em contato para falar a respeito de um corante específico para palha, Prapalha, produzido pela tradicional fábrica de corantes Guarany daqui de São Paulo. Aguardo contato .Grata
Lala andreotti