Artesanato de madeira valoriza trabalho de artesãos do Amapá

Projeto valoriza o trabalho de artistas que unem o útil ao agradável; as peças impressionam pela beleza e pela qualidade

  
  

Artesanato de madeira. No Amapá, um projeto valoriza o trabalho de artistas que unem o útil ao agradável. As peças impressionam pela beleza e pela qualidade. O projeto 'Amapá feito à mão', desenvolvido pelo Sebrae no Estado, reúne materiais, produtos e estilos bem diferentes. São várias famílias de artesãos que fizeram do talento um negócio lucrativo.

“Houve uma mudança de mentalidade de uma família que estava lutando pela subsistência por uma empresa organizada, que pensa no empreendimento, no crescimento enquanto negócio que pode gerar renda não só para família como também emprego para outras pessoas da comunidade”, afirma Maria D’arc Marques, do Sebrae do Amapá.

À primeira vista, parece madeira. Maciça, talhada e envelhecida. Mas não é nada disso. O trabalho de Antônio Augusto Simões Neto envolve diversos materiais. É uma composição única criada pelo próprio artista.

“Estava tendo essa necessidade de ter um produto diferenciado no Estado. Eu passei a mesclar a cerâmica com a madeira e o metal. Deu esse resultado aí que todo mundo gosta”, conta o artesão.

Durante anos, os artesãos do Amapá buscaram inspiração no estado vizinho, o Pará. O Sebrae estimulou os artistas a usar símbolos próprios da região, herdados dos povos indígenas. Como o maracá, representado por urnas funerárias e figuras humanas. As mudanças aumentaram as vendas. “De todo evento que eu participo, tenho trazido resultados positivos”, afirma Antônio.

O empresário também estudou gestão. Fez vários cursos do Sebrae. Em um deles, aprendeu que o preço das peças deve ter uma margem para a negociação, já que os compradores sempre pedem desconto. Antônio Simões Neto também desenvolveu uma estratégia para abordar os clientes.

“Não funciona muito bem o cliente chegar em uma peça e você chegar de imediato em cima. Então, meu critério é o seguinte. Eu deixo à vontade, mas sempre disposto a dar qualquer informação para eles”, revela o artesão.

Um estudo do Sebrae mostra que 90% dos turistas que visitam o Macapá vêm a negócios e permanecem, a maior parte do tempo, em hotéis e restaurantes. Uma meta do projeto é colocar o artesanato do Estado nestes locais para atrair o interesse dos turistas e aumentar as vendas.

Um hotel é um exemplo! Já comprou vários quadros de Antônio Simões Neto. “A intenção primeira foi privilegiar os talentos amapaenses”, explica a gerente do hotel, Edília Carvalho.

“Quando o turista chega a um hotel, a um restaurante, ele tem que ver a identidade amazônica. Ele precisa enxergar essa identidade e querer esse produto”, avalia a consultora do Sebrae. Em outra empresa, trabalham seis homens. Todos são donos do negócio e ninguém tem salário. O lucro é reinvestido e o que sobra supre apenas necessidades básicas do pessoal, como roupas, alimentos e remédios.

“Todos nós somos donos disso aqui. Construímos juntos. Vamos ter que usufruir disso aqui juntos também”, diz o artesão Celso Valadares Sales. Eles produzem carros, barcos, helicópteros e aviões. Tudo de madeira. São cópias fieis de veículos que existem no mercado.

A oficina de artesanato já tem nove anos. O começo foi modesto. Eles vendiam de porta em porta e sentiam que os clientes não valorizavam o produto. “Só que as pessoas estavam dizendo quanto queriam pagar em um produto que eu fabricava. Aí, muitas vezes, não estava tendo aquela renda mensal, aquele lucro para a construção de outras coisas e investimentos”, explica Celso.

O Sebrae profissionalizou o grupo. Os artesãos fizeram um curso de formação de preços. Aprenderam a calcular os custos da matéria-prima e a colocar a margem de lucro certa no produto.

Um avião, com quatro turbinas, custa R$ 450. Antes, era vendido por R$ 130. Pouco dinheiro para uma peça que leva um mês até ficar pronta. E quando não encontravam clientes, eles trocavam o avião por alimentos para a família.

“A gente trocava por peixe, farinha, cheiro verde. Essas coisas assim que a gente precisava para comer”, conta o artesão Miguel Mariano de Góes Filho. Antes do projeto 'Amapá feito à mão', a empresa tinha só duas máquinas. Consultores do Sebrae mostraram a importância de comprar mais equipamentos. As máquinas só trouxeram vantagens.

“Melhorou o nosso acabamento, nosso serviço que a gente fazia antigamente que era tudo braçal. Hoje, com novos equipamentos, a gente pode fazer peças de forma mais fácil. Mais rápido para ser vendido”, aponta Miguel.

Os artesãos capricham nos detalhes. Dá para abrir a porta do carro. E até mexer no volante. Os pneus também são de madeira. A qualidade já atraiu clientes de lojas de São Paulo e ganhou o mundo nas mãos de turistas que chegam ao Amapá e não resistem aos barcos e aviões.

Até dezembro, eles vão inaugurar uma loja própria. E avisam: aqui nada é impossível. Com madeira, eles fazem qualquer peça. “Tudo o que colocar para a gente fazer, a gente faz na hora. Aceitamos desafios”, conclui o artesão.

Serviço:
Sebrae/AP - (96) 3312-2841
Vivarte - (96) 9124-5013, 8117-5054 e 8119-6563
Contato - Francisco / Miguel
Artesão Antônio Augusto Simões Neto - (96) 3217-3643 e 9111-5778

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

  
  

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