Artesãs do interior da Bahia investem no econegócio

Evento reúne artesãos que trabalham com fibras naturais e produzem objetos utilitários e coloridos, vendidos em todo o Brasil

  
  

Do mato para as principais lojas femininas. A piaçaba, uma espécie de palmeira, cresce em abundância na Bahia e, com o talento de artesãos, vira coloridas bolsas. A palha também é a matéria-prima de criativos tapetes. As artesãs de Porto de Sauípe, um distrito de Entre Rios, vendem os produtos para clientes do Brasil inteiro. O grupo existe desde 1997 e há 10 anos conta com o apoio do Sebrae.

“É importante a associação estar capacitada na área de gestão, na área de associativismo. Elas têm muito problema de desenvolvimento de relações interpessoais, são problemas internos”, diz Maria Aparecida Fernandes, do Sebrae na Bahia.

O trabalho começa cedo para buscar a matéria-prima na mata. São duas horas de caminhada. “Cansa, mas é o trabalho. Sem trabalho, nós não temos nada”, diz a artesã Ana Mary Silva. E é preciso escolher a palha certa para artesanato.

“Tem que ser uma palha boa, fixa e mole, porque senão os dedos também doem. Se não a gente não consegue tecer, fica com os dedinhos tudo inchadinhos de tecer a trança, a palha dura”, diz Ivoneide Pereira.

O tingimento é feito com corantes naturais, como o cipó de rego, urucum e capianga. Depois de 10 minutos fervendo, a palha sai roxa. E com a mistura das plantas surge um arco-íris de possibilidades de cores. “Acho que o diferencial do nosso produto é o colorido. Quando a gente diz que é de palha de piaçaba eles não acreditam. O diferencial do colorido é que a gente consegue fazer as peças”, diz.

São 30 mulheres trabalhando dia após dia. Elas costuram e inventam novos modelos. No interior da Bahia, o artesanato de palha é uma tradição. “É a herança que minha bisa deixou para minha avó, que minha avó deixou para minha mãe, e que minha mãe me deixou”, afirma a artesã Adriana Silva Dias.

Um único pedido tem ocupado as artesãs há três meses. Elas estão produzindo 600 tapetes de palha, que foram vendidos por 150 mil reais. “É um trabalho que digamos seja o pulo do gato. A gente sempre estava querendo. A gente sempre procurava ter um pedido desse para ter nosso capital de giro que a gente mesmo conseguiu”, conta Joelma.

Em tempos normais, as artesãs produzem 900 bolsas por mês. Cada mulher ganha em média um salário mínimo por mês. E para manter a renda, elas não aceitam a pechincha dos turistas. “Nós temos que dar valor ao nosso trabalho”, diz Ana Mary Barista Silva, artesã.

“A palha de piaçaba é usada por muitos grupos de artesanato. Para vencer os concorrentes, é necessário oferecer um produto diferente. Aqui a solução encontrada foi misturar a palha com outros materiais, como o couro”, diz Gustavo Gonçalves de Entre Rios. “São detalhes pequenos que fazem toda a diferença”.

O Sebrae ofereceu cursos de gestão e consultorias. Hoje, o grupo funciona como uma empresa. Sempre um é o responsável pelas contas. “A gente vai aprendendo. Mas ainda é uma coisa muito simples. A gente pega o talão de pedidos e vai fazendo por grupo, para ir pagando”, diz a artesã Lindijovania da Conceição.

Participar de feiras foi um caminho para o crescimento do grupo de artesãs. Maria Joelma participou de um evento em Salvador e conquistou mais clientes para as bolsas e cestas que produz. A feira reuniu pequenos empresários de todo o Brasil. Veio gente do sul e do norte. Cada um levou a própria produção.

Essas pessoas que moram em lugares distantes deste acesso a oportunidades, de estarem trabalhando e mostrando seus produtos para os potenciais compradores, estão vendo nessa mostra nacional a viabilidade de estar fazendo grandes negócios. O presidente Lula inaugurou a feira organizada pelo Ministério da Integração Nacional e se surpreendeu com a produção regional. Conversou com os artesãos e admirou os trabalhos.

“Uma rodada de negócios reúne quem vende e quem compra. É a chance de pequenos empreendedores, vindos do interior do Brasil, dos lugares mais distantes, encontrarem grandes clientes. Numa conversa franca e informal, são fechados acordos comerciais muito lucrativos”, Gustavo Gonçalves.

Serviço:
Sebrae/BA - (71) 3320-4367
Márcia Regina Fernandes Damo – Secretária de Programas Regionais do Ministério da Integração Nacional - (61) 3414-5633 - www.mi.gov.br
Associação de Artesãos do Porto de Sauípe - (75) 3475-1172

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

  
  

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Maria José Negrão dos Santos

Maria José Negrão dos Santos

09/08/2009 11:43:06
Acho maravilhoso, inclusive preciso de contato direto com a Associação face estou montando aqui na Chapada Diamantina um Artesanato e gostaria de comprar itens referente á este produto. O que devo fazer?

Equipe EcoViagem

Equipe EcoViagem

Olá Maria José, No final da matéria, possui o contato desejado: - Associação de Artesãos do Porto de Sauípe - (75) 3475-1172 Desde já agradecemos o contato Equipe EcoViagem