Artesãs do Marajó/PA levam fibra do tururi à Paris

A coleção Matizes de Muaná foi concebida sob a consultoria do estilista Jum Nakao e será mostrada no Salão Prêt-À-Porter, na capital francesa

  
  
A coleção 'Matizes de Muaná', da Associação das Artesãs Flor do Marajó, será exibida em Paris

Foram três dias de muito trabalho e criatividade para as 23 artesãs que trabalham com a fibra do tururi, fruto da palmeira ubuçu, no município de Muaná, Ilha do Marajó, no Pará. Elas integram a Associação das Artesãs Flor do Marajó (Aflomar) e no último final de semana foram orientadas pelo estilista Jum Nakao, que as auxiliou na concepção e confecção da coleção ‘Matizes de Muanᒠque seguirá em setembro para Paris, onde participará do Salão Prêt-À-Porter.

O grupo de mulheres que trabalha em associação é responsável pela marca Tururi de Muaná e também integra o projeto de Artesanato desenvolvido pelo Sebrae no Pará. Entre os produtos desenvolvidos por elas, destaque para os acessórios, chapéus, brincos, pulseiras, bolsas e colares.

Cores e muita mão-de-obra foram a tônica da oficina de criação ministrada pelo estilista paulista, que esteve no Marajó a convite do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), com apoio do Sebrae, em ação do projeto Talentos do Brasil. “Estive aqui no mês passado para fazer um diagnóstico e o que me chamou a atenção foi o uso das cores e a possibilidade de se trabalhar a transparência, por isso, pedi a elas que coletassem as cores que mais identificam a localidade onde vivem para que trabalhássemos com o resultado dessa coleta”, explicou Jum Nakao.

Ele mostrou a matéria-prima tingida pelas artesãs em sete combinações que compõem a cartela de cores da coleção e que teve como inspiração as tonalidades presentes na exuberante floresta, no rio, no colorido das casas ribeirinhas e nas frutas da região.

Para Nakao, o importante é fazer com que as artesãs valorizem seu potencial criativo e, para isso, as escolhas das cores foram explicadas por cada uma durante a oficina de criação, quando elas notaram a importância do contraste nas composições inusitadas que criaram.

“É importante lembrar que elas fizeram tudo e eu fui apenas um mediador. A idéia e a coleção pertence a elas, assim como todas as escolhas”, ressaltou o estilista. Ele destaca a beleza do tururi, matéria-prima instigante que, segundo ele, é difícil definir à primeira vista se trata-se de fibra orgânica ou não. “Ela permite diversas combinações e manipulações, daí a importância das interferências, dos saberes que as artesãs já dominam na superfície e na forma”.

O grupo de artesãs, criado em 1995, tornou-se associação em 2001 e já recebeu consultorias que resultaram em coleções de sucesso, como foi o caso das oficinas realizadas nos últimos anos com Renato Imbroisi, Ida Hamoy, Amauri Marques, Renato Loureiro e Lídia Abrahim. “Esse trabalho está sendo muito produtivo, pois adoramos trabalhar com novidades e o Jum está nos proporcionando uma nova descoberta. Ainda não havíamos atentado para a possibilidade de trabalhar tantas cores com transparência e estamos brincando com isso”, comentou Ângela Paes, diretora de comercialização da Aflomar e que trabalha há 15 anos com o tururi.

Para ela, a utilização de tecido também está sanando alguns problemas e deixando as peças esteticamente mais bonitas e funcionais. “Nesse sentido, a oficina também está sendo muito útil, pois está ajudando a resolver problemas que não podem ocorrer com peças que serão comercializadas em um salão da grandeza do que vai acontecer em Paris”, disse.

Sobre as artesãs, Jum Nakao ressalta que se trata de um grupo comprometido, que cumpre horário, tem vitalidade e uma grande energia. Além disso, ele destaca que a coleção precisa traduzir a verdade e a realidade das artesãs. “Se não for assim, será inconsistente”, observou.

Foi para aproximar as artesãs do processo criativo que todas as peças produzidas na oficina receberam o nome de cada uma de suas autoras. “Isso porque se faz necessário que elas percebam a singularidade que as tornam únicas e é preciso valorizar o que elas têm para que elas possam ser valorizadas por outros que se alimentam dessa experiência”, disse.

Qualificação

Além de ser o responsável pela consultoria, o MDA também adquire a matéria-prima para a realização das oficinas de criação e conta com o apoio do Sebrae na logística. Além disso, cabe ao Sebrae/PA fazer os contatos para comercialização e participação da Aflomar em feiras e eventos. O grupo também é capacitado em gestão, cooperativismo e acesso ao mercado. “Queremos a melhoria do produto para que seja aceito em todos os lugares e por todos os públicos, por isso, trabalhamos constantemente a capacitação e qualificação das artesãs”, comentou Mary Maués, analista do Sebrae e gestora do projeto de Artesanato que atende a Aflomar.

As artesãs fazem parte do projeto Talentos do Brasil, do MDA, que atua em 15 estados do País com a proposta de estruturar grupos de artesãos de forma sustentável, resgatando a identidade do trabalho de cada um.

Sobre o trabalho desenvolvido no último final de semana, a artesã Maria do Livramento Baena, mais conhecida como Morena, diz que tudo está sendo “maravilhoso para a associação”. Para ela, esse tipo de trabalho ajuda a preparar o grupo para atender grandes demandas com qualidade. “Enfrentamos muitas dificuldades, mas temos muita perseverança”, diz Morena, para quem o grande trunfo do grupo é manter a alegria na hora do trabalho e depois dele. “Muitas artesãs estudam e trabalham aqui conosco e, mesmo cansadas estamos sempre dispostas ao trabalho.

Serviço:
Sebrae no Pará (91) 3181-9000

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

  
  

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ANTONIO ALCANTARA (B.A)

ANTONIO ALCANTARA (B.A)

28/10/2009 01:04:49
isso é maravilhoso,parabéns a todas as artesãs muanenses, minhas conterraneas estou orgulhoso,e muito feliz,voces merecem o recohecimento que estão tendo, parabéns!!!