Cooperativa de artesãs do Piauí é exemplo de emancipação

A Cooperart, criada há dois anos e meio, é uma das vencedoras do Prêmio Top 100 de Artesanato; trabalho em cerâmica gerou emancipação feminina e conquista da cidadania

  
  
30 artesãs integram a Cooperativa de Poti Velho

De carregadoras de tijolos a protagonistas da bem-sucedida história da cerâmica artesanal do bairro Poti Velho, de Teresina (PI). Essa foi, e continua sendo, a trajetória de emancipação feminina e da conquista da cidadania percorrida por dezenas de mulheres da comunidade do bairro onde começou a ser construída a capital do Piauí, fundada em 1822 como a primeira cidade planejada do País.

O despertar das mulheres de Poti Velho para a importância da produção de artesanato em cerâmica ocorreu há cerca de dez anos. Nos últimos quatro anos, no entanto, foi quando essa verdadeira revolução começou, de fato, a acontecer.

Hoje, as belas peças utilitárias, de decoração e moda, produzidas pelas 30 artesãs da Cooperativa de Artesanato do Poti Velho (Cooperart Poti) são um exemplo do que pode ser transformado e o que pode ser alcançado quando há espírito empreendedor, associativista e talento numa comunidade, apesar de uma história marcada pela vulnerabilidade social e econômica.

A Cooperart Poti é uma das 100 vencedoras da edição 2008 do Prêmio Top 100 de Artesanato do Sebrae. A premiação é baseada na qualidade dos produtos desenvolvidos por associações e empresas e na eficácia da gestão e capacidade de produção em escala comercial.

Peças de rara beleza foram inscritas na premiação e retratam a história do Poti Velho: um conjunto de pulseira, colar e brincos em argilas de diferentes localidades do Piauí; o móbile Sinos do Vento, inspirado no bumba-meu-boi; coleção Mulheres do Poti, que representam a mulher religiosa, a mulher do pescador, a mulher da olaria, a mulher ceramista e a mulher das continhas (bolinhas de cerâmica).

“Essa foi a primeira vez que participamos do Top 100”, diz Raimunda Teixeira da Silva, presidente da Cooperart. Na edição anterior da premiação, em 2006, a cooperativa ainda não existia. A fundação da entidade ocorreu há apenas dois anos e meio e foi fruto de cerca de dez anos anos de persistência, participação em muitas capacitações, feiras e viagens em missões técnicas, apoiadas por instituições parceiras privadas e públicas. Os apoios começaram a chegar à comunidade em 1998.

Ontem e hoje

“Antes, as mulheres e até as crianças da comunidade trabalhavam carregando tijolos na cabeça, produzidos pelos homens. Cada um carregava até dois mil tijolos por dia. Além de tijolos, só produziam jarros e potes”, conta Raimunda.

“Era um serviço muito duro e não dava visão de futuro. O artesanato nos mostrou outro caminho”, acrescenta. A transformação do bairro pobre chamado Poti Velho no Pólo Cerâmico do Poti Velho começou em 1998, segundo ela. “O Sebrae foi o primeiro e continua sendo nosso grande apoiador”, ressalta a presidente da Cooperart Poti, que já foi presidente e tesoureira da Associação dos Artesãos de Cerâmica do Bairro Poti Velho (Arcepoti), criada há 11 anos. Atualmente ela é também vice-presidente da Arcepoti.

Hoje o bairro Poti Velho é uma das principais atrações turísticas de Teresina. Além das 28 lojas de cerâmica, há quatro restaurantes no Pólo Cerâmico e o Parque Ambiental Estadual Encontro dos Rios (os rios Poti e Parnaíba se encontram no bairro e banham a capital piauiense).

Cerca de quatro mil famílias vivem no bairro. A maioria dos moradores é formada por mulheres. A sede da Cooperart está no Pólo Cerâmico do Poti Velho e conta com loja, oficina, fornos e, recentemente, uma estação digital, doada pela Fundação Banco do Brasil.

“Já estamos formando a terceira turma em computação”, informa a presidente da entidade. A Fundação também doou um caminhão para apoiar a comercialização dos produtos da Cooperart em feiras e eventos dentro e fora do Piauí.

Além da premiação, outra grande novidade da cooperativa, no momento, é o apoio do Instituto Wal-Mart. Essa organização atua há cinco anos no Brasil e está voltada a realização de projetos sociais, econômicos e culturais em comunidades em situação de vulnerabilidade social. O projeto do Instituto Wal-Mart que envolve a Cooperart vai doar forno elétrico para queima de cerâmica e apoiar a montagem de escritório para comercialização e o desenvolvimento de embalagem padronizada, além de oferecer capacitações.

“Queremos produzir mais produtos e também investir na capacitação das mulheres da comunidade, além das cooperadas. Temos de melhorar o nível de escolaridade delas e da comunidade em geral”, afirma Raimunda. Ela conta que doze artesãs voltaram a estudar, neste início de ano. “Tinha mulher com mais de 22 anos sem entrar numa sala de aula”, revela. De acordo com Raimunda, o apoio do Instituto Wal-Mart não visa apenas à produção, mas também à valorização da auto-estima das pessoas da comunidade.

“Nossa meta é aumentar em 30% o número de cooperadas em dois anos. Éramos oito artesãs há quatro anos, hoje somos trinta. Não adianta ter uma estrutura grande, se não dermos conta de realizar um bom trabalho”.

As vendas da cooperativa são feitas majoritamente no pólo cerâmico. A remuneração das artesãs varia entre meio e dois salários-mínimos, dependendo das encomendas. “Participamos das feiras no Estado e fora. Hoje já tem lojista do Piauí que faz pedido e recebe os produtos por transportadora”, informa. O pólo já exportou uma vez para Itália e entre os produtos havia peças da Cooperart Poti. “Há onze anos, a gente só produzia pote e jarro”, compara Raimunda.

Top 100

O Top 100 é uma estratégia do Sebrae para dar maior visibilidade aos produtos artesanais brasileiros, tornando-os mais competitivos e abrindo um leque de oportunidades de negócios para esses artesãos. O prêmio identifica a oferta de produtos e de empresas devidamente qualificadas e preparadas no mercado.

Participam do prêmio artesãos com personalidade jurídica ou pertencentes a associações e cooperativas, além de empresários de micro e pequenas empresas. Como premiação, os vencedores receberão certificados, seus nomes e produtos serão divulgados nacionalmente no portal do Sebrae Nacional e terão sua participação assegurada em rodadas de negócios ainda este ano.

Nesta segunda edição, os 100 vencedores estão distribuídos em 24 estados e no Distrito Federal. Piauí é o estado onde se encontram mais premiados. Lá, há nove unidades que receberam uma boa avaliação do júri. Na Paraíba são oito unidades selecionadas. E em Pernambuco há sete. Minas Gerais, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo contam com seis unidades que serão premiadas. A lista completa com o resultado final da premiação está no endereço http://www.info.sebrae.com.br/br/umc/top100_final.pdf.

A cerimônia de premiação será realizada no Rio de Janeiro ainda no primeiro semestre do ano. Os vencedores recebem o custeio de deslocamento e de hospedagem para a participação no evento. Ganham também uma autorização de uso do selo 'Prêmio Sebrae Top 100 de Artesanato - 2ª edição', além de um certificado de premiação e da divulgação de três produtos nos sites do Sebrae Nacional e do Sebrae nos estados, no CD promocional e no catálogo do prêmio.

Após a premiação, haverá dois dias de rodadas de negócios. "A idéia é promover o encontro entre compradores e fornecedores para incentivar a criação de grandes parcerias de negócios", destaca Beatriz Rossetto, analista da Unidade de Acesso a Mercados. Ela ressalta que os premiados também terão direito à participação em outra rodada de negócios que será realizada seis meses após a primeira.

Serviço:
Agência Sebrae de Notícias - (61) 3348-7138 e 2107-9362
www.agenciasebrae.com.br

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

  
  

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