Mostra em Salvador/BA valoriza trabalho de bordadeiras e rendeiras

Todas as peças são feitas a partir de jeans e brim, tecidos com os quais as artesãs já estavam acostumadas a trabalhar.

  
  

O trabalho de tradicionais bordadeiras e rendeiras da Península Itapagipana e do Subúrbio Rodoviário de Salvador ganha status de arte e integra a mostra 'Do Fuxico ao Fashion', que será aberta nesta quinta-feira (27), às 19 horas, no Palacete das Artes Rodin, na Graça. Aberta ao público até o dia 5 de setembro, a exposição é resultado do projeto Incubadoras de Núcleos Associativos Produtivos do Centro Interdisciplinar de Desenvolvimento e Gestão Social da UFBA (CIAGS), com apoio do Sebrae na Bahia, MCT/Finep, Fapesb, Fundação Cultural do Estado a Bahia e Fapex.

Da rotina antes baseada na produção informal de artesanato para subsistência, surgiu a possibilidade de introduzir o fuxico, técnica de bordado, na moda, combinando a delicadeza da rendas e bordados à elegância dos tecidos e roupas de corte fino. A mostra “Do Fuxico ao Fashion” resulta da busca pela aproximação entre a universidade e grupos sociais que têm pouco – ou nenhum – acesso ao conhecimento produzido nos centros acadêmicos.

“Ao trabalharmos com artesãos e com artesanato de raiz, tentamos nos aproximar de propostas já formuladas pioneiramente por Lina Bo Bardi e Rômulo Almeida, de ressignificar a cultura com recursos contemporâneos”, conta a professora Tânia Fischer, coordenadora do CIAGS.

Para a gestora do projeto Empreendedor da Economia Solidária do Sebrae/BA, Idimara Dantas, a iniciativa agrega valor e dá visibilidade ao trabalho das bordadeiras e rendeiras. “As artesãs das associações de bordadeiras e rendeiras de Itapagipe e da 26 de Julho de Paripe produziam fuxico e vendiam em feirinhas. Agora ganham a oportunidade de direcionar a produção para o mercado”, explica. Segundo ela, o Sebrae capacitou as associações em redes associativas e gestão.

Histórico do projeto

Pesquisas feitas na península - que integra 14 bairros (Uruguai, Ribeira, Bonfim, Monte Serrat, Dendezeiros, Bairro Machado, Alagados, Vila Rui Barbosa, Massaranduba, Baixa do Petróleo, Calçada, Mares e Roma) - apontaram a força da produção têxtil da região. Nos anos 40, Itapagipe foi um pólo industrial forte em Salvador, com destaque no ramo de confecções, até que, na década de 70, uma crise econômica provocou a falência das indústrias locais.

Em março de 2007 ocorreu a contratação do consultor em designer estratégico, Fernando Augusto Gonçalves, que deslancha uma nova fase nas ações do projeto e dá inicio concreto ao trabalho de criação e confecção da coleção de moda. A presença marcante do design conferiu ao projeto um novo norte. De imediato ficou claro por parte dos residentes a necessidade de leituras menos acadêmicas e de um maior conhecimento das técnicas artesanais utilizadas pelos núcleos.

As peças – bolsas, coletes, boleros adornados com fuxicos de shantug, seda e brocal, detalhes em crochê com linha metalizada ou o tradicional ponto “bico de periquito” – quatro pequenos fuxicos que formam um novo fuxico. Todas as peças são feitas a partir de jeans e brim, tecidos com os quais as artesãs já estavam acostumadas a trabalhar. São peças masculinas e femininas, com corte e execução equivalentes à alta costura.

“Nossas peças são inspiradas na contextualização do artesanato existente na região”, explica Fernando Augusto, responsável pela coordenação da execução das peças. Por enquanto, as peças não estarão à venda, pois a produção ainda é pequena, mas em breve, as melhores lojas da cidade já terão peças produzidas pelas artesãs da Península de Itapagipe.

Serviço:
Sebrae/BA - (71) 3320-4300

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

  
  

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