Porto Dias é a segunda comunidade na Amazônia certificada pelo Forest Stewardship Council

A Associação Seringueira do Projeto de Assentamento Agro-extrativista Porto Dias tem oficializada a conquista da certificação florestal através do FSC (Forest Stewardship Council), com isto torna-se a segunda comunidade na Amazônia a possuir esta distinçã

  
  

A Associação Seringueira do Projeto de Assentamento Agro-extrativista Porto Dias tem oficializada a conquista da certificação florestal através do FSC (Forest Stewardship Council), com isto torna-se a segunda comunidade na Amazônia a possuir esta distinção.

A certificação deste projeto vai além de uma simples distinção e representa o reconhecimento do trabalho pioneiro nascido da busca da comunidade por alternativas econômicas que defendessem a integridade social e territorial de sua reserva e da coragem do Centro dos Trabalhadores da Amazônia – cta em apoiar e assessora-los em um tempo onde a questão do uso sustentável da madeira ainda era um tabu e alvo de pesadas críticas e preconceitos.

Desta forma o projeto foi literalmente abrindo os caminhos, desde a concientização dos movimentos sociais de que a luta não era contra a madeira e sim contra um modelo econômico apoiado em práticas predatórias, passando pela pressão e subsidio técnico ao poder público para a criação de políticas e a regulamentação da atividade, até a abertura manual da estrada para vencer o isolamento no qual a comunidade vivia.

O projeto conta hoje com agentes florestais comunitários capazes de realizar todas as etapas operacionais, de planejamento e gestão inerentes ao Manejo Florestal Sustentado. A área de produção anual é de 130 ha e uma produção anual de aproximadamente 650 m3 de 18 diferentes espécies.

A comunidade possui uma pequena serraria (já com a cadeia de custódia certificada) com capacidade de produzir pranchões, blocos e madeira para estruturas. Além disto, possui uma moderna marcenaria para a produção de pequenos objetos decorativos, utilitários, móveis e componentes para móveis.

Uma grande parte da safra de 2002 já está vendida, porém ainda há a disponibilidade de atendimento de pedidos de madeira serrada. Quanto aos pequenos objetos não há limitação de matéria prima, pois os mesmos são elaborados a partir de resíduos gerados na colheita florestal.

Em breve estará disponível um catálogo com uma linha de produtos criados por renomados designers brasileiros e italianos.É importante frisar que o projeto traz em sua concepção o conceito de Uso Múltiplo da Floresta e em breve estará certificando produtos que já são manejados em bases sustentáveis, dentre eles citamos o Óleo de Copaíba, as Sementes Florestais e artefatos em Marfim Vegetal ( Jarina).

Esta notícia vem reforçar a idéia de que com perseverança é possível viabilizar a floresta e suas populações, para isto basta comprometimento, vontade política e uma ínfima parcela de todo o recurso que historicamente vem sendo investido na região em atividade ambientalmente predatórias e socialmente excludentes.

Fonte: FSC

  
  

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