Povo Guarani reclama falta de terra e de condições para preservar cultura

o povo Guarani enfatiza que a demarcação de suas terras seria "um bem para toda a humanidade", porque eles jamais destruiriam a natureza. Brasília - Representantes dos 225 mil índios guaranis, que habitam o sul d

  
  

o povo Guarani enfatiza que a demarcação de suas terras seria "um bem para toda a humanidade", porque eles jamais destruiriam a natureza.

Brasília - Representantes dos 225 mil índios guaranis, que habitam o sul do Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia, divulgaram hoje (15) o documento final do 2° Encontro Continental Sepé Tiaraju e o Povo Guarani, que terminou ontem em Porto Alegre. Durante quatro dias, eles discutiram a necessidade de mais terras para trabalhar e preservar suas manifestações culturais.

Os guaranis reclamam da violência sofrida ao longo dos cinco séculos de história da América do Sul e reivindicam o direito de livre circulação, sem fronteiras entre os países. "Apesar de toda a violência praticada ao longo dos últimos 500 anos, nós resistimos. Hoje somos mais de 225 mil pessoas, um dos maiores povos da América", afirmam no documento.

Eles asseguram que sempre tiveram relação de respeito com a natureza e dizem que sem o mato, a água, os rios e todos os seres que nela [mata] habitam, não podem viver. "A falta de terra é o principal problema que atinge nosso povo. Não vivemos sem a terra e a terra não vive sem o nosso povo, formamos um único corpo. A falta de terra não permite que vivamos de acordo com nossa cultura. Nossos jovens são obrigados a buscar trabalho em outros locais, não sobrando tempo para aprender com nossos velhos".

Em razão do respeito pelo meio ambiente, o povo Guarani enfatiza que a demarcação de suas terras seria "um bem para toda a humanidade", porque eles jamais destruiriam a natureza. Os índios manifestam "profunda tristeza" com a redução das matas, com a poluição dos rios e a extinção dos animais e dizem que as poucas "matas verdadeiras" que restam foram transformadas em reservas ou parques ambientais que eles não podem ocupar.

Stênio Ribeiro
Repórter da Agência Brasil

  
  

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