Carnaval no Largo da Alegria quer preservar história e tradição da folia em Ouro Preto

Crianças fantasiadas com balões e algodão-doce e idosos, com confetes e serpentinas, dançam ao som das mais típicas marchinhas carnavalescas.

  
  

De tarde, crianças fantasiadas com balões e algodão-doce e idosos, com confetes e serpentinas, dançam ao som das mais típicas marchinhas carnavalescas. À noite, centenas de pessoas se espremem para acompanhar espetáculos cênicos e musicais com sambas de tradicionais compositores ouro-pretanos, congado, maracatu e bonecos no palco. Com essa mistura, o projeto Candonguêro: Era uma Vez um Carnaval fez do Largo da Alegria, emoldurado pelos casarões seculares, um dos espaços mais agradáveis do carnaval da cidade histórica de Ouro Preto.

Moradores e turistas experimentam a sensação de que o tempo não passou, ao menos, por ali, porque os demais palcos da cidade são ocupados pelos hits que dominam as rádios do país ou por outras manifestações culturais, como o hip hop.

“É uma coisa que nós ouro-pretanos não podemos deixar acabar nunca: esse carnaval tradicional com as verdadeiras músicas. As crianças rezam para não chover e atrapalhar a diversão delas”, ressaltou Célia da Silva Rodrigues, 44 anos, que levou a mãe e os filhos de 8 e 5 anos para pular carnaval no Largo. “É bom porque as crianças e idosos ganham uma opção de sair de casa e um espaço para brincar”, acrescentou Fábio Santos, 31 anos, que também levou a filha ao local.

Um dos idealizadores do Candonguêro, o diretor cênico Flaviano Souza, lembra que a iniciativa surgiu como uma reação local à globalização midiática do carnaval. O formato das apresentações foi definido com base em pesquisa histórica dos carnavais dos anos 70 e 80. “Nossas raízes riquíssimas estavam se perdendo”, acrescentou Flaviano.

Um trabalho de resgate foi feito em especial com os principais compositores ainda vivos do antigo carnaval ouro-pretano. São eles, dentre outros, Vandico, Vicente Gomes, Jorge Adílio, Edmundo Guedes, Senhor Valter, Maria do Morro e João do Pandeiro.

Na última noite de carnaval, eles sobem ao palco, cantam suas músicas, são apresentados ao público e encerram em grande estilo uma festa que encantou turistas de todo o país.

“Muitos compositores que estavam esquecidos no carnaval estão sendo apresentados às novas gerações e voltaram a compor. Tem um resgate cultural do carnaval da cidade e um resgate pessoal desses artistas”, ressaltou Flaviano.

Ao longo do ano, o Instituto Candonguêro, associação sem fins lucrativos responsável pelas apresentações carnavalescas no Largo da Alegria, funciona em Ouro Preto como escola de música e de idiomas.

Fonte: Agência Brasil
Esta notícia está licenciada sob Licença Creative Commons Atribuição 2.5

  
  

Publicado por em