Caiçaras, indígenas e quilombolas: construindo juntos o Turismo Cultural na região da Costa Verde

Com apoio do MTUr, cultura quilombola é resgatada no Rio de Janeiro e em São Paulo

  
  

“O turista é fundamental em qualquer comunidade. Ele motiva, incentiva”. As palavras do sábio Griôt Valentino Conceição, contador de histórias e guarda das tradições do Quilombo do Campinho, em Parati (RJ), traduzem a importância do turismo no resgate e valorização da cultura quilombola e na geração de renda para a comunidade.

O Quilombo do Campinho faz parte do projeto “Caiçaras, indígenas e quilombolas: construindo juntos o turismo cultural na região Costa Verde”, uma parceria entre o Ministério do Turismo (MTur) e a Associação dos Moradores do Campinho (Amoc).

O objetivo é estruturar e qualificar produtos e serviços turísticos de 24 comunidades das regiões de Paraty (RJ), norte de Ubatuba (SP) e sul de Angra dos Reis (RJ), por meio da valorização e do resgate dos saberes e fazeres tradicionais e do desenvolvimento do Turismo de Base Comunitária – aquele protagonizado pela comunidade, principal beneficiada pela atividade turística.

“A organização do turismo na nossa comunidade é muito importante. Em uma região que vive praticamente do turismo, o Turismo de Base Comunitária é uma grande saída para população”, destaca o presidente da Amoc, Wagner do Nascimento.

Segundo Nascimento, os recursos buscados junto ao governo federal estão sendo utilizados tanto para debater como divulgar, estruturar e desenvolver o turismo na região.

A coordenadora geral de Projetos de Estruturação do Turismo em Áreas Priorizadas, Kátia Silva, ressalta que a ação consiste na formatação de um produto turístico competitivo relacionado com a realidade local, os interesses e valores da população, a diversidade cultural e as belezas naturais da região da Costa Verde.

Laura Maria dos Santos, membro da Amoc, conta que ações de resgate da cultura, culinária e dança estão sendo realizadas. Um exemplo é a dança de roda, conhecida como “Jongo”. “Nós fomos buscar companheiros em outros quilombos que resistiram como cultura jongueira. O Jongo é uma dança de roda que vem de toda região do Vale do Paraíba”, explica.

E o turista que visita a comunidade também entra na roda. Segundo Conceição, “as pessoas gostam, apreciam, alguns entram balançando na jongada”. O Griôt destaca ainda que os turistas têm curiosidade em saber sobre a cultura local. “Muitos não sabem como a farinha é produzida e falam: Nossa! É dessa maneira que se faz!”.

A gastronomia também está entre os pontos trabalhados pela comunidade. No restaurante do quilombo, o turista pode saborear a típica feijoada. A agricultora Adilsa da Conceição Martins garante que a comida é de qualidade. “Os alimentos utilizados no preparo das refeições do restaurante são colhidos na própria comunidade e não têm nenhuma intervenção química”.

Já a moradora do quilombo, Madalena Alves da Silva, adora receber os turistas em sua casa. “A minha família era grande, eu tive dez filhos, então estava sempre conversando com um e outro. Hoje em dia casaram, saíram todos”, conta.

Por meio do projeto, estão sendo realizadas ações de qualificação em Turismo Cultural, oficinas de saberes tradicionais, intercâmbios entre comunidades dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo e divulgação dos roteiros de turismo de base comunitária e do Fórum de Comunidades Tradicionais. Criado em julho de 2007, na região sul do estado do Rio de Janeiro e norte de São Paulo, o fórum é um espaço de fortalecimento, articulação e discussão entre as comunidades.

O projeto está entre os 50 apoiados pelo MTur conforme edital 001/2008 de apoio às iniciativas de Turismo de Base Comunitária.

Fonte: MTur

  
  

Publicado por em