COIAB comemora visita de liderança indígena da floresta úmida

O líder indígena Kelly Brown, do povo Heiltsuk, localizada na floresta úmida temperada de Great Bear, no Canadá, vem pela primeira vez ao Brasil e à Amazônia para compartilhar experiências de seu povo em dese

  
  

O líder indígena Kelly Brown, do povo Heiltsuk, localizada na floresta úmida temperada de Great Bear, no Canadá, vem pela primeira vez ao Brasil e à Amazônia para compartilhar experiências de seu povo em desenvolvimento sustentável, etnogestão e manejo sustentável de recursos naturais com os povos indígenas da Amazônia.

A visita do Brown é promovida pela Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), a maior organização indígena Amazônica, e o Instituto de Conservação Ambiental do Brasil (TNC).

A visita se iniciou no dia 3/9 com um encontro no Centro Amazônico de Formação Indígena (CAFI), onde Kelly Brown palestra para os 14 alunos indígenas dos nove estados da Amazônia, dividindo a experiência dos Heiltsuk na gestão de seus territórios.

O CAFI, inaugurado em agosto do ano passado, é uma iniciativa pioneira no Brasil e tem como objetivo fortalecer organizações indígenas locais e regionais através da formação de técnicos próprios em gestão territorial em toda a Amazônia.

Brown se reuniu com representantes das organizações dos povos indígenas sediados em Manaus, e da Fundação Estadual dos Povos Indígenas do Estado de Amazonas-FEPI, na sede da COIAB. O encontro começou com uma cerimônia cultural de boas vindas, e em seguida Brown falou sobre as experiências do povo Heiltsuk em estabelecer projetos de desenvolvimento sustentável com uso dos recursos naturais em parceria com o governo canadense e organizações da região da floresta úmida de Great Bear.

A visita continuará fora de Manaus: junto com representantes da COIAB, Kelly irá para a cidade de Parintins para um grande encontro cultural com lideranças indígenas do Conselho Geral da Tribo Sateré-Mawé (CGTSM); a partir deste encontro, eles irão a campo para o território indígena dos Sateré-Mawé, na região de Mirituba, para uma visita às plantações e o projeto de manejo tradicional sustentável de guaraná que está sendo desenvolvido pelas comunidades indígenas.

A visita se estenderá ainda para várias aldeias indígenas, onde Kelly trocará experiências de manejo sustentável de recursos naturais dos Heiltsuk. A viagem pela Amazônia será concluída em 10 de setembro, em um evento de despedida no CAFI.

Em maio do ano passado, lideranças indígenas da COIAB viajaram para a Colômbia Britânica no Canadá para encontrar-se com lideranças indígenas e aprender mais sobre as práticas de gestão, como manejo florestal e da pesca, nas comunidades indígenas locais. Embora sejam de lugares distantes, eles compartilham muitos desafios e desejos, como preservar a cultura e as florestas que os sustentam. No final da viagem, os grupos discutiram a possibilidade de um técnico indígena de Great Bear visitarem a Amazônia para compartilhar lições aprendidas com os grupos indígenas Amazônicos.

Segundo, Jecinaldo Barbosa Cabral, do povo Sateré-Mawé e coordenador geral da COIAB, “a visita do Kelly Brown é resultado de nossa visita para Great Bear o ano passado e representa um momento importante na troca de experiências culturais e na autonomia dos povos indígenas.”

A floresta úmida de Great Bear abrange mais de 8,5 milhões de hectares na costa oeste do Canadá, e se extende desde a ilha de Vancouver, na costa da Colômbia Britânica, até o Alasca. É uma região de importantes ecossistemas marinhos, montanhosos e de florestas úmidas que guardam importantes recursos naturais, como o cedro, salmão, lobos e ursos brancos. Há 10.000 anos a floresta de Great Bear é habitada por povos indígenas e atualmente habitam a região quase 20.000 indígenas de 17 diferentes povos, conhecidos localmente como as “Primeiras Nações.”

A floresta também tem sido uma região simbólica de luta pela autogestão dos povos indígenas norte-americanos e pelos recursos naturais. Desde a década de 1990, as Primeiras Nações, aliadas ao governo canadense e organizações locais, vêm negociando e estabelecendo parcerias de co-gestão da região.

Como fruto dessa parceria, foram criados vários projetos sustentáveis de gestão de recursos naturais locais que preservam os conhecimentos tradicionais das Primeiras Nações e geram renda local. Projetos como os de manejo florestal, pesca, ecoturismo e outros são exemplos desta iniciativa. Kelly Brown, como representante do Conselho Heiltsuk, teve um papel fundamental na negociação com o governo canadense no estabelecimento de um projeto sustentável de manejo de cedro, entre outros, no seu território.

AGENDA:

03/09

8h00 – CAFI - Palestra sobre gestão de territórios, Av. Rio Purus, No. 17, Bairro Vieralves, Manaus.*

14h00 – COIAB – Encontro com representantes das organizações indígenas, Av. Ayrão, 235, Presidente Vargas, Manaus.*

04/09

Encontro cultural com lideranças indígenas em Parintins, AM.*

05 a 8/09

Visita ao território Sateré-Mawé, em Mirituba, AM.*

10/09

8h00 – CAFI - Evento de encerramento, Manaus.

  • aberto somente para jornalistas e convidados.

COIAB:

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) é uma organização indígena de direito privado, sem fins lucrativos, fundada em 1989. Sua área de representação abrange 31 regiões dos nove estados da Amazônia Legal: Amazonas, Acre, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Nesses estados vivem mais de 200 mil índios, representando cerca de 60% do total da população indígena reconhecida oficialmente no país.

A organização surgiu como resultado do processo de luta política dos povos indígenas pelo reconhecimento e exercício de seus direitos, num cenário de transformações sociais e políticas ocorridas no Brasil, pós-constituinte, favoráveis aos direitos indígenas.

A COIAB, como instância máxima de articulação dos povos e organizações indígenas da Amazônia Brasileira, reúne hoje na sua base política 75 organizações e 165 povos indígenas, estimula e acompanha a criação de outras organizações, visando a expansão e o fortalecimento do movimento indígena.

TNC:

O Instituto de Conservação Ambiental do Brasil (TNC), criada em 1951, é uma das maiores e mais antigas ongs ambientais do mundo. Atuante em mais de 30 países, tem como missão conservar plantas, animais e ecossistemas que formam a diversidade de vida na Terra, protegendo os recursos naturais que eles necessitam para sobreviver. Presente no Brasil desde 1988, a TNC desenvolve mais de 20 grandes iniciativas nos principais biomas brasileiros (Amazônia, Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal e Caatinga), com o objetivo de compatibilizar o desenvolvimento econômico e social com a conservação dos ecosssistemas naturais.

Fonte: LEAD

Del Valle Editoria

Contato: vininha@vininha.com

Site: www.animalivre.com.br

  
  

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