Crianças de Campinas-SP aprendem sobre cultura dos índios rikbaktsa

Mais de quatro mil crianças da rede escolar de Campinas (SP) já agendaram uma aula sobre a cultura dos índios rikbaktsa, que habitam a região noroeste do Estado do Mato Grosso, às margens do Rio Juruena. Essa aula vai acontecer no Parque Ecológico Mon

  
  

Mais de quatro mil crianças da rede escolar de Campinas (SP) já agendaram uma aula sobre a cultura dos índios "rikbaktsa", que habitam a região noroeste do Estado do Mato Grosso, às margens do Rio Juruena.

Essa aula vai acontecer no Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim durante a XI Mostra da Cultura Indígena.A mostra, que permanecerá aberta de até 30 de abril, foi organizada pela Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo, em parceria com a Prefeitura de Campinas.

Os visitantes poderão apreciar fotografias e objetos do artesanato típico dessa etnia indígena, como cocares, colares, braçadeiras, pilões e botoques de madeira com os quais enfeitam o nariz e a orelha.

O evento, produzido especialmente para o público escolar, conta com a monitoria de um casal indígena, que faz palestras, exibe vídeos e faz exibições de arco e flecha. Na tulha, onde antigamente se fazia a secagem de grãos de café, há a mostra e venda de artigos indígenas de várias etnias, organizadas pelo Programa Artíndia, da Funai - Fundação Nacional do Índio.

A mostra conta, ainda, com a participação das livrarias Pontes, de Campinas, e Liubliu, de Barão Geraldo, que expõem o seu acervo de publicações sobre o tema. Os artistas plásticos Marcos A. Rossi e Andrade Jr. também exibem o seu trabalho sobre a temática indígena.

Na abertura da mostra, foi relançado o livro "Meu Avô Apolinário - Um mergulho no rio da minha vida`, de Daniel Munduruku, um escritor indígena premiado este ano pela UNESCO pelo seu trabalho sobre as diferenças culturais.

O Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim, administrado pela Fundação Florestal, órgão da Secretaria do Meio Ambiente, localiza-se na Rodovia Heitor Penteado, km 3,5, Jardim das Palmeiras, em Campinas.

O horário de visitação é das 9h às 18 horas, inclusive aos sábados e domingos. As visitas monitoradas de escolares poderão ser agendas pelos telefones (19)-3252.9988 ou 3294.3479.

Os "rikbaktsa"

O termo "rikbaktsa", que significa os "seres humanos", designa os índios também conhecidos como os canoeiros, referindo-se à sua habilidade no manejo de canoas, ou também como os "orelhas-de-pau", pelo uso de enormes botoques feitos de um tipo de madeira conhecida por caxeta, introduzicos nos lóbulos alargados das orelhas.

Segundo o pesquisador Rinaldo S.V. Arruda, em seu livro "Rikbaktsa, os canoeiros do Rio Juruena", a sua população atual é de cerca de 1.025 pessoas distribuídas por mais de trinta aldeiras ao longo dos rios Juruena, Sangue e Arinos, num território que soma 320 mil hectares. Falam uma língua do tronco lingüístico "macro-jê".

Tidos como guerreiros ferozes, ainda hoje impõem respeito à população regional pela sua persistência na defesa de seus direitos, território e cultura. As suas relações com as tribos vizinhas se caracterizaram pela hostilidade, opondo ainda resistência armada aos seringueiros até 1962, quando foram pacificados pelos jesuítas.

Essa pacificação foi financiada pelos seringalistas, abrindo caminho para outras frentes de interesse econômico, como a de madeireiras, mineradoras e agropecuárias.

Nesse período, com o contato com os brancos, epidemias de gripe, sarampo e varíola dizimaram 75% da população então calculada em cerca de 1.300 pessoas.

Hoje, os "rikbaktsa" vivem em três territórios indígenas: o Rikbaktsa, demarcado em 1968, o Japuíra, demarcado em 1986, e um mais recente que é o Território Indígena do Escondido, demarcado em 1998, totalizando 320 mil hectares.

Essas áreas ainda continuam atraindo garimpeiros, além da cobiça das madeireiras.Por este motivo, segundo Rinaldo Arruda, os "rikbaktsa" procuram saídas econômicas desenvolvendo projetos auto-sustentáveis, buscando recursos financeiros e ajuda técnica para enfrentar a pressão das madeireiras e das mineradoras.

Fonte: AssCom Secr.do Meio Ambiente de São Paulo

  
  

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