Dia do Índio é comemorado no Rio com a presença dos kayapó

Cerca de 30 índios da tribo Kayapó, da Aldeia Moikarakô, no Pará, participaram das celebrações organizadas pelo Museu do Índio, em Botafogo, na zona sul da cidade.

  
  

Rituais, artesanato e pintura corporal marcaram o Dia do Índio no último domingo (19) no Rio de Janeiro. Cerca de 30 índios da tribo Kayapó, da Aldeia Moikarakô, no Pará, participaram das celebrações organizadas pelo Museu do Índio, em Botafogo, na zona sul da cidade. Houve uma apresentação das cerimônias da Festa do Peixe e do Milho.

O Cacique Akyaboro, líder da maior tribo Kaiapó do Pará, acha importante esse contato com as pessoas da cidade para que elas conheçam melhor sua cultura. “As festas que apresentamos hoje duram o ano inteiro. Na Festa do Peixe, nós registramos os nomes das nossas crianças recém-nascidas. Na Festa do Milho, nós comemoramos a colheita."

O cacique explicou que os kayapó vivem na região do Xingu, na Amazônia. A língua falada pertence à família lingüística Jê e os kayapó têm dialetos diferentes. Segundo dados da Fundação Nacional do Índio (Funai), em 2000 a população era de 6.300 pessoas.

Maria Eduarda, de cinco anos, disse que só havia visto um índio na televisão e que gostou muito da apresentação. “Eles são muito bonitos e cantam muito diferente. Agora, quero ir lá na Amazônia conhecer a casa deles.

O Diretor do Museu do Índio, José Carlos Levinho, acredita que as atividades ajudam o público do Rio de Janeiro a entender melhor a realidade indígena. “O contato direto ajuda a quebrar um pouco o estereótipo que ainda é muito forte com relação ao índio,” disse.

Para o presidente da Funai, Márcio Meira, que participou da festa, o Dia do Índio é uma oportunidade de reflexão crítica sobre a história do Brasil, que é muito pouco conhecida. “Muitos pensam que os índios são iguais aos norte-americanos ou que são uma tribo só. Nós temos quase 1 milhão de indígenas de 225 povos diferentes no Brasil, com línguas e culturas diferentes. É preciso que a sociedade brasileira entenda que eles são parte da nação e têm tantos direitos quanto qualquer cidadão”.

As celebrações do Dia do Índio fazem parte de uma série de atividades promovidas pelo Museu do índio desde o dia 15 e continuarão até o dia 26 deste mês. A partir de hoje (20) até o dia 26, os fulni-ô, de Pernambuco, farão apresentações de danças tradicionais de sua cultura nos jardins do museu. Os fulni-ô são os únicos do Nordeste que conseguiram manter ativa a sua própria língua, o yatê, do tronco Macro-Jê. Sua população é estimada em 2.930 pessoas (dado de 1999).

Fonte: Agência Brasil
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