Uma nova imagem para os índios do Vale do Javari

Rastrear e tratar doenças infecto-contagiosas nas tribos indígenas do Vale do Javari, na Bacia Amazônica, que têm baixíssimo contato com o homem branco. Esse é o propósito da Expedição Imagem do Javari, patrocinada pela Divisão de Imagens para a Saúde da

  
  

Rastrear e tratar doenças infecto-contagiosas nas tribos indígenas do Vale do Javari, na Bacia Amazônica, que têm baixíssimo contato com o homem branco. Esse é o propósito da Expedição Imagem do Javari, patrocinada pela Divisão de Imagens para a Saúde da Kodak.

A expedição parte de Tabatinga, a 2 mil quilômetros de Manaus, no Amazonas, partiu no dia 5 de abril e retorna em meados de maio.

Uma equipe capitaneada por médicos radiologistas e epidemiologistas percorrerá cerca de 600 quilômetros pelos leitos dos rios Itaquaí e Ituí para realizar exames de raio-x e ultra-sonografia, além de exames de sangue para rastreamento de doenças infecciosas, especialmente tuberculose e hepatite.

“Esperamos atender cerca de mil índios das tribos Matis, Marubo, Kanamari e Korubo. Estas comunidades são vítimas de uma incidência altíssima de hepatite A, B e até Delta, levadas pelo contato com a comunidade não-índia”, explica o idealizador da iniciativa, o médico radiologista Sérgio Brincas.

A preocupação do especialista é procedente. Segundo dados da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) um surto de hepatite B e Delta ataca os índios da região. A estimativa é de que 70% dos 3.916 índios do Vale do Javari estejam contaminados com os vírus dos dois
tipos de hepatite.

Sérgio Brincas explica que doenças como tuberculose e outras complicações respiratórias podem ser diagnosticadas por radiologia digital. Mas os diferentes tipos de hepatite e outras doenças infecciosas podem ser detectados por ultra-sonografia e também por exames laboratoriais.

No caso de diagnóstico de alguma doença, segundo ele, o índio será tratado no local, se houver recursos. Caso contrário, o índio será removido para a cidade mais próxima para receber atendimento médico adequado. Posteriormente, os índios serão acompanhados pela entidade de saúde que atende a região.

“Existem entidades de saúde próximas à região do Vale do Javari capazes de tratar a população indígena. Porém, a infra-estrutura necessária para o rastreamento laboratorial de um número tão grande de índios é muito complexa e cara, em geral impraticável.

É essa infra-estrutura que será oferecida àqueles indivíduos”, reforça o gerente de marketing da Divisão de Imagens para a Saúde da Kodak, Ivo Petroni. Ele conta que a empresa abraçou a causa por entender a gravidade da situação e saber que os equipamentos de teleradiologia de última geração da Kodak serão muito úteis para a Expedição.

Graças a esses equipamentos, exames realizados em plena selva serão analisados a muitos quilômetros de distância. “Para isso, temos de dispor de equipamentos modernos e confiáveis”, enfatiza o médico Sérgio Brincas.

Ele se refere ao sistema de Radiografia Computadorizada CR 500, da Kodak, considerado o mais compacto no mercado brasileiro: mede apenas 64,5 cm X 62,2 cm X 65 cm.

O equipamento possui avançados recursos de manipulação da imagem e permite conexão com outros sistemas de arquivamento e processamento. A transmissão das imagens será feita via satélite, por meio de um equipamento ainda inédito no País e que também é produzido pela empresa, o KODAK DIRECTVIEW PACS System 5 (Picture Archiving and Communications System ou sistema de arquivamento e comunicação de imagens).

As imagens geradas e até alguns estudos clínicos serão apresentados no estande da Kodak, durante a 34ª edição da Jornada Paulista de Radiologia, que acontece de 21 a 24 de abril, no ITM-Expo, em São Paulo.

Apoiada pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) e idealizada pelo Instituto Dunas e Ventos de Expedições Médicas e Esportivas em parceria com o Departamento de Índios Isolados da FUNAI, a Expedição contará com a presença do chefe desse departamento, o sertanista Sydney Possuelo.

Há mais de 30 anos na entidade, Possuelo participou nos últimos dez das mais importantes expedições de contato
com índios isolados da Amazônia. Ele é um ferrenho defensor dos índios e da cultura desses indivíduos: “A curiosidade que já tive sobre os povos não-contatados subordinou-se a algo maior: ao imperativo de protegê-los. E ao proteger o índio isolado, você também está
defendendo milhões de hectares de biodiversidade”, defende o indianista.

A diretora executiva da expedição será a experiente Bia Boleman, que tem no currículo diversas expedições a lugares inóspitos da América Latina.

A Expedição renderá imagens para um documentário, cuja produção ficará a cargo de uma equipe competente. A produtora será a Expedição Filmes, de São Paulo. O diretor será o premiado Caco Souza, que realizou documentários na Amazônia, Indonésia, África do Sul e Havaí e tem exibições internacionais feitas em Cuba, Inglaterra, Holanda, Canadá, Chile, Paraguai, Argentina, Alemanha e França. E o cinegrafista será o não menos experiente Toco Lenzi que em 15 anos já realizou expedições em mais de 40 países.

Fonte: Ketchum Estratégia

  
  

Publicado por em