Expedição pretende realizar diagnóstico sócio-cultural e natural do Vale do Jequitinhonha

Para resgatar e documentar o rico acervo natural, cultural e turístico do Vale do Jequitinhonha e iniciar um processo de mobilização da população ribeirinha na busca por novas alternativas de desenvolvimento econômico e social, o projeto Caminhos do

  
  

Para resgatar e documentar o rico acervo natural, cultural e turístico do Vale do Jequitinhonha e iniciar um processo de mobilização da população ribeirinha na busca por novas alternativas de desenvolvimento econômico e social, o projeto Caminhos do Sertão pretende realizar, em abril e maio de 2003, a Expedição Jequitinhonha.

Com uma equipe multidisciplinar, a expedição vai navegar o rio em toda a sua extensão, partindo de sua nascente, no Serro, até a foz em Belmonte (BA). E este estudo dos patrimônios histórico-culturais e naturais constituirá um importante subsídio para o resgate cultural do vale e para a preservação de seu acervo histórico e ambiental.

O trabalho de mobilização será feito através de seminários, a serem realizados pela Expedição Jequitinhonha em municípios ribeirinhos, visando à discussão de grandes temas: a mineração, o reflorestamento, a pecuária e a construção de barragens para a geração de energia.

Com estes debates, o objetivo é contribuir para a análise dos problemas do Vale, estimulando, por outro lado, a identificação de novas alternativas para seu desenvolvimento sustentável.

EQUIPE

A equipe multidisciplinar da Expedição Jequitinhonha será formada por 20 profissionais: historiadores, ambientalistas, jornalistas, fotógrafos, cinegrafistas, estagiários (estudantes de graduação em História e Biologia), técnicos em informática, pilotos de barco, motoristas, cozinheiros, e equipe de logística e coordenação.

Para realizar o trabalho estes profissionais terão à disposição equipamentos como botes e canoas apache, adequados à navegação de trechos mais rasos; barcos a motor, que serão usados a partir do distrito de Mendanha (Diamantina/MG); veículos de apoio à equipe embarcada e para transporte de equipes de terra, que farão o trajeto pelas margens do rio; aparelhos GPS; computadores; aparelhos de telefonia móvel; câmeras de vídeo e fotográficas; e instrumentos de monitoramento da qualidade das águas.

A PRIMEIRA ENTRADA

Segundo o GT dos Caminhos do Sertão, refazer a rota do Jequitinhonha é essencial ao desenvolvimento do projeto, embora esse caminho não esteja relacionado na solicitação de tombamento que será encaminhada à Unesco.

Relatos históricos apontam a rota do Jequitinhonha como um dos mais antigos caminhos trilhados pelos colonizadores europeus em direção ao interior do Brasil. A partir da segunda metade do século XVI, em busca de ouro e pedras preciosas, uma expedição teria saído da então Capitania de Porto Seguro e, margeando pela costa, chegaram à foz do Jequitinhonha, hoje município de Belmonte.

A partir daí, os aventureiros portugueses subiram o grande rio, chegando às suas nascentes, no município mineiro do Serro. A rota é, portanto, referência obrigatória para qualquer estudo do processo de interiorização da colonização do Brasil.

Da nascente à foz do Jequitinhonha são 1.086 km, onde ainda hoje são encontrados, apesar dos graves problemas sócio-econômicos da região, registros da colonização, em conjuntos arquitetônicos e bens tombados pelo Iphan e pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG). A natureza também insiste em se manter exuberante em seis parques - um nacional e cinco estaduais - localizados às margens do rio.

Fonte: ONHAS

  
  

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