Casarão do séc 18 abriga acervo de objetos de devoção em Guaratinguetá

HELOISA LUPINACCI da Enviada Especial da Folha de S.Paulo a Guaratinguetá (SP) A história de frei Galvão é apresentada na visita à casa em que ele nasceu. É lá que fica a parte "devocional"

  
  

HELOISA LUPINACCI
da Enviada Especial da Folha de S.Paulo a Guaratinguetá (SP)

A história de frei Galvão é apresentada na visita à casa em que ele nasceu. É lá que fica a parte "devocional" do acervo do museu que leva o seu nome --já a sede do museu guarda documentos da história da cidade.

Há uma pequena e curiosa coleção. Na entrada, os visitantes encontram duas estantes repletas de imagens representando o frade. Na segunda sala, há uma imagem de madeira que tem, cravada no peito, duas relíquias dele: um fragmento de osso e um pedaço do tecido da veste com que foi enterrado.

A imagem está diante de uma rara representação da Santíssima Trindade, com a imagem de Jesus Cristo, do Espírito Santo (em forma de pomba) e de Deus Pai, dificilmente representado. O conjunto foi retirado da igreja do Rosário, demolida.

Nas vitrines, há um pedaço do tecido usado para apoiar o corpo do frade na exumação (o que acontece sempre que há um processo de canonização, para que seja confirmada a existência da pessoa), um cordão para amarrar a veste e um prato que ele usava no mosteiro da Luz, em São Paulo.

Crença popular

Há também curiosidades relacionadas a hábitos populares religiosos, como um bentinho, objeto formado por dois quadradinhos de pano bento, com orações ou uma relíquia. Esse bentinho de frei Galvão era usado por parteiras da região, colocado sob o travesseiro da parturiente. Dentro dele, há pílulas do frade, uma oração a Maria e outra a Nossa Senhora da Boa Morte. Estão expostas lascas de pedra que foram retiradas do túmulo dele por fiéis. Elas eram colocadas na água, que passava, na crença do povo, a ter poderes curativos.

Via milagrosa

Em uma das paredes da casa, quadros com legendas mostram passagens da vida de frei Galvão, como diversos milagres que são relembrados pela população local, e dons atribuídos ao frade, como o da levitação e o de se fazer presente em mais de um local ao mesmo tempo.

Um dos milagres conta que a prima de frei Galvão estava com problemas na gravidez. O frade já era conhecido por melhorar milagrosamente problemas em partos. Ela decidiu fazer um cordão para trocar, sorrateiramente, com o do primo religioso. A idéia era usar o dele em torno da barriga, na esperança de melhorar o seu estado.

Com vergonha, a mulher abandona o plano. O primo, então, chega à casa da prima e pergunta: "Onde está o cordão que você fez pra mim"" Surpresa, ela entrega o cordão e, em troca, recebe o do frade. A prima passa a usá-lo em torno de sua barriga e deixa de sofrer com a saúde. É possível retirar, gratuitamente, pílulas no museu.

MUSEU FREI GALVÃO
Onde: Arquivo da cidade: praça Conselheiro Rodrigues Alves, 48, 2º andar;Tel.: 0/xx/12/3122-3674
Quando: diariamente, das 9h às 17h;
Quanto: entrada gratuita

CASA FREI GALVÃO
Onde: Acervo "devocional": rua Frei Galvão, 78; na esquina com a rua Frei Lucas; Tel.: 0/xx/12/3132-4406
Quando: diariamente, das 9h às 17h;
Quanto: entrada gratuita

Catedral de "Guará" exibe santo Antônio com veste rica e cavanhaque.

Em um dos pontos mais altos do centro de Guaratinguetá fica a catedral de Santo Antônio, que data da época da fundação da cidade e foi passando por reformas ao longo dos anos.

Construída em 1630, era então uma capela. A primeira ampliação veio no século 18, quando ela ganhou sua dimensão atual. No século seguinte, foi reformulada seguindo o gosto dos barões do ciclo do café. Em 1913, passou por outra reforma, que lhe rendeu a atual fachada em estilo neoclássico, projetada pelo arquiteto paulistano José Saccheti.

Todas as fases deixaram resquícios no templo. As janelas e as portas da sacristia são da ampliação do século 18. Os altares são dos séculos 18 e 19. E a fachada é do século 20.

Ao entrar na igreja, do lado esquerdo, atrás de uma porta colonial, fica a capela onde há uma imagem de frei Galvão, relíquias do frade e a pia batismal na qual ele recebeu o primeiro sacramento da Igreja Católica. Também foi na catedral que ele rezou sua primeira missa.

O principal destaque da igreja é a curiosa imagem de santo Antônio que está no altar. Do século 18, ela havia sido repintada diversas vezes. Uma restauração descobriu características peculiares. O traje do santo, pintado de marrom, revelou-se uma elaborada veste azulada decorada com estampa dourada. Mas a principal surpresa estava no rosto: esse santo Antônio tem cavanhaque.

FONTE: Folha de São Paulo

  
  

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