Amapá sediará o maior corredor de biodiversidade do País

O Amapá está no centro das atenções do Congresso Mundial de Parques, em Durban, na África do Sul. O governador do Estado, Waldez Góes (PDT), acaba de anunciar para a comunidade internacional a criação do maior corredor ecológico do Brasil, colocando o est

  
  

O Amapá está no centro das atenções do Congresso Mundial de Parques, em Durban, na África do Sul. O governador do Estado, Waldez Góes (PDT), acaba de anunciar para a comunidade internacional a criação do maior corredor ecológico do Brasil, colocando o estado na liderança da conservação da biodiversidade brasileira.

O Corredor da Biodiversidade do Amapá compreende mais de 10 milhões de hectares, maior que o território de Portugal, protegendo vários tipos diferentes de ecossistemas - mangues, cerrados, florestas tropicais, florestas de altitude e terras alagadas - e está localizado estrategicamente entre o escudo das Guianas e o estuário do rio Amazonas.O coração do Corredor é composto por um conjunto de áreas protegidas, que representam 54,8% da extensão total do Estado. São 12 unidades de conservação contando com dois Parques Nacionais, uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável, três Estações Ecológicas,três Reservas Biológicas, uma Reserva Extrativista, uma Área de Proteção Ambiental, uma Floresta Nacional, além de quatro Terras Indígenas - Juminá, Galibi, Uaça, Waiapi - que congregam cerca de 4.500 índios.

Essas unidades serão conectadas por novas áreas protegidas formando um mosaico de usos de terra ambientalmente sustentáveis, como sistemas agroflorestais ou ecoturismo.

`Com a visão do Corredor, o Estado do Amapá passa a gerenciar essas áreas de maneira integrada e a compatibilizar as atividades produtivas com a preservação da natureza`, declara o governador Waldez Góes.

O estado do Amapá tem cerca de 14 milhões hectares de extensão e é um dos melhores lugares na Amazônia Brasileira para desenvolver iniciativas de conservação, pois 96% da vegetação ainda estão intactos. Estima-se que o Corredor abrigue pelo menos 45 espécies de lagartos, 505 de aves e nove de primatas.

A região é habitat de inúmeras espécies cujas
populações estão em franco declínio em outras áreas de ocorrência, como os grandes carnívoros - a onça-pintada (Panthera onca), a suçuarana (Puma concolor), o gato-do-mato (Herpailurus yaguarondi), além de primatas, como o cuxiú (Chiropotes satanas) e o coatá (Ateles paniscus).

Na mesma situação ainda se encontram aves como as araras (Ara chloroptera e Ara macao), papagaios (Pionites melanocephala), jacus (Penelope marail), flamingos (Phoenicopterus ruber), ibis (Theristictus caudatus e Eudocimus ruber), beija-flores (como o Topaza pella) e grandes frugívoros que vivem na copa da floresta (Haematoderus militaris, Perissocephalus tricolor e Procnias alba).

`O Amapá está promovendo uma verdadeira mudança na escala da conservação. É um Estado que não sofrerá com a escassez de água, um recurso natural de futuro cada vez mais incerto. De fato, nesse Corredor são preservadas as cabeceiras de seus principais rios`, analisa Russell Mittermeier, presidente da Conservation International.

Um empreendimento conservacionista desse porte mobiliza muitos recursos humanos, financeiros e tecnológicos. No Amapá, o gerenciamento do projeto conta com a participação da SEMA - Secretaria de Estado do Meio Ambiente, do IEPA - Instituto Estadual de Pesquisas Ambientais, da Universidade Federal do Amapá, além da Gerência Executiva do Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.

Para prover o Corredor de Biodiversidade do Amapá com recursos financeiros, a Conservation International do Brasil trabalhará com o Estado, estabelecendo um mecanismo financeiro de longo prazo, conhecido como Fundo Fiduciário para Conservação.

`Em nosso orçamento, planejamos um investimento da ordem de US$ 15 milhões, nos próximos quatro anos, a serem aplicados no suporte e gestão às áreas protegidas, no desenvolvimento de capacidade local para estudos em biodiversidade, e na pesquisa de alternativas econômicas para as populações rurais que vivem nas unidades de conservação, explica Alberto Góes, Chefe do Gabinete Civil do Estado do Amapá.

Em contra-partida, a Conservation International, por meio do Fundo Mundial para a Conservação (GCF, sigla em Inglês), vai fazer uma contribuição inicial de US$ 1,6 milhão.

Em termos tecnológicos, o governo do Estado poderá contar, dentre outras ferramentas, com o sistema GEOID para planejar o Corredor. Desenvolvido por especialistas em tecnologia da informação da Conservation International, em Washington, D.C., EUA, o GEOID é um sistema de alta eficiência, que alavanca o processo de gestão de áreas protegidas.

Funciona como um catálogo on-line de coberturas geográficas, como mapas e imagens de satélite, permitindo que instituições governamentais, pesquisadores e conservacionistas colaborem via Internet na produção de informações espaciais para planejar os usos da terra de forma adequada.

`A lição mais importante que podemos tirar dessa primeira fase do projeto é que nenhuma área protegida terá sucesso se gerenciada isoladamente. Em parceria com a Conservation International do Brasil, estamos podendo melhor avaliar e planejar as conexões biológicas, sociais e econômicas entre as unidades de conservação. São processos de interação complexos e dinâmicos, que necessitam de uma gestão à altura`, conclui o governador Waldez Góes.

Fonte: Conservation International - Brasil

  
  

Publicado por em

SEBASTIÃO LEANDRO

SEBASTIÃO LEANDRO

05/10/2009 21:16:09
É MUITO IMPORTANTE A CONSERVAÇÃO DOS CORREDORES ECOLOGICOS PARA O ECOSSISTEMA MUNDIAL,ONDE 96% DA VEGETAÇÃO AINDA ESTÁ INTACTA.AS FUTURAS GERAÇÕES AGRADECEM.