Com água em abundância, Brotas mostra como ela nasce da terra

o município conta com 13,8% de seu território coberto por vegetação nativa, o que ajuda muito na conservação da qualidade e na quantidade das águas

  
  
Nas trilhas, a caminho de uma cachoeira, você se depara com água nascendo do chão / Divulgação

Em época de crise hídrica, uma localidade com abundância em água é uma riqueza invejável. Em Brotas

, é assim. Além de estar sobre o Aquífero Guarani e contar com o Jacaré Pepira, um dos pouquíssimos rios limpos do Estado de São Paulo, com corredeiras perfeitas para a prática de atividades de aventura, tem mais de 40 cachoeiras, das quais 11 abertas à visitação, além de nascentes de água cristalina. Sem sair da cidade, no Parque dos Saltos, já se tem uma mostra da exuberância da natureza nas várias quedas e corredeiras.

Nas trilhas, a caminho de uma cachoeira, você se depara com água nascendo do chão. Na nascente mais famosa, além de contemplar a água brotando em meio a uma areia muito branca, borbulhante, o que já é um espetáculo, dá até para fazer música. Os grãos de quartzo, se friccionados com as mãos, produzem um belo e curioso som. Não é que a areia canta?!E não é qualquer água não! É água do Aquífero Guarani aflorando.

Não há como não se render às águas de Brotas. Aliás, uma das quatro hipóteses para a origem do nome “Brotas” é de “olhos d´água”. E o município sabe aproveitar este rico recurso. Em 1911, já produzia a própria energia elétrica graças às corredeiras do Jacaré Pepira.

A antiga Casa das Máquinas, localizada no interior do Parque dos Saltos, é testemunha da história. Outro exemplo é a Usina Jacaré, que funcionou entre 1944 e 1970 e para a qual o rio foi represado, formando um lago que ocupa aproximadamente 14,5 hectares, ideal para pesca.

A explicação da riqueza em água está no relevo de Brotas. “A grande quantidade de nascentes da região se deve à estrutura geológica e ao relevo que foi esculpido sobre ela, que é bastante escarpado e, por isso com grande densidade de nascentes se comparada às regiões mais à oeste, onde temos vales mais amplos e menor densidade de nascentes”, afirma o gestor da APA (Área de Proteção Ambiental) Corumbataí-Botucatu-Tejupá, Luiz Sertório Teixeira.

Geógrafo da Fundação Florestal do Estado de São Paulo, ele detalha que as rochas da região são basicamente de dois tipos: arenito, de origem sedimentar, bastante susceptível à erosão, poroso e, por isso, com capacidade de armazenar água; e basalto, de origem em derrames vulcânicos, bastante dura e impermeável.

“Estas rochas estão dispostas em camadas umas sobre as outras, sendo, de cima para baixo, começando com o arenito da Formação Itaqueri, depois o basalto da Formação Serra Geral e, abaixo deste, temos os arenitos das formações Botucatu e Piramboia. É dentro destes dois arenitos que estão armazenadas as águas do Aquífero Guarani”, completa.

Aproveitando as águas

Atualmente, Brotas é a capital do turismo de aventura e ecoturismo por concentrar a maior oferta de atrativos desta natureza no Brasil. Só em água, são pelo menos dez atividades.

A mais conhecida é o rafting. Outra maneira de descer o Jacaré Pepira é em caiaque inflável, mais rápido e ágil que o bote. Também vale muito a pena fazer o boia cross. Usando uma boia e equipamentos de segurança, o turista deixa-se levar pelas corredeiras e quedas d´águas.

Para quem gosta de desafio, o circuito cable: wakeboard, kneeboard, skiboat. Cabos motorizados puxam o participante que, em pé sobre a prancha, tenta se equilibrar e fazer curvas e manobras. É pura diversão! Entre as atividades envolvendo água, há ainda, canoagem, stand up paddle, aquaball e, claro, banho de cachoeira.

Foi aproveitando a riqueza das águas e a beleza natural do seu relevo assimétrico, das cuestas com encostas cobertas de mata atlântica e pedras de arenito que afloram em meio à vegetação de cerrado que floresceu o turismo de aventura e o ecoturismo. Várias propriedades rurais que, no passado, se dedicavam ao cultivo do café, hoje são atrações turísticas.

Infraestrutura

Em Brotas há mais de 40 meios de hospedagem entre hotéis, pousadas, hotéis-fazenda e resorts, 30 restaurantes com gastronomia para todos os paladares, da cozinha caipira à temática. Considerando que é uma típica cidade do interior, as atrações da área urbana vão te surpreender.

Além de um bom número de restaurantes e hotéis, há teatro, cinema e o mais moderno observatório e planetário da América Latina, o CEU - Centro de Estudos do Universo.

Também valem o passeio no Museu do Café, o Museu do Calhambeque e o Museu Bozo D´Água, que expõe troféus e medalhas conquistados pela equipe de rafting Bozo D´Água, que foi tricampeã mundial.

Há lojas de artesanato para compras diversas e um ateliê de cerâmica que, além de comercializar belas peças, possibilita, mediante agendamento, observar a queima do material com técnica japonesa chamada raku.

Por ano, Brotas recebe, em média, 250 mil turistas. É atividade econômica sustentável que já responde por 25% da renda gerada no município de 22 mil habitantes.

A localidade sempre teve laços afetivos, históricos e culturais com o Rio Jacaré Pepira que, em parte graças ao relevo da região, se mantém limpo.

“O relevo bastante escarpado possibilitou, historicamente, que significativas áreas com vegetação nativa fossem conservadas e poupadas da expansão das atividades agropecuárias que acompanharam a ocupação de nossa sociedade nesta região”, frisa Teixeira.

Não há relatos na história da cidade, mesmo com a recente estiagem, de falta de água ou racionamento. A população é abastecida por dois pequenos rios cristalinos: o Córrego das Águas Claras e o Córrego da Minhoca através de uma autarquia ligada à Prefeitura de Brotas.

Atualmente, o município possui uma legislação avançada de preservação das matas ciliares, trata todo o esgoto que produz e tem conseguido aumentar as áreas verdes.

Segundo o inventário Florestal do Instituto Florestal (2010), o município de Brotas conta com 13,8% de seu território coberto por vegetação nativa, o que ajuda muito na conservação da qualidade e na quantidade das águas tanto superficiais como subterrâneas.

Além disso, 34,36% do território do município de Brotas estão dentro da APA Corumbataí-Botucatu-Tejupá, criada para proteger as cuestas, a biota - tanto do cerrado quanto da mata atlântica -, o Aquífero Guarani, as várzeas, as águas superficiais e o Patrimônio Arqueológico.

“Ainda neste ano será iniciado o processo de elaboração do Plano e Manejo da APA, que definirá um zoneamento ambiental para ela, setorizando-a de acordo com as fragilidades dos atributos protegidos e definindo regras de uso que visão garantir a perpetuidade dos atributos protegidos e a melhoria da qualidade de vida das populações que nela vivem”, completa Teixeira.

O Rio Jacaré Pepira, seus afluentes, as cachoeiras, as nascentes e o Aquífero Guarani, que são atributos naturais invejáveis fazem de Brotas um paraíso das águas. E o município está empenhado em usar estes recursos de maneira sustentável.

Visite: www.revistaecotour.com.br

Fonte: Ieda Rodriguez

  
  

Publicado por em