Cúpula Mundial marca a consolidação do ecoturismo

Paula Arantes, correspondente em Quebéc O World Ecoturism Summit reúne mais de mil participantes de 133 países, entre ministros, técnicos, representantes de universidades e ONGs e todos os tipos de financiadores e patrocinadores relacionados a ativi

  
  

Paula Arantes, correspondente em Quebéc


O World Ecoturism Summit reúne mais de mil participantes de 133 países, entre ministros, técnicos, representantes de universidades e ONGs e todos os tipos de financiadores e patrocinadores relacionados a atividades de meio ambiente e turismo no mundo. A presença de representantes de diversas agências multilaterais de financiamento demonstra a crescente demanda de programas e projetos buscando recursos internacionais para o ecoturismo.

O PNUMA - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a OMT - Organização Mundial do Turismo, e os demais organizadores do Canadá não esperavam tamanho sucesso.

A cidade de Quebéc, na província de mesmo nome, parece um grande parque temático, um cenário com 400 anos de história que inclui guerras, lutas, batalhas, destruição e reconstrução. Ingleses, franceses, norte-americanos, escoceses e irlandeses disputaram este espaço deixando as marcas de sua arquitetura, cultura e costumes. O resultado é uma cidade diferente e encantadora, com um povo muito receptivo e cheio de orgulho de sua historia francófona.

A abertura do evento, realizada em um navio, foi marcada por um pomposo coquetel para mil pessoas, oferecido enquanto navegávamos pelo rio Saint Lourant. Durante todo o evento, os serviços de turismo do Canadá e de Quebéc insistentemente oferecem palestras e promoções, principalmente sobre seus parques nacionais, o grande orgulho local. Só a província de Quebéc recebe 5 milhões de turistas por ano.

A participação brasileira conta com aproximadamente 25 pessoas, representando desde a Embratur, o Ministério do Meio Ambiente, ONGs como SOS Mata Atlântica, WWF-Brasil, além de consultores, estudantes, professores e empresários do setor. É motivo de orgulho a dedicação e o reconhecimento internacional do brasileiro Oliver Hillel no contexto mundial do ecoturismo, que trabalha na organização desse evento pela ONU.

O encontro:
A estrutura local é gigantesca. O moderníssimo Centro de Convenções - apesar de poucos computadores disponíveis para o público - apresenta diversas salas com palestras simultâneas, traduzidas nos 3 idiomas oficiais ( Inglês, francês e espanhol). Há um grande salão com espaços para programas e promoções de diversos países, onde é servido o coffee break e onde também acontece o ECO RENDEZ-VOUS: espaço para encontros, trocas de cartões e contatos

Para se ter uma idéia da complexidade da organização, todos os dias são oferecidos almoços e jantares aos participantes, servindo até 1.200 pessoas simultaneamente. No cardápio predominam pratos da "nouvellle cousine".

O evento:
A abertura, no domingo, foi digna de um evento de caráter mundial, com ministros de mais de 50 países e diversas autoridades locais, reforçando a importância do ecoturismo no cenário mundial. Foi apresentado o compromisso de gerar um documento para a Rio +10, que ocorrerá em setembro em Joanesburgo, na África do Sul. Esse documento apresentará o ecoturismo como uma atividade relevante para ações que buscam a sustentabilidade compatível com a conservação do meio ambiente, a valorização cultural, a inclusão social e o combate à pobreza.

Ontem, foram apresentados e discutidos os resultados de todas as conferências preparatórias regionais e da conferência eletrônica que ocorreu no mês de abril. Percebe-se que os temas levantados são comuns nas suas complexidades e entendimentos. O volume de informações e propostas refletem a importância do ecoturismo e reafirmam o significado deste 1o encontro mundial, transformando-o em um momento singular, um marco histórico.

Temas de destaque:
A certificação do turismo é o tema do momento, citado em quase todas a apresentações. Tivemos a oportunidade de participar de diversos meetings com os principais atores internacionais envolvidos nesta discussão ( Rainforest Alliance, Conservation International, WWF, The Ecoturism Society, consultores como Martha Honey e Abi Rome, entre outros), reforçando a sintonia da iniciativa brasileira com a proposta internacional.

Hoje, dia 21, foram apresentados painéis e depoimentos e destaco a presença brasileira com os seguintes temas:

  1. Programa dos Pólos de Ecoturismo do Brasil - EMBRATUR e IEB - por Guilherme Magalhães;
  2. Projeto de Ecoturismo do Cinturão Verde da Reserva da Biosfera da Unesco - por Bely Pires;
  3. Programa de Desenvolvimento do Ecoturismo na Amazônia Legal - pelo PROECOTUR do Ministério do Meio Ambiente;
  4. Apresentação do relatório dos estudos de viabilidade para a criação do Sustainable Tourism Stewardship Council por Ronald Sanabria da Rainforest Alliance, que inclui os trabalhos realizados no Brasil pelo Grupo de Trabalho em Certificação do Turismo Sustentável.

Segundo Mario Mantovani, da Fundação SOS Mata Atlântica, este é um momento muito especial, sem dúvida um divisor de águas na proteção e conservação da natureza, tendo o ecoturismo como ferramenta na construção desta mudança. Segundo Mario "está sendo uma grande oportunidade e produtiva troca de experiências e contatos. São centenas de reuniões paralelas fazendo que fiquemos perdidos entre a rigidez do programa oficial e breves momentos com especialistas ou personalidades dos mais diversos temas e países".

  
  

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