Ecoturismo praticado na Costa Rica pode ser adaptado a realidade brasileira

Os operadores de turismo receptivo que participaram da viagem à Costa Rica trouxeram na bagagem a confiança de que é possível implementar novas práticas de ecoturismo no Brasil e aperfeiçoar serviços já existentes, sobretudo com a utilização das informaçõ

  
  

Os operadores de turismo receptivo que participaram da viagem à Costa Rica trouxeram na bagagem a confiança de que é possível implementar novas práticas de ecoturismo no Brasil e aperfeiçoar serviços já existentes, sobretudo com a utilização das informações da produção científica na criação e melhoria de atrativos turísticos.

A viagem foi a primeira de uma série de seis promovidas pelo projeto Excelência em Turismo: aprendendo com as melhores experiências internacionais, uma parceria entre o Ministério do Turismo – por meio da Embratur -, Sebrae Nacional e Braztoa (parceiro executor).

As experiências observadas e vivenciadas na Costa Rica são consideradas modelos do ecoturismo mundial e podem ser adaptadas à realidade brasileira por meio do conceito de benchmarking, que norteia o projeto.

Para Gustavo Chaves Soares, da Drena Turismo, de Pirenópolis (GO), o que impressionou muito durante a viagem e que vai permitir um resultado a curto prazo é a valorização da produção científica aplicada ao ecoturismo.

“No Brasil essas informações não chegam ao profissional do turismo e muito menos ao público final”, diz.

Segundo Soares, o grupo constatou que na Costa Rica as informações científicas são interpretadas e transformadas em atrações turísticas, como serpentários, ranários e borboletários, da mesma forma que os parques nacionais e reservas biológicas apóiam o desenvolvimento de pesquisas sobre a fauna e a flora, agregando valor aos roteiros.

O operador Cláudio César Carneiro, da Tamanduá, em Bonito (MS), elogiou a agilidade no sistema de transferência de informações pelos guias turísticos locais, que detêm quantidade significativa de dados sobre o que está sendo apresentado aos visitantes.

“A Costa Rica dispõe de um farto e bem produzido material informativo”, acrescenta o consultor e diretor do Instituto EcoBrasil, Roberto Mourão, que fez a coordenação técnica do grupo durante a viagem.

Consciência coletiva:

Segundo Mourão, deve-se ter em conta que o Brasil é cerca de 170 vezes maior que a Costa Rica. “Qualquer adaptação será pontual, o que favorece a política de trabalhar em pólos turísticos”.

Um dos destaques foi a reserva Biológica de Monte Verde, onde há uma grande preocupação com a sustentabilidade.

“É um pólo que mostra amadurecimento, resolve seus problemas internamente, comparte atrativos e produtos e vai ao mercado em conjunto”, completa o consultor.

Essa consciência coletiva de todos atores da cadeia turística de uma localidade (donos de pousadas e restaurantes, gestores de parques, prestadores de serviços etc.) reflete diretamente no atendimento às expectativas e na satisfação do visitantes.

“Vimos como é importante compartilhar informações. Lá todos apóiam o dono da operadora local a participar de feiras e promover o destino com um todo. Ouvi um empresário dizer: `não temos concorrência mas sim competitividade`”, relata Gustavo Soares, que, juntamente com outros colegas que foram à Costa Rica, levará o conhecimento adquirido a todos os interessados, a fim de contribuir com o desenvolvimento do ecoturismo no país.

Melhoria dos serviços:

Maria Ivania dos Santos, da Andar Por Aí, de Andaraí, na Chapada Diamantina (BA), encarou a participação no projeto como uma oportunidade de conhecer a realidade da Costa Rica, “um país que sabendo valorizar sua cultura e seus recursos naturais, transformou a atividade de ecoturismo num veículo de preservação ambiental e desenvolvimento econômico”.

“Esperamos agora melhorar a qualidade dos nossos serviços e multiplicar informações”, afirma a operadora baiana.

Para o operador Cláudio Carneiro a iniciativa vai fortalecer as pequenas empresas de turismo, “agências que produzem produtos para entregar às grandes operadoras”.

“Identificamos elementos para melhorar o destino. `O Brasil tem produtos semelhantes (aos da Costa Rica) e de grande qualidade, como acomodações; o que não temos é o mercado”, pondera ele, que sugere ações para atrair mais turistas americanos e europeus, como o aumento de vôos fretados.

Ecoturismo participativo:

O grupo foi recepcionado e guiado pela consultora costa-riquenha Ana Báez, de renome internacional, que participou das bases do ecoturismo e certificação no país e já prestou consultoria para vários outros países neste setor, inclusive no Brasil.

Segundo Mourão, a Costa Rica foi responsável pela mudança de paradigma do ecoturismo ao promover um turismo participativo – e não apenas contemplativo – oferecendo ao turista atividades esportivas na natureza (radicais ou não) e envolvendo as comunidades locais.

O Sky Tram, em Arenal, foi um dos pontos altos da viagem. Trata-se de um teleférico por cima da mata com três opções de retorno: pelo próprio teleférico, por uma trilha na mata ou ainda por tirolesa - somando mais de 2.000 metros de extensão, sendo que a maior apresenta mais de 700 metros de comprimento, quando o ecoturista chega a uma velocidade de 60 Km por hora, a uma altura de 200 metros.

No Brasil Roberto Mourão acredita que sistema semelhante pode ser adotado em dois locais: a Floresta da Tijuca (RJ) e Foz do Iguaçu (PR), por exemplo.

“No entanto precisaríamos de um fluxo de turistas suficiente e recursos financeiros para implementar e manter o equipamento”, diz o consultor.

Ao final da viagem a equipe de operadores reuniu-se no InBioParque com representantes do ICT (Instituto Costa-riquenho de Turismo), do Programa CST - Certificação de Sustentabilidade Turística, da Coprena (Consórcio Cooperativo Red Ecoturística Nacional), de operadoras de ecoturismo nacionais e os especialistas em ecoturismo e turismo sustentável Ronald Sanabria, diretor da RainForest Aliance, Amos Bien, da The International Ecotourism Society, e Gerardo Budovsky, um dos pioneiros do ecoturismo no mundo e destacado especialista em agrosilvicultura.

Com base nas informações colhidas durante as visitas, os 12 profissionais de turismo estão elaborando relatórios que servirão de base para a consolidação de uma apostila. Este material, juntamente com o DVD que já está sendo produzido, servirá de suporte para os participantes na realização das oficinas de multiplicação, que tem por objetivo disseminar todo o conhecimento adquirido com o projeto.

Avaliação geral:

A diretora executiva da Braztoa, Monica Samia, e a consultora técnica da Diretoria de Turismo de Lazer e Incentivo da Embratur, Jaqueline Gil, que representaram a entidade e o órgão na viagem, fizeram uma avaliação positiva desta primeira etapa do projeto Excelência em Turismo.

“O contato com os empresários, comunidades, autoridades e estudiosos nos mostrou que a integração entre diferentes áreas é imprescindível para um desenvolvimento sustentável e foi fundamental para que a Costa Rica se firmasse como referência em ecoturismo”, afirma Monica.

“A Costa Rica nos mostrou que um grande respeito ao patrimônio natural, muita organização e vontade, muito trabalho, autenticidade e interpretação da informação transmitida ao turista foram fundamentais para o sucesso conquistado pelo país`, completa Jaqueline.

Também integraram o grupo de operadores Luciano Cohen, da Korubo, no Jalapão (TO); Rodolfo de Araújo, da Sudoeste SW Turismo; Carlos Augusto Cunha, da Itacaré Turismo, em Itacaré, e Flávio Hauser, da Maris Turismo, na Península de Maraú (ambas na Bahia); Frederico Costa Soares, da Brasil Aventuras, na Serra do Cipó (MG); Carlos Queiroga de Deus, da Cliotur, em João Pessoa (PB); Marcos Miranda Fontelles, da Eco Adventure, em Parnaíba (PI); Dayan Cavalcante Saldanha, da Pakaas Lodge, em Guajará-Mirim (RO); e Ana Cláudia Aveline, da Caá-Ete (Pedra Afiada), em Porto Alegre (RS).

Fonte: MVL Comunicação

  
  

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