Ecoturismo será o modificador da indústria do turismo

É crescente a procura por pacotes turísticos a locais ambientalmente preservados, onde o turista possa interagir com a natureza. É justamente esse filão de mercado que o ecoturismo preenche, uma vez que a atividade se baseia na oferta da natureza, pouco t

  
  

É crescente a procura por pacotes turísticos a locais ambientalmente preservados, onde o turista possa interagir com a natureza. É justamente esse filão de mercado que o ecoturismo preenche, uma vez que a atividade se baseia na oferta da natureza, pouco transformada pelo homem, como produto principal.

A turismóloga Grace Almeida chama a atenção para a mudança de comportamento dos viajantes, “o tipo de turismo praticado em Manaus era ver o jacaré ou o macaco amarrado. A transformação é clara quando constata-se que hoje é cada vez maior a procura por pacotes quem incluam a focagem de jacaré, atitude ecologicamente correta”.

Durante a Cúpula Mundial de Ecoturismo, realizado no ano passado no Canadá, foi elaborado um documento no qual turismólogos e especialistas na área ambiental afirmam que o ecoturismo será responsável por uma grande virada na indústria turística. A tendência agora é que ela se torne uma atividade mais sustentável.

Para isso, o documento recomenda que o ecoturismo seja implementado e desenvolvido aumentando os benefícios econômicos das comunidades que recebem o turista, contribuindo ativamente para a conservação dos recursos naturais e para a integridade cultural daquelas comunidades.

Assim, a indústria contribui para a conscientização dos turistas sobre a conservação do patrimônio natural e cultural das populações tradicionais .É para essa mudança que as dez comunidades que habitam dentro e o entorno da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (Redes) do Tupé estão atentas.

Através do ecoturismo, os comunitários pretendem encontrar uma atividade econômica sustentável. Iniciativas isoladas já são exploradas por alguns moradores da Reserva, administrada pela Prefeitura Municipal de Manaus, através da Secretaria Municipal de Desenvolvimento e Meio Ambiente .

Situada a cerca de 25 quilômetros do centro de Manaus, a Redes é uma área protegida por lei, e tenta conciliar a preservação ambiental com melhoria da qualidade de vida das pessoas que tradicionalmente moram no local. Na Redes está localizado um dos balneários preservados mais próximos à Cidade, a Praia do Tupé.

Banhada pelas águas do Rio Negro, a Praia de areia clara, junto com a vegetação nativa forma uma das mais belas paisagens da capital do Estado, visitada por milhares de pessoas aos finais de semana, quando chegam a aportar na orla cerca de 30 barcos.

“O potencial do Tupé é o ecoturismo”, afirma o administrador da Redes, Marco Antônio Vaz de Lima. Associado a atividades de baixo impacto, como agricultura orgânica, permacultura, e meliponicultura (criação de abelhas sem ferrão), o ecoturismo se oferece como uma alternativa sustentável de geração de renda para as comunidades que moram na Redes, associado à preservação ambiental.

Marco Antônio diz que o turismo no Tupé é praticado de maneira desordenada. Os barcos que aportam na orla despejam dejetos sólidos e líquidos, prejudicando o lazer dos visitantes que estão na praia e as condições de balneabilidade do Tupé.

A construção de um ancoradouro avançado resolveria a questão. Os barcos de recreio aportariam longe da orla e canoas levariam os turistas até a praia.

`A poluição seria controlada e ainda haveria geração de emprego para as populações que moram na Reserva`, afirma Marco Antônio.

Desde o início de julho, essa idéia e algumas alternativas sustentáveis de renda estão sendo discutidas com representantes das dez comunidades da Redes do Tupé. Extração de madeira Atualmente, a principal atividade econômica explorada no Tupé é a extração de pau de escora e pedra-bloco, usados na construção civil.

A prática de agricultura de baixo impacto e a geração de empregos pela implantação do turismo ecológico é esperado por cerca de 80 famílias que moram na comunidade Bela Vista, localizada no entorno da Reserva.
Daniel Araújo, líder comunitário, diz que alguns passos já foram dados na busca por alternativas.

“A partir das oficinas de coleta seletiva, artesanato com reaproveitamento de resíduos sólidos e manejo florestal comunitário, oferecidas pela Uniambiente (Universidade do Meio Ambiente / Sedema), queremos organizar de maneira legal a extração de madeira através do manejo e criar novas fontes de renda, junto com o turismo”, diz o líder comunitário.

O potencial turístico da comunidade é inquestionável, haja vista o Lago do Jaraqui, uma das mais belas paisagens do Tupé. Atualmente, o local é explorado pelo turismo desordenado. A média de turistas é de 20 por semana, principalmente estrangeiros. Daniel tece críticas à exploração econômica pois o dinheiro que fica na comunidade é pouco.

Segundo ele os guias recebem R$ 15,00 por uma caminhada na mata, preço que sobe para R$ 20,00 caso o programa inclua pernoite. Nas agências, os pacotes são vendidos em dólar e custam no mínimo R$ 450,00 por pessoa.As reclamações vêm ainda de alguns barraqueiros que trabalham na praia vendendo comida e bebidas aos turistas.

Há quatro anos, Maria Silveira Dantas trabalha vendendo refeições e bebidas em uma das dez barracas do Tupé. Ela reclama do movimento fraco, “eu faço cerca de R$ 300,00 que é a única renda da família”.

Maria diz que às vezes ela não tira nem os custos do material e do transporte semanal, quando ela tem que vir até a Cidade, fazer compras para a barraca. A viagem não é barata, fica em torno de R$ 30 e R$ 40.

Aos sábados e domingos, as dez barracas funcionam, mas há rodízio no meio da semana. Embora sejam de donos diferentes, as barracas não oferecem serviços diferenciados. O cardápio é praticamente o mesmo em todas. O preço médio da refeição gira em torno de R$ 4,00.

Fonte: Estação Vida

  
  

Publicado por em